Mitos e problemas
Carlos Emmons:
"Os torcedores vêem muita coisa na TV e ficam imaginando que tudo é festa e que a gente só aproveita para ficar relaxando. O futebol americano em nível profissional é muito mais empresarial. Eu acho que jogar era mais divertido quando se era garoto, agora parece mais um trabalho. Dá para ganhar muito dinheiro neste nosso esporte, e eu acho que para os donos e treinadores do time o negócio é só dinheiro também. O negócio deles é colocar em campo o melhor produto que tiverem. É assim que eles encaram a gente: como um produto. Você precisa entender que esse é o seu trabalho, é um negócio, e que se não está rendendo no nível esperado, vai ser demitido como qualquer outra pessoa".
 Foto cedida pelo Buffalo Bills Takeo Spikes, linebacker do Buffalo Bills
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Jonas Jennings:
"A questão é que alguém precisa perder e, em geral, isso leva à parte empresarial do esporte, dependendo de quantas você ganha e quantas você perde. Além disso, todo mundo tem contratos individuais. Você precisa ser capaz de aparecer todo dia, jogar para valer e tentar manter aquilo que tinha quando começou. O sujeito jamais quer se envolver com o lado empresarial do esporte. A gente só quer jogar futebol e deixar a parte empresarial tomar conta de si mesma".
Willie Anderson:
"Os torcedores nem sempre percebem que é mais do que só jogar a partida no domingo. Se a gente tivesse apenas que jogar no domingo, você jamais iria ver os caras se queixando e reclamando. São as quartas e quintas que fazem o sujeito agir dessa forma. Perder é muito difícil porque você sabe o quanto deu duro durante cinco dias. Só que o sujeito entra em campo e perde o jogo, aí é nessa hora que os temperamentos se incendeiam e você tem aquelas explosões de raiva na mídia". "A gente dá duro no que faz. Não é trabalhar de 9h às 17h numa construção. Eu tenho grande respeito por aquelas pessoas que trabalham com serviços pesados. Eu nunca vou comparar o futebol com isso porque jogar é divertido. Mas é um negócio e os donos da NFL esperam que a gente dê muito duro para ganhar um dinheirão para eles. O seu contrato com a NFL diz que você é pago para treinar, não jogar aos domingos - essa é a parte divertida".
Fred Beasley:
"Quando eu converso com minha mãe ela diz: 'Por que vocês ficam só repetindo essa jogada? Por que você não jogou a bola para ele? Por que você não fez isso?' É isso que quem não conhece o futebol americano não entende: a parte da estratégia. Seria difícil explicar para essas pessoas por que nós não fizemos certas coisas. Os outros times vão estar de olho nessas coisas - eles se preparam para você e para todas as suas jogadas depois de assisti-las no vídeo. Portanto, você não pode repetir as jogadas que usou quando derrotou um time na semana passada. Você não pode voltar e fazer a mesma coisa porque o outro time sabe que você vai tentar. Você tem de mudar um pouco a estratégia".
Takeo Spikes:
"A maior parte das coisas que os torcedores compreendem mal vem dos comentaristas. Os comentaristas não sabem de tudo. Portanto, se um comentarista diz alguma coisa,o torcedor simplesmente vai continuar falando aquilo sem realmente se preocupar em dar uma justificativa. Como jogadores, nós às vezes fingimos que as coisas são mais difíceis do que são na realidade, mas isso já não é mais estratégia".
Jonas Jennings:
"Eu acho que os comentaristas tentam fazer o melhor que podem, especialmente quando estão analisando jogada a jogada, mas no geral eles não entendem os círculos de proteção ou outras jogadas que nós tentamos fazer".
Fred Beasley:
"Em todos esses outros esportes profissionais, tipo beisebol e basquete, a gente vê que os caras ganham todo aquele dinheiro e não chegam nem perto do que a gente faz [fisicamente]. Às vezes, eu gostaria de jogar beisebol só por causa do dinheiro. Só que eu não gostava muito de beisebol. O dinheiro que a gente ganha não chega perto do que os jogadores de beisebol ou basquete ganham. O que a gente ganha é dinheiro miúdo para eles".
Jonas Jennings:
"Eu acho que existem muitas regras que tiram a graça do futebol americano. São regras sobre violência desnecessárias e regras sobre comemorações. Existem muitas regras que são exageradamente minuciosas por causa do lado comercial do jogo, por causa da TV e coisas desse tipo. Eu compreendo por que eles fazem isso, mas o fato é que elas tiram a graça do futebol americano tradicional, aquele de antigamente".