Num rally de vôlei, é emociontante ver o jogador se esforçar ao máximo para não deixar a bola cair no chão. Há jogadores que, na tentativa de salvar o ponto, passam por cima até do banco de reservas ou das placas de publicidade. Uma das preocupações da Penalty agora é garantir que o sistema d-Tech não provoque acidentes, já que as câmeras são conectadas por cabo e ficam a uma distância não muito grande da quadra. "Queremos tornar o sistema o mais simples possível para colocá-lo em mais jogos", diz Roberto Estefano,da Penalty. "E simplificar significa torná-lo sem fio, o que resultaria em custos de instalação menores".
Estefano tem motivos para querer simplificar a instalação do sistema. Hoje, montar toda a parafernália do d-Tech para uma única partida custa em torno de R$ 100 mil. A CBV apoia o projeto, mas não fala em arcar com esses custos. "A ideia é utiizar a nova tecnologia nos jogos decisivos da Superliga, mas será a Penalty que definirá quando e como utilizar a tecnologia", diz Ari Graça, presidente da CBV. Segundo a Penalty, é possível que, em um primeiro momento, o sistema monitore apenas os jogos da quadra principal que forem televisionados. Além do barateamento dos custos, a retirada dos cabos evitaria que o sistema falhasse durante uma partida caso alguém, acidentalmente, tropeçasse nos fios interrompendo a comunicação das câmeras com os computadores. Apesar de blindados, os cabos são sensíveis.
![]() FIV/ Divulgação O que aconteceria com o sistema se além da bola, o uniforme dos jogadores e a torcida vestissem amarelo? |
Outro problema a ser resolvido está relacionado com a cor da bola. No dia da apresentação do sistema à imprensa, os juízes tiveram que trocar de uniforme porque o amarelo que vestiam poderia confundir o sistema de detecção da bola. Hoje, o software de visão computacional do sistema d-Tech rastreia a bola pela cor (definida como amarela) e pela área, ignorando, teoricamente, qualquer objeto maior ou menor que a bola, ainda que na mesma tonalidade. Mas o que aconteceria, por exemplo, se o sistema fosse utilizado em um jogo da seleção brasileira, cujo uniforme principal é amarelo, na mesma tonalidade da bola? Ou em um Circuito promovido pelo Banco do Brasil, em que a escada do primeiro árbitro é amarela e praticamente toda a torcida veste amarelo? E as placas de publicidade colocadas fora do tapete da quadra também não poderiam confundir o sistema? Fabio Vitaliano diz poderia haver confusão com os uniformes dos jogadores, que estão mais próximos da bola. Tendo em vista essa possibilidade, a empresa já começa a "ensinar" o software a reconhecer bolas de outras tonalidades de amarelo, outras cores e até de múltiplas cores. "Em vez de trabalhar com a cor, vamos começar a trabalhar com o formato da bola", diz ele.
Aplicações futuras
Apesar dos problemas e das melhorias que ainda precisam ser feitas, o sistema é um avanço para o vôlei, já que ele poderá ajudar a modalidade a ter dados estatísticos precisos.
Que velocidade a bola atinge em um saque? E em uma cortada? Quantas vezes ela caiu no chão em uma partida? Qual a altura máxima atingida? Quantas bolas caíram dentro, fora e na linha nos jogos da Superliga? Quantos campeonatos foram decididos com lances duvidosos? Quantas vezes a bola atingiu a rede? A que altura o jogador cortou a bola? Essas e outras perguntas que hoje são praticamente impossíveis de ser respondidas (não existe esse tipo de aferição nos jogos de quadra e praia) podem passar a ser um dado corriqueiro nos jogos monitorados pelo d-Tech. A bola com chip pode registrar esses dados, enviando-os ao sistema em tempo real. Hoje, dados de velocidade da bola, por exemplo, são apenas estimativas.
Além dos dados estatísticos, o sistema d-Tech poderá ser usado como software técnico, informando ao auxiliar técnico, em tempo real, dados como o posicionamento dos jogadores em quadra durante o ataque e a defesa, de modo que ele possa monitorar com maior precisão o desempenho da equipe durante uma partida.
Pensado inicialmente para o futebol, o sistema d-Tech parece estar destinado ao vôlei. Pelo menos por hora. Segundo Roberto Estefano, a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association) não quer usar a bola inteligente no esporte, porque poucos lances duvidosos nos jogos (e o maios polêmico e o impedimento) dependem da pelota.
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