Ídolos, títulos e artilharia

Ligado ao povo e às camadas inferiores da população ao longo de sua história, o Atlético-MG é um dos maiores clubes do Brasil, com grandes resultados em Campeonatos Brasileiros e um recorde de títulos mineiros. Para alcançar todos esses feitos, contou com várias gerações.

A primeira delas foi no fim da década de 20, quando o Galo quebrou o domínio do América (que buscava seu 11º título estadual consecutivo) e foi bicampeão mineiro (1926 e 1927). Naquele momento, o Alvinegro mostrava ao mundo o “Trio Maldito”, formado por Said, Jário e Mário de Castro, que, juntos, marcaram 467 gols.

Mário de Castro, inclusive, está na história da seleção brasileira por ter sido o primeiro atleta fora do eixo Rio-São Paulo a ser convocado. Por não querer vestir outra camisa que não a do Atlético, recusou o convite. De 1926 a 1931, foi o maior jogador do clube e de Minas, tendo marcado 195 gols no período.

O craque passou a coroa ao sair. Pouco depois de sua aposentadoria, Guará apareceu no clube. Em seis anos, marcou impressionantes 168 gols e foi campeão mineiro em 1936, 1938, 1939 e 1941. O “Perigo Louro”, como era conhecido, teve de abandonar a carreira de forma precoce. Em 1939, chocou-se de cabeça com Caieira, do então Palestra Itália. Depois de 23 dias em coma, chegou a retornar aos gramados, mas não suportou as dores e se aposentou no começo dos anos 40.

Mais uma vez, o posto de ídolo da torcida ficaria vago por pouco tempo. Grande expoente do Galo dominante da década de 1940, que conquistou seis dos dez títulos em disputa, Lucas Miranda disputou 179 jogos e balançou as redes adversárias em 152 oportunidades.

Sua maior glória, ao lado de nomes como Nívio e Ubaldo, foi o título de “Campeão do Gelo”, de 1950, quando o Atlético, em excursão à Europa, venceu equipes da Alemanha, França, Bélgica, Áustria e Luxemburgo.

 
Imagem cedida pelo Clube Atlético Mineiro
Atlético Mineiro/Divulgação

O declínio daquela geração, porém, acendeu o rival Cruzeiro. Recuperado de graves crises financeiras e animado com a inauguração do Mineirão, o time celeste dominou o Estado na década de 60. Com o melhor time de sua história, ofuscou o Galo, que se preparava para o seu momento de ouro.

O primeiro veio logo em 1971. Grapete, Humberto Ramos e, principalmente, Dadá Maravilha (artilheiro com 15 gols) levaram o Atlético à conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, disputado naquele ano. Campeão após um triangular final contra Botafogo e São Paulo, o Galo conseguia uma glória inédita em Minas Gerais.

Dadá, um dos personagens mais folclóricos do futebol brasileiro, famoso pelas frases de efeito e pela capacidade de fazer gols mesmo sem muita qualidade técnica, passou pelo seu auge no Alvinegro. Foi artilheiro do Mineiro em quatro oportunidades e do Nacional em duas, todas pelo Galo. Isso faz dele, atualmente, o segundo maior artilheiro da história do clube, com 211 gols.

Dario, seu nome de batismo, só não foi o maior atacante do clube por causa de Reinaldo. Um dos grandes centroavantes do futebol nacional, está na lista dos craques que não conseguiram converter sua técnica em títulos, pelo menos em nível nacional. Isso porque o Estadual ele venceu oito vezes (1976, de 1978 a 1983 e 1985).

E se não conseguiu mais não foi por falta de companheiros de qualidade. Em toda sua trajetória no clube, teve ao lado nomes de seleção como João Leite, Luisinho, Toninho Cerezo e Éder Aleixo. Fora o último, todos estavam na campanha do Brasileiro de 1977, uma das melhores de todos os tempos. Invicto e dominante, o Galo perdeu a final nos pênaltis para o São Paulo, inferior tecnicamente.

Reinaldo, artilheiro da competição com 28 gols, não esteve em campo naquele dia. Suspenso, assim como Serginho, o melhor do Tricolor, foi usado pela diretoria em um jogo de cenas, no qual as cúpulas dos dois times ameaçaram colocar os atletas em campo, mesmo sob pena de multa. No fim, ambos ficaram fora e o Atlético acabou derrotado.

Três anos depois, aquela geração passaria por mais um fracasso. Mais uma vez na final, agora contra o Flamengo, o Galo não resistiu ao talentoso time carioca, e, depois de vencer em Minas por 1 a 0, perdeu no Rio por 3 a 2. Como a vantagem era rubro-negra, o título mais uma vez não foi para a parte alvinegra de Minas Gerais.

Assim seria até o fim dos anos 80. Esporadicamente entre os melhores, mas nunca no topo, o Atlético viveria poucos momentos ruins. Um deles foi a despedida de Reinaldo. Castigado por seguidas lesões, ele abandonou o esporte na metade da década.

Nos anos 90, os atleticanos tiveram poucos motivos para sorrir. O grande momento foi o fim da década, quando Marques e Guilherme formaram a dupla de ataque. Juntos, eles levaram o clube à final do Brasileiro de 1999, mais uma vez perdida, desta vez para o Corinthians. Os dois se destacaram, porém, pelo número de gols marcados pelo clube.

Guilherme fez 139 e é o sétimo maior goleador da história. Já Marques balançou as redes em 125 oportunidades até o início da temporada 2008 e é o décimo.

Artilharia

O maior artilheiro da história do Atlético-MG é o atacante Reinaldo, que defendeu o clube de 1971 a 1985, e balançou as redes adversárias em 255 oportunidades no período.


Principais títulos

Campeonato Mineiro

1915 1926 1927 1931
1932 1936 1938 1939
1941 1942 1946 1947
1949 1950 1952 1953
1954 1955 1956 1958
1962 1963 1970 1976
1978 1979 1980 1981
1982 1983 1985 1986
1988 1989 1991 1995
1999 2000 2007

Campeonato Brasileiro

1971

Copa Conmebol

1992 1997