A história do boxe

Existem registros históricos de lutas de boxe que retrocedem a Era Helênica (323-146 A.C.). Essas lutas de punhos nus foram incluídas nos primeiros Jogos Olímpicos. Posteriormente, a luta de punhos evoluiu para um esporte gladiador sangrento e brutal com os romanos, incluindo bandagens para as mãos cravadas com estacas de metal. As lutas geralmente prosseguiam até a morte.

Marquês de Queensberry
Domínio público
John Sholto Douglas, 9º Marquês de Queensberry, em 1896
As lutas com punhos nus organizadas virtualmente desapareceram até o seu renascimento na Inglaterra do século XVIII. Por várias décadas, houve poucas regras e as lutas lembravam muito mais as competições de lutas do tipo vale-tudo com as quais os fãs de luta moderna estão familiarizados. James Figg foi a primeira lenda do ringue (que era inicialmente uma plataforma simples de madeira rodeada por uma cerca de madeira), seguido por Jack Broughton, considerado o pai das regras do boxe. Broughton inventou as luvas para serem usadas no treinamento e estabeleceu algumas outras regras rudimentares, como também introduziu técnicas para as lutas. Porém, apenas em 1866, um fã do boxe britânico chamado Marquês de Queensberry patrocinou uma luta de acordo com um conjunto de regras que incluía uma contagem de dez segundos para nocautes, assaltos de três minutos, o uso de luvas almofadadas e a proibição de movimentos em estilo de luta livre. As regras foram gradualmente adotadas no mundo todo.

bare fisted fighter
Domínio público
O boxeador com mãos nuas John Lawrence Sullivan
A popularidade do boxe aumentou e diminuiu durante toda a sua história. Ele sempre foi forte na Inglaterra, onde o esporte moderno foi fundado, e nos Estados Unidos, onde sua popularidade atingiu o auge na década de 1930. A última metade do século XX viu a tentativa de formação de uma organização de boxe mundial. Porém, tantos grupos concorrentes surgiram que nenhum deles jamais teve a primazia. Até mesmo em 2007 ainda há uma confusão de organizações de boxe concorrentes. Também no século XX, o centro do boxe nos Estados Unidos transferiu-se de seu lar tradicional na cidade de Nova York, onde várias lutas aconteciam semanalmente no Madison Square Garden, para Las Vegas, onde as apostas legais de jogos introduziram um negócio lucrativo. Essa infusão de dinheiro levou à era de bolsas de apostas multimilionárias e TV pay-per-view.

Ferimentos e mortes
O boxe é um dos poucos esportes nos quais o sucesso de um competidor é determinado amplamente pela quantidade de dano que ele infringe ao seu oponente. Quando um boxeador é nocauteado, muito freqüentemente ele não perde o equilíbrio simplesmente. Provavelmente ele foi atingido na cabeça de maneira tão forte e por tantas vezes durante a luta que ele está, no mínimo, atordoado e desorientado, e possivelmente perdeu completamente a consciência. Mesmo um incidente desse pode causar danos permanentes, mas boxeadores profissionais podem lutar dezenas de vezes em suas carreiras. De fato, o boxe é considerado tão perigoso que várias organizações médicas no mundo todo pedem para que ele seja banido. A Associação Médica Britânica (site em inglês), a Associação Médica Americana (sitem em inglês) e a Associação Médica Australiana (site em inglês) têm políticas vigentes que pedem o banimento completo do esporte.

Existem duas preocupações principais com os ferimentos do boxe: ferimento grave, que pode levar à morte, e danos cerebrais. Existem inúmeros casos nos quais um boxeador morreu no ringue ou logo depois de uma luta como resultado de ferimentos adquiridos no ringue. Eles incluem Gerald Mclellan, Leavander Johnson, Jimmy Doyle, Duk-Koo Kim (o árbitro da luta e a mãe de Kim cometeram suicídio como conseqüência), Benny Paret, Randie Carver e a boxeadora Becky Zerlentes [fontes: BBC News (site em inglês), MAX Boxing (site em inglês)]. Desde dezembro de 2006, mais de 1.300 boxeadores morreram como resultado de ferimentos de lutas [fonte: Journal of Combative Sport (site em inglês)].

Mais difícil de quantificar são os lutadores cujas vidas foram alteradas quando seus cérebros se deterioram após sua aposentadoria. Existem evidências médicas suficientes para apoiar a teoria de que o boxe causa danos cerebrais em longo prazo [fonte: Science Daily (em inglês)].

O boxe também é perseguido pela corrupção. Desde as primeiras lutas com as mãos nuas na Inglaterra, existem acusações de que um lutador "entregou" ou intencionalmente perdeu uma luta, geralmente para satisfazer a quem apostou uma grande soma no outro lutador. A corrupção no boxe parece estar lado a lado com o jogo, e o jogo legal que permeia as lutas de alto nível em Vegas certamente não faz nada para limitar a percepção (se não, a presença real) da corrupção no esporte. Acrescente a isso a idéia de que os "managers" e promotores ganham enormes somas introduzindo crianças pobres das cidades em uma carreira extenuante e brutal e em uma complexa rede de suborno e recompensas para promotores e representantes oficiais dos jogos em muitas áreas, e não é de se estranhar que existam muitos críticos do esporte.

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