Esses resultados do vôlei de quadra masculino e feminino mais o ótimo desempenho da modalidade na areia levaram a Penalty a escolher o esporte como "cobaia" de seu sistema d-Tech.Segunda paixão nacional depois do futebol, o vôlei é a modalidade esportiva com o maior número de lances duvidosos por partida. Uma marcação errada dos juizes de rede e de linha pode desanimar jogadores, quebrar o embalo do time e até definir partida.
![]() FIV/ Divulgação O vôlei brasileiro é premiadíssimo em todas as suas modalidades |
"Esse sistema trará um grande avanço tecnológico para o vôlei mundial, pois é algo inédito e beneficiará o esporte", disse Roberto Estefano, presidente da Penalty. Cinco anos atrás, Estefano imaginou uma tecnologia que pudesse ajudar os juízes e bandeirinhas do futebol a marcar uma bola dentro ou fora do gol. A ideia era desenvolver uma bola com chip, mas a possibilidade de aplicá-la no futebol logo caiu por terra quando percebeu-se que o esporte apresenta poucos lances duvidosos em que a "opinião" da pelota seria decisiva. Estefano guardou para si a ideia até encontrar o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ari Graça. Começou ali o desenvolvimento do sistema d-Tech para o vôlei. O engenheiro Fabio Vitaliano, que na década de 80 havia inventado o tira-teima do futebol, sistema usado pela Rede Globo para indicar se houve ou não jogada impedida, foi contratado para a tarefa. Ex-diretor da Itautec e dono da 3RCorp, Vitaliano foi atrás de uma solução de mercado que pudesse ser adaptada e usada no vôlei.
Dois anos depois, em 2006, foi aprensentada a primeira versão do sistema: uma bola com chip que usava sinais de radio frequência para informar ao computador onde tinha caído. A ideia era ótima, mas tinha uma falha: era imprecisa. O sinal enviado apresentava 33% de erro, e a precisão variava 9cm para cada lado da linha. Penalty e 3RCorp voltaram para a prancheta e para as pesquisas de tecnologias em software e hardware. Foram ajudados pela evolução da tecnologia de hardware, principalmente no processo de fabricação de chips. Os chips ficaram menores, mais leves e mais baratos, e sso permitiu que a Penalty colocasse o chip dentro da bola sem alterar seu peso e sem o risco de que ele quebrasse com o impacto da bola no chão.
Apesar disso, faltava ainda resolver a questão da imprecisão. Vitaliano decidiu integrar um sistema de câmeras ao que já havia sido feito. Assim, o lance teria a confirmação visual, acabando com a imprecisão. Foram necessários mais três anos de testes com vários chips e o desenvolvimento de um software que integrasse câmeras, sistema de radiofrequência e bola até chegar ao resultado satisfatório. Em 18 de abril de 2009, após cinco anos de desenvolvimento e US$ 2 milhões em investimentos com a tecnologia, montagem de quadra e testes, o Penalty d-Tech foi apresentado à imprensa já com a possibilidade de estrear oficialmente na Superliga de 2009/2010.