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Karim Nice - traduzido por HowStuffWorks Brasil
O motor
O motor de um carro de corrida da NASCAR é provavelmente o seu componente mais importante. Ele precisa desenvolver grande potência, durante horas a fio, sem quebras.
Você pode pensar que esses motores da NASCAR não têm nada em comum com o motor de seu carro. Pois ficamos surpresos ao saber que esses motores compartilham muitas características com motores dos carros de rua.
A Dodge fornece o bloco de motor e os cabeçotes de cilindro para os motores usados pela Bill Davis Racing. Eles se baseiam em um projeto de motor V8 de 5,57 litros produzido nos anos 60.
 Um motor Dodge da NASCAR durante a montagem na oficina de motores da Bill Davis Racing |
Mas esses blocos e cabeçotes não são produzidos a partir das ferramentas originais. São especiais, feitos sob encomenda, mas têm alguns pontos em comum com os motores originais. Eles têm as mesmas distâncias entre centros e o mesmo número de cilindros e começam com o mesmo tamanho (ficando ligeiramente maiores durante o processo de construção). Como os motores originais dos anos 60, as válvulas são acionadas por hastes de comando.
Os motores dos atuais carros da NASCAR produzem mais de 750 cavalos de força e fazem isso sem turbocompressores, compressores ou qualquer componente mais exótico. Como, então, toda esta potência é obtida? Veja abaixo alguns dos fatores.
- O motor é grande: 5,87 litros. Não existem muitos carros de rua com motores dessa cilindrada e aqueles que os têm normalmente geram acima de 300 cv.
- Os motores da NASCAR abrem as válvulas de admissão muito antes e as mantêm abertas por mais tempo que nos motores de carros comuns. Isto permite maior enchimento dos cilindros, especialmente em altas velocidades (veja Como funcionam os comandos de válvulas para mais detalhes).
- A admissão e o escapamento são calibrados e testados para darem alguma superalimentação em certas velocidades. Escapamentos também são projetados para terem restrição bem baixa, isto é, para oferecerem pouca resistência aos gases que fluem pelo escapamento. Também não existem silenciadores nem catalisadores para diminuir o nível de ruído de escapamento.
- Eles têm carburadores que permitem a entrada de imensos volumes de ar e combustível. Não há injeção de combustível nesses motores.
- Eles têm sistemas de ignição programáveis de alta intensidade, que permitem que o avanço seja personalizado para fornecer a maior potência possível.
- Todos os subsistemas, como bombas d'água, bombas de óleo, de direção e alternadores são projetados para operar em velocidades altas constantes e em altas temperaturas.
Quando esses motores são usinados e montados, as tolerâncias são muito pequenas (as peças são feitas com extrema exatidão), de modo que tudo se ajuste com perfeição. Quando um motor (ou qualquer outra peça) é projetado, as dimensões pretendidas para ele são fornecidas juntamente com a margem de erro tolerada para essas dimensões. Essa pequena tolerância ajuda o motor a atingir seu potencial máximo e também ajuda a reduzir o desgaste. Se as peças forem pequenas ou grandes demais pode-se perder potência devido ao atrito adicional ou ao vazamento de pressão através de folga maiores que o necessário.
Diversos testes e inspeções são realizados no motor após sua montagem.
- Ele funciona no dinamômetro (que mede sua potência de saída) por 30 minutos, para amaciá-lo. Depois, o motor é inspecionado e é feito o exame dos filtros para saber se há rebarbas excessivas de metal e garantir que não ocorreu um desgaste anormal.
- Se o motor passa no teste, ele volta para o dinamômetro por mais 2 horas. Durante este teste, a equipe estabelece o avanço de ignição para a maximização da potência e opera o motor em várias rotações e faixas de potência.
- Após este teste é feita a inspeção completa do motor. O trem de válvulas é desmontado e o comando de válvula e tuchos são analisados. O interior dos cilindros também é examinado para verificar se há desgaste anormal. Os cilindros são pressurizados e o percentual de vazamento é medido para conferir o grau de retenção da pressão pelos pistões e vedações. Todas as tubulações e mangueiras são inspecionados.
Só depois da conclusão desses testes e inspeções é que o motor está pronto para participar de uma corrida. Garantir a confiabilidade do motor é extremamente importante, pois qualquer quebra durante uma corrida elimina a mínima chance de vencer.