Dirigindo um Champ Car

Na corrida Champ Car, o carro e o piloto são um só. Ambos devem ter uma boa performance para vencer.

O piloto da Motorola PacWest Team é Mark Blundell.


O piloto Mark Blundell, da Motorola

Blundell tem uma longa carreira de vitórias. Nasceu na Inglaterra, em 1966. Iniciou no motocross aos 14 anos. Esteve entre os 36 melhores pilotos nacionais, vencendo muitos campeonatos regionais e acumulando 196 troféus. Em 1984, venceu a British Formula Ford 1600 Junior Championship (Campeonato Juvenil de Fórmula Ford Britânica). Durante a temporada teve 25 vitórias, 24 pole positions e 21 recordes de volta mais rápida.

Em 1985, Mark deu inicio à sua carreira de piloto profissional. No ano de 1991, Blundell pilotava carros da Fórmula 1 na Europa e participou de 14 Grand Prix. Em 1992, venceu as 24 horas de Le Mans com a Equipe Peugeot-Sports.

Na temporada de 1996, Mark estréia na U. S. Champ Car. Ficou em terceiro lugar na contagem de pontos de “Estreante do Ano” e, desde então, é o piloto da Motorola.


Mark Blundell no Motorola Champ Car


Mark Blundell falando com a equipe antes da corrida

A interface do piloto com o carro é o cockpit. O interior do cockpit é adaptado às necessidades do piloto.

A primeira coisa que se observa ao entrar em um carro da Champ Car é o ajuste apertado. É como se você estivesse "vestindo" o carro. O cockpit se molda em volta do corpo do piloto e o prende. O ajuste é tão apertado que é necessário remover o volante para entrar e sair do carro. O acento reclinável no qual o piloto fica é feito especialmente para o seu corpo e é bem deitado. O piloto fica preso por um largo cinto de 5 pontas:


Pode-se ver o quão apertado é o cinto nesta foto. Há um encaixe visível à esquerda do piloto com ajuste especial para apoio do cotovelo.


Na frente do piloto há um volante equipado com nove botões e um painel mostrador


O volante no cockpit

Como mostra a figura, os botões dão ao piloto acesso às seguintes características:

  • levantador de peso: o piloto utiliza este dispositivo para levantar os amortecedores em uma das rodas, o que libera mais peso sobre esta roda, mudando o balanceamento do carro. Isso auxilia a compensar a mudança de peso do combustível.
  • ultrapassagem: este dispositivo dá ao motor uma potência extra para a ultrapassagem e é chamado pelas equipes de "o botão"
  • sistema push-to-talk no rádio
  • reiniciar o combustível
  • mistura de combustível
  • rolagem do LCD
  • limitador de velocidade na área dos boxes
  • bebida do piloto
  • regulador do turbo
Os LEDs no volante indicam:
  • rpm do motor
  • aviso da válvula pop-off
  • ponto morto
  • limitador de velocidade ativo
O mostrador LCD complementa os mostradores LCDs do painel. Estes mostradores dão ao piloto informações procedentes do motor e dos sensores do carro. Os carros da Champ Car possuem sensores em todos os lugares, logo, há muitas informações disponíveis para o piloto.


A troca de marcha fica à direita do piloto. O carro tem uma transmissão seqüencial de seis velocidades. Assim, ao invés do padrão H de uma transmissão manual comum, a alavanca do câmbio movimenta-se em uma linha reta.


À esquerda do piloto fica um par de alavancas: elas ajustam a suspensão frontal e a traseira, reforçam e suavizam o chassi e são utilizadas pelo piloto quando a carga de combustível muda


À esquerda do painel têm vários outros botões e manetes. Com eles o piloto pode, por exemplo, ativar o extintor de incêndio (alavanca grande e vermelha) e mudar a inclinação do freio (o balanceamento de frenagem entre a parte da frente e a parte traseira, que deve mudar à medida que muda a carga de combustível).

Nos pés do piloto estão os pedais do acelerador, freio e embreagem, organizados como em um carro comum.

Dirigir um carro da Champ Car não é como dirigir um carro comum. Eis algumas diferenças que podem ser observadas:

  • A direção em um carro da Champ Car é extremamente firme e precisa. Em um carro comum o volante tem que ser girado duas ou três vezes para que a roda vire de um extremo ao outro (isto normalmente é chamado de "lock to lock"). Em um carro da Champ Car, a abrangência total que o piloto utiliza na pista é de cerca de 180 graus apenas. A mudança mais sutil no volante tem um efeito muito acentuado no direcionamento do carro.

  • A aceleração é inacreditável. Quando o acelerador é pressionado parece um foguete decolando, não um carro. Como mencionado na seção sobre motores, o carro pode acelerar até 160 km/h (100 mph) em apenas cinco segundos.

  • A frenagem também é inacreditável. A 160 km/h (100 mph) o carro pode parar completamente em um espaço de apenas 167,64 m (55 pés), 1/3 da distância que um carro normal precisaria.

  • A mudança de marchas é diferente da de um carro comum, já que a alavanca do câmbio é linear e não no padrão H.

  • A força G durante a aceleração e durante as curvas é muito significativa. Um piloto correndo a 370 km/h (230 mph) em uma pista oval irá sofrer cerca de 5G nas curvas.

  • Devido à velocidade do carro e a distância entre os carros, a quantidade de informações visuais que o piloto deve processar é enorme. Tudo parece acontecer instantaneamente.
Durante a corrida, o piloto está constantemente pensando no que vai surgir. Seu cérebro tem múltiplas tarefas: parte dele está lidando com o momento presente na pista, mantendo distância, ajustando a velocidade e fazendo curvas, e a outra parte focaliza-se no que vai acontecer na próxima seção da pista. O piloto planeja exatamente o que irá fazer e executa o procedimento quando chega à respectiva seção. Neste ponto, ele já está pensando na próxima seção da pista e assim por diante. Em todos estes planejamentos, o piloto analisa tanto o carro que está tentando alcançar quanto os que estão tentando alcançá-lo e está sempre buscando ultrapassar o carro da frente e defender-se dos que querem ultrapassá-lo.

Equipamento e Treinamento
Durante a corrida os pilotos usam:

  • roupas de baixo Nomex (em inglês) 
  • macacão Nomex driving suit para proteção contra fogo
  • máscara facial resistente ao fogo (balaclava)
  • luvas
  • capacete


O capacete é uma das partes mais importantes porque se torna parte externa do carro. No cockpit aberto do carro Champ Car, o capacete do piloto fica para fora a 370 km/h (230 mph) em um vácuo de ar que passa de forma violentamente rápida. Na foto, pode-se ver a variedade de aberturas e entalhes que existem para auxiliar a refrescar o piloto e preveni-lo contra turbulência. À medida em que o ar passa pelo capacete, ele precisa ter uma margem de fluxo estável, pois qualquer turbulência faz com que a cabeça do piloto balance, afetando tanto a visão quanto a resistência.

Competir na Champ Car é um esporte que exige muita precisão, reflexos incrivelmente rápidos e resistência do piloto. A taxa de freqüência cardiovascular alcança, em média, 160 batimentos por minutos durante a corrida inteira. Durante uma curva a 5G, um dos braços do piloto, que normalmente pesa 10 kg, chega a pesar o equivalente a 50 kg.

Uma das coisas que a Força G exige é um treinamento constante na sala de musculução. Os pilotos trabalham, sobretudo, a musculatura do pescoço, ombros, braços e torso, de forma que tenha a força necessária contra os “Gs”. Os pilotos também trabalham bastante a resistência, já que precisam suportar uma corrida de cerca de três horas sem descanso.

Um fato conhecido a respeito dos pilotos de Champ Car é que eles possuem reflexos extremamente rápidos e resposta a estímulos do padrão normal. Eles também têm um ótimo nível de concentração e uma grande amplitude de atenção.