O físico

Quando os antigos mestres das artes marciais desenvolviam suas sofisticadas técnicas de luta, utilizam princípios de física básicos. Em qualquer combate entre duas pessoas, ambos os lutadores trazem uma certa quantidade de energia para a situação. A quantidade total de potencial de energia depende do tamanho do lutador, força muscular e saúde física. O objetivo do caratê é usar seu corpo como um canal de energia.


Kathy Olevsky, um instrutor na Karate International of Raleigh, canaliza seu poder para quebrar cinco blocos de concreto.
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Geralmente, uma pessoa grande e forte pode empregar mais energia do que uma pessoa pequena e fraca. Porém, isso não determina necessariamente a vitória. Se você já leu Como funciona o sistema de roldanas ou Como funcionam as máquinas hidráulicas, sabe que existem várias maneiras de a energia ser expressa. Dependendo de como você emprega energia, é possível variar a intensidade e a direção da força produzida.

O caratê nada mais é do que um sistema utlizado para variar as forças de uma luta em sua vantagem. Existem muitas maneiras de fazer isso.

Ai!
Uma prática comum dos caratecas há 100 anos era quebrar intencionalmente um ou ambos os dedos médios logo no início do treinamento. Isso aumentava o tamanho da articulação do dedo, tornando o soco uma arma mais efetiva.
Antes de mais nada, você concentra toda a sua força em uma área relativamente pequena. Se abrir totalmente suas mãos e empurrar alguém, a força de seu ataque se dispersa através da palma e dos dedos. Isso dissipa excessivamente a força de seu ataque em uma área bastante ampla e seu oponente sentirá uma força relativamente fraca. Mas se você mantiver todos os seus dedos juntos com força e bater na pessoa somente com a face da sua mão, ou somente com a ponta dos dedos, esta mesma quantidade de força será empregada em uma área muito menor. Nessa área, o impacto será muito mais intenso. Se você tentar isto em si mesmo (delicadamente, por favor), poderá avaliar a diferença. O ataque concentrado é muito mais doloroso.


Um elemento crucial do caratê é o direcionamento da energia do soco ou chute para um ponto relativamente pequeno de contato

No caratê, existem várias formas de dar socos e chutes, mas a maior parte delas apóia-se nesta mesma idéia básica. O ponto de impacto é reduzido para uma área muito pequena, geralmente ossuda de sua mão ou pé, e a força de seu ataque é direcionada para este ponto. Os caratecas fortalecem suas mãos e pés de modo que eles possam desferir estes socos e chutes sem se ferirem seriamente. É crucial praticar a técnica o mais perfeitamente possível; se o carateca golpear continuamente de forma incorreta, ele ou ela pode eventualmente desenvolver artrites graves.

Os caratecas maximizam a força do impacto colocando seu corpo inteiro no soco ou chute. Se você assistir os caratecas lutando, verá que eles freqüentemente centralizam seu torso e transferem seu peso de uma perna para a outra quando desferem um soco. Desse modo, a energia de seu corpo em movimento vai para cada golpe junto com a energia dos músculos do braço. Os caratecas praticam também o golpe com grande velocidade, aumentando a força de cada um deles .

Um dos mais importantes elementos no caratê é o prosseguimento da trajetória de socos e chutes. Quando você bate em alguma coisa, digamos que um pedaço de tábua, o instinto natural é de diminuir seu impulso justamente antes do impacto; você hesita pois não quer machucar sua mão. Os caratecas desprogramam este instinto de hesitação; eles visualizam o prosseguimento do punho até algum ponto mais além do alvo (o outro lado da tábua, por exemplo). Para maximizar a força de cada movimento, é essencial que o carateca prossiga a trajetória. Antes de cada ataque, os caratecas respiram profundamente. Assim que eles realizam o soco ou chute, soltam o fôlego. Isto os ajuda a focalizar cada movimento.

Esta é a idéia básica que existe por trás das manobras ofensivas do caratê. Mas como os caratecas lidam com ataques de seu oponente? Na seção a seguir, veremos como funciona a defesa no caratê.