Cada passo do caminho
Carlos Emmons:
"Por ter nascido numa pequena cidade do Mississippi, eu não tive acesso a muitas coisas, como pesos e aparelhos de treinamento. Nós simplesmente não tínhamos muitos recursos como eu escuto que outros jogadores tinham quando começaram. Nós não tínhamos campeonato infantil de futebol. A gente simplesmente começou muito cedo. Em geral jogávamos sozinhos quando criança e não jogamos futebol organizado até talvez a 7ª ou 8ª série. Muitos dos caras com quem eu jogo agora começaram aos sete, oito anos jogando nos campeonatos infantis. Nós não tínhamos essas coisas quando éramos garotos".
Fred Beasley:
"Quando era garoto, eu não tinha muito interesse em futebol americano. Eu não tinha tempo para me interessar por futebol porque trabalhava o tempo todo quando meu pai estava vivo. Tudo o que eu fazia era trabalhar com ele. Portanto, eu não cheguei realmente a acompanhar muitos esportes. Eu meio que me envolvi com esportes depois que ele faleceu. Eu gostava de jogar com os amigos e simplesmente continuei fazendo aquilo".
Jonas Jennings:
"Foi no colégio que eu decidi que gostaria de jogar como profissional. Quando começa a receber cartas de várias universidades, você percebe que é muito bom e aí quer seguir para o próximo estágio. Você começa a dar duro nesse sentido".
Carlos Emmons:
"Era mais divertido no colégio. No colégio era só sair e aproveitar, interagir com os caras com quem a gente jogava - divertir-se em campo, sem muito estresse. Na universidade você começa a ver um pouco mais o lado comercial porque as faculdades estão tentando ganhar dinheiro, exatamente como os times profissionais. Nesse momento, você começa a perceber um pouco do que está por vir. Quando chega a ser profissional, você se dá conta de que agora é um trabalho. O jogo ainda é divertido e você aprecia a competição, mas tem muitas outras partes do jogo que não são legais. Muitos jogadores não gostam de vários aspectos comerciais do jogo, mas é algo com que a gente precisa lidar".
Jonas Jennings:
"Falar dos profissionais e da universidade é falar da diferença entre o profissionalismo e o amadorismo. No profissionalismo você realmente está sendo pago. Você tem trabalho a fazer, portanto eles esperam algumas coisas de você. Já no futebol amador existem muitas coisas que você consegue deixar passar. Além disso, na universidade você não terá metade dos problemas que teria como profissional".
Takeo Spikes:
"A principal diferença é a velocidade de jogo. A velocidade do jogo [na NFL] simplesmente está num outro nível completamente diferente, em razão do fato de cada jogador ser maior, mais rápido e mais forte".
Jonas Jennings:
"Não existem 'negras' na NFL. Na universidade o sujeito realmente consegue escapar umas duas, sabe você põe as mãos neste cara e derruba ele no chão - dependendo de há quanto tempo você vem fazendo isso e de quem você é. Mas no campeonato isso não importa. Não existem negras. Eles estão vindo a cada jogada e todo mundo é rápido".
Willie Anderson:
"Ninguém nunca queria jogar na posição da primeira linha de ataque. Todos os garotos riam de você. Jogar na linha era como ser motivo de piada porque a posição não tinha nenhuma glória. Quando eu fiquei um pouco mais velho, meu treinador do colegial veio a mim e disse: 'olha, vai chegar o dia em que a linha de ataque vai ser uma das posições mais bem pagas da NFL. Se você aprender como jogar nela agora, se dominar a posição agora, você vai ser capaz de se preparar para um longo período mais tarde na carreira, quando estiver mais velho.' Eu aceitei o conselho e toda minha vida tenho sido um jogador de linha, então eu entendo um bocado sobre jogar na linha de ataque. Eu adoro jogar lá, amo analisar as jogadas, a ponto de hoje, quando assisto o futebol da NFL, o que eu assisto são os caras da linha de ataque. A garotada precisa entender isto: é uma das posições que tem carreira mais longa na NFL e que paga melhor a longo prazo. Eu sempre encorajo a garotada a insistir nela. As pessoas que riem de você hoje, podem ser as que vão amar você depois".
Takeo Spikes:
"Eu comecei como defensive end (jogador na última posição da linha defensiva) no colégio, jogando como tight end (jogador da extremidade), porque eu sempre quis ser como Bruce Smith. Quando eu fui assinar a bolsa de estudos para jogar pela Auburn, os treinadores mandaram me chamar e disseram: 'você pode continuar a jogar como defensive end, só que há muitos caras na sua frente e eles são muito bons. Você pode se sair melhor como linebacker e nós achamos que você pode começar a jogar agora e não depois.' Eu disse: 'vamos lá, eu vou fazer uma tentativa.' Eu ainda lembro que eram 9h45 da noite quando eles conversaram comigo. Eu estava voltando para o dormitório e disse comigo mesmo: 'bom, vou tentar aproveitar o máximo que puder'".
Fred Beasley:
"Quando eu estava na universidade, eles ficavam me trocando de posição, de tailback para fullback. Eu queria ser tailback e perdia peso para jogar nessa posição, então eles vinham e diziam: 'este ano nós vamos te colocar como fullback.' Então eu aumentava de peso para jogar como fullback. Aquilo meio que me desgastou e eu fiquei um tanto cansado disso. Chegou um momento em que eles não estavam mais me colocando para jogar. Aí eu disse a eles que, se eles não iam me colocar no jogo, que então me deixassem ir para outro lugar onde eu pudesse jogar. A coisa chegou a um ponto em que eu quase saí de Auburn para jogar por uma universidade menor. É claro que você não pode sair de uma universidade da Divisão 1 e ir para outra universidade da mesma divisão - você tem que esperar até o ano acabar. Eu não queria esperar até o fim do ano, então eu tive que descer um nível. Eu continuei lá e as coisas terminaram bem".
Carlos Emmons:
"Como não tive muita badalação ao sair da universidade, muita gente nem me conhecia. No dia da seleção recebi muitos telefonemas de Pittsburgh: eles ficavam dizendo que iam me escolher, mas no fim só me escolheram na segunda rodada. Depois da seleção eles me disseram que sabiam que ninguém me conhecia e que eu iria continuar lá, esperando ser chamado". "Aquela foi uma situação um tanto decepcionante porque eu conheço os caras que foram chamados na minha frente - eu me mantinha informado sobre o futebol universitário e eu sabia que jogava muito melhor que muitos daqueles caras. Eu acho que isso é frustrante para qualquer atleta".
Takeo Spikes:
"Virar profissional depois da penúltima série do colégio foi a decisão certa para mim. Eu sempre quis ser jogador profissional de futebol americano e essa oportunidade não aparece assim tão facilmente, ou tão freqüentemente. Portanto eu achei que tinha feito tudo que podia enquanto jogador de futebol americano universitário - eu alcancei vários de meus objetivos. Eu achei que era como um sonho de criança que se tornava realidade, então decidi tirar proveito daquilo".
Fred Beasley:
"Eu não era candidato ao prêmio Heisman (mais importante premiação do futebol americano universitário) ou qualquer coisa quando saí da universidade. Eu era apenas um dos caras que deu tudo que tinha para estar no time e foi assim que eu fui selecionado. Eu não era um daqueles sujeitos badalados pela mídia. Muito do que fiz, eu fiz sozinho. Fui selecionado por causa de meu esforço e dedicação. Eles me chamavam de tweener porque não era grande o suficiente para ser fullback, nem rápido o bastante para jogar como tailback. Antes de ser escolhido eu simplesmente sabia, qualquer que fosse o time que me escolhesse, que eles não tinham noção do que estavam levando, porque eu sabia que podia jogar naquele nível. Como se sabe, os 49ers me deram a oportunidade".
Carlos Emmons:
"Eu não fui aquele garoto que cresceu dizendo que gostaria de ser jogador de bola profissional. Eu estava talvez no penúltimo ano no colégio quando realmente comecei a pensar que pudesse jogar profissionalmente. Até aquele momento eu nunca quis realmente ser jogador profissional porque não tive muitos exemplos de pessoas que tinham conseguido em quem me espelhar. Nós tínhamos uns três ou quatro caras bons que jogavam, mas não como atualmente - eu não tinha ninguém um ano antes de mim que chegou a profissional, como muitos têm hoje. Eu não tive ninguém que pudesse me fazer achar que eu tinha condições de conseguir".