Transmissão, combustível e ajuste

Diferentemente do motor, a transmissão de um Champ Car é bem familiar à equipe. A equipe  pode modificar a relação de marchas dependendo da pista.

A transmissão da equipe Motorola é fornecida pela Reynard, juntamente com os chassis, e é montada pela Xtrac (em inglês), uma empresa de transmissões muito respeitada no ramo da corrida automobilística.

O carro da Champ Car utiliza uma transmissão seqüencial de seis velocidades, que é mais parecida com as transmissões de motos do que com as de carros tradicionais. A mudança é feita pelo piloto, que utiliza uma pequena alavanca à direita do volante:


Outra característica do motor e da transmissão do carro da Champ Car é a chamada Shift Without Lift (Câmbio Sem Elevação) ou SWOL. A unidade de controle do motor permite à transmissão que troque de marcha sem que o piloto solte o acelerador. O piloto pode, portanto, aumentar a marcha sem utilizar a embreagem ou liberar combustível, o que maximiza a aceleração. A característica do SWOL também aparece na redução de marcha. No entanto, o piloto deve combinar as rotações do motor com a escolha da marcha durante este procedimento.

Os motores dos carros da Champ queimam combustível metanol. O metanol é derivado do álcool e possui várias vantagens em relação à gasolina:

  • Pode funcionar com taxas mais altas de compressão, o que significa que mais potência pode ser obtida do motor em cada ciclo do pistão.
  • Oferece um resfriamento bem significativo quando evapora dentro do cilindro, o que ajuda a manter o motor de alta compressão e alta rotação a salvo de um superaquecimento.
  • Diferentemente da gasolina, o metanol pode ser apagado com água em caso de incêndio. Isso é uma boa característica de segurança.
  • A temperatura de ignição do metanol (temperatura na qual ele começa a queimar) é mais alta do que a da gasolina, logo, o risco de incêndio é bem menor.

O único problema relevante com o metanol é que ele incendeia com chamas invisíveis - não é possível ver o fogo. Desta forma, as pessoas não sabem que estão próximas a um incêndio de metanol até sentirem o calor. Inclusive o piloto que, em uma batida, pode ter metanol derramado em seu macacão. Em um caso como este, quando o fogo for detectado pelo piloto, este irá se mover de forma com que as pessoas saibam que há um problema.


Célula de entrada de combustível de um carro da Champ Car
O carro armazena 35 galões (142 litros) de combustível na célula de combustível localizada atrás do piloto. Esta célula feita de Kevlar (fibra sintética) flexível e material polímero -mais se parece com uma bolsa do que com um tanque. Dentro, há uma substância parecida com uma esponja que dá formato à bolsa. Ela é projetada para resistir a uma batida sem se romper; ao invés de romper, ela é flexível e muda de formato. A idéia da esponja é reter o combustível de forma que, em uma batida grave, ele não derrame por cima do piloto, outros carros ou mesmo sobre a pista.

O motor queima metanol a uma taxa de aproximadamente 3,2 km por galão (3,2 km por 3,78 litros), o que significa que o carro deve fazer um pit stop para reabastecer a cada 112 km aproximadamente. Durante a parada no box, o combustível é jorrado para dentro da célula através de um amplo bocal colocado atrás do piloto. São 132 litros (35 galões) de combustível que podem fluir para dentro da célula em apenas alguns segundos.

As regras da CART permitem que cada equipe utilize uma taxa de combustível de até 2,8 km por galão (2,8 km por 3,78 litros). Isso é tudo que a equipe possui, assim, cada uma deve gerenciar seu consumo de combustível para funcionar dentro desta limitação.

Depois que as equipes recebem os chassis da Reynard e os motores da Mercedes, montam os carros. A equipe e o piloto começam o processo de regulagem do carro, que dura toda a temporada. Além disso, a equipe possui um controle bem detalhista dos diferentes aspectos do ajuste do carro, incluindo:

  • alinhamento e balanceamento dos pneus, cambagem e cáster
  • pressão de ar nos pneus
  • altura do carro fora da pista e altura de cada uma das rodas
  • rigidez da suspensão
  • ajuste das asas aerodinâmicas, assim como toda a pressão do carro
  • posição do piloto
  • relação de marchas na transmissão
  • polarização do freio (relação da força de frenagem entre as partes dianteira e traseiras)
  • distribuição do peso sobre os quatro pneus (balanceamento)
  • configurações da barra contra derrapagem
  • configurações diversas do motor
  • distância entre eixos (trocando os wishbones, a equipe pode deixar esta distância maior ou menor)
O objetivo de ajustar todas as variáveis é criar uma perfeita configuração. Obviamente, isso não é fácil já que todas as variáveis têm ligações simultâneas umas com as outras. Manter o carro regulado e em perfeitas condições são duas das mais importantes tarefas da equipe durante a temporada.

Um componente importante do processo de regulagem é o sistema de telemetria do carro, que captura informações relevantes. A partir destas informações a equipe pode fazer ajustes, buscando melhorar o desempenho do carro.