História

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O Corinthians é, tradicionalmente, o time do operariado paulista e, por muito tempo, das classes sociais menos abastadas. Foi assim desde a sua fundação, em 1910, iniciativa de cinco operários, que, inspirados pelo Corinthian Casuals Football Club (clube inglês que estava em excursão no país à época), criaram o Sport Club Corinthians Paulista. O capital necessário para tal movimento veio do alfaiate Miguel Bataglia, considerado o “mecenas” da agremiação.

Nos primeiros anos de sua história, o Corinthians passou boa parte do seu tempo jogando na várzea. Isso porque o futebol na época era restrito à elite, com equipes como São Paulo Athletic, Paulistano, etc. Essas agremiações é que dominavam o Campeonato Paulista, principal competição de clubes do estado.

Corinthians


Nome:
Sport Club Corinthians Paulista

Apelido:
Timão

Data de Fundação:
1910

Localização: Rua São Jorge, 777, São Paulo-SP

Estádio: Parque São Jorge

Maior Artilheiro: Cláudio (306 gols)

Principais títulos

Campeonato Paulista: (26)
1914, 1916, 1922, 1923, 1924, 1928, 1929, 1930, 1937, 1938, 1939, 1941, 1951, 1952, 1954, 1977, 1979, 1982, 1983, 1988, 1995, 1997, 1999, 2001, 2003 e 2009.

Torneio Rio-São Paulo: (5)
1950, 1953, 1954, 1966 e 2002.

Campeonato Brasileiro: (5)
1990, 1998, 1999, 2005 e 2011.

Copa do Brasil: (3)
1995, 2002 e 2009

Mundial de Clubes da Fifa: (1)
2000.

Destaque na temporada 2009: Ronaldo

ACOMPANHE AQUI OS RESULTADOS DO CAMPEONATO PAULISTA

O Corinthians só viria a participar do torneio em 1913. E teve sucesso rápido. Logo no ano seguinte levantou seu primeiro troféu, o Campeonato Paulista de 1914. O grande herói da conquista foi Neco, que sagrou-se artilheiro da competição com 12 gols marcados. O segundo título viria no Estadual de 1916, mais uma vez de forma invicta.

Eram, no entanto, competições esvaziadas. Isso porque os grandes times disputavam a taça da Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos), enquanto o Corinthians estava na Liga Paulista de Futebol. O time alvinegro só juntou-se aos principais clubes em 1917, quando as duas entidades se uniram e criaram uma competição única.

Naquele ano, inclusive, nasceu a grande rivalidade entre Palmeiras e Corinthians. Invicto há dois anos no Campeonato Paulista, o clube que na época tinha sua sede no Bom Retiro enfrentou o então Palestra Itália no Estadual daquele ano, e foi derrotado (3 a 0 no Parque Antarctica) pela primeira vez depois de 25 jogos.

O Corinthians, aos poucos, consolidava-se como um dos principais clubes do estado, sempre disputando títulos e tendo Neco como seu grande craque. Em 1922, o Alvinegro conseguiria o primeiro dos seus grandes feitos. No ano do Centenário da Independência, o vencedor do Paulista carregaria o título pelo século seguinte. O Timão (que à época ainda não tinha esse apelido) venceu com shows de Neco e Gambarotta, que, na temporada seguinte, garantiriam ao clube o primeiro tri (em 1923 e 1924).

Além de conquistas nos gramados, a década de 20 ainda foi prodigiosa para a agremiação em termos físicos. O Corinthians construiu nada menos que dois estádios em um curto período de tempo. Em 1923 foi o Alfredo Schurig (popular Fazendinha), e cinco anos depois surgia o Parque São Jorge, no bairro do Tatuapé. No fim daquele período, o time ainda alcançaria o segundo tri (1928, 1929 e 1930), com o Esquadrão Mosqueteiro, como ficou conhecida a equipe.

Aquela geração vitoriosa seria encerrada por uma situação inusitada. A Lazio, da Itália, resolveu montar o Brasilazio, formado apenas por brasileiros. O Corinthians, então, perdeu nomes como Del Debbio, Filó, Rato e De Maria, grandes estrelas alvinegras. Era o começo de uma má fase, que culminou no insucesso de 1933, quando o clube terminou o Paulista em quarto e foi goleado por todos os rivais (6 a 1 para o São Paulo, 6 a 0 para o Santos e 5 a 1 e 8 a 0 para o Palestra Itália, esta última a maior de todos os tempos).

A recuperação veio com Teleco (artilheiro do estadual de 1935 a 1937, 1939 e 1941), que ajudou o Corinthians na conquista do tri em 1937, 1938 e 1939.

Na década de 40, com o recém-inaugurado Pacaembu como palco dos principais jogos, o Timão encontrava uma nova casa. Logo no ano seguinte, conquistaria o primeiro título da nova fase, com o trio Jango, Brandão e Dino. O restante daquele período, porém, não foi dos melhores. Isso porque o Corinthians passou exatos dez anos sem uma conquista estadual.

Com o ex-jogador Rato no comando técnico, o Alvinegro começou a se renovar apostando nas categorias de base, com Cabeção, Idário e Luizinho. Essa geração faria sucesso em 1950, ajudando a agremiação a vencer um bi Paulista (1951 e 1952), o Paulista do IV Centenário da cidade de São Paulo (1954) e uma Pequena Taça do Mundo da Venezuela (1953). Além dos grandes nomes revelados em casa, outros como Cláudio e Baltazar abrilhantaram ainda mais aquele momento.

Entre os grandes feitos está o tabu de sete anos sem derrotas para o Palmeiras, que foi de 1951 a 1958, o maior de todos os tempos entre os rivais. Outra marca, porém, começou a enegrecer este período da história do clube. A conquista do Campeonato Paulista de 1954 iniciou o maior jejum de títulos do Alvinegro.

Foram 22 anos de espera, que renderam aos corintianos a alcunha de “Fiel Torcida”. Foi também a época em que o Santos passou 11 anos sem perder para o Timão em estaduais, o maior tabu do confronto até hoje. Foi a época em que o clube da Vila Belmiro dominou o futebol mundial. Venceu a maioria dos Paulistas que foram disputados e não deu espaço ao Corinthians.


Imagem cedida pelo Sport Club Corinthians Paulista
Crédito: Marco/ Corinthians/Divulgação
Torcedores da "Fiel"

O Timão virou piada entre os rivais. O time de 1961, por exemplo, ficou conhecido como “Faz-me Rir” pela sua ineficiência. A inspiração veio de uma música homônima de Edith Veiga. Nem mesmo craques do nível de Roberto Rivellino mudaram essa história. O Reizinho do Parque, como ficou conhecido o habilidoso meia-esquerda, passou dez anos no Parque São Jorge, não levantou nenhuma taça e saiu achincalhado pela torcida após uma perda de título paulista para o Palmeiras, em 1974.

Antes disso, porém, o craque participaria do 2 a 0 sobre o Santos, que poria fim ao jejum de vitórias sobre os rivais. O triunfo veio em 1968, e não foi suficiente para levar a equipe alvinegra ao sonhado título paulista. Só que ele já não estava mais quando a torcida deu seu show. Em 1976, os corintianos dividiram as arquibancadas do Maracanã com a torcida do Fluminense na semifinal do Brasileiro, que garantiu o Timão na decisão contra o Inter. Os gaúchos, no entanto, acabaram com a festa e levaram o troféu.

A redenção viria no ano seguinte. Em 1977, a equipe de estrelas como Tobias, Zé Maria, Wladimir, Geraldão e Romeu venceu o Paulistão depois de 22 anos. Na final, contra a Ponte Preta, o ídolo Basílio garantiu o título após Vaguinho e Wladimir pararem na defesa campineira.

Era o começo de um novo tempo no Parque São Jorge. Logo no ano seguinte, o time mais politizado da história do futebol brasileiro começava a ser montado. Chegaram Sócrates, Biro-Biro e Amaral. Depois do fiasco em 1982, quando o time foi mal no Brasileiro e no Paulista, os jogadores se uniram e formaram a Democracia Corinthiana. Com apoio de torcedores intelectuais, os atletas se rebelaram contra o sistema e, em tempos de abertura política, quebraram o regime de concentração e adotaram postura diferenciada dentro e fora dos gramados.

O resultado foi o bicampeonato paulista de 1982 e 1983. Na equipe, além dos já citados Sócrates, Wladimir e Biro-Biro, Zenon, Leão e Casagrande também abrilhantavam o time. O sonho acabaria no ano seguinte, quando o camisa 10 Sócrates foi vendido para a Fiorentina, da Itália. Daí em diante, o Timão só voltou a ter alegrias quando, em 1988, com a força da base, venceu novamente o Estadual. Ronaldo era o goleiro e Viola, recém-promovido, foi o herói da conquista. Na final contra o Guarani, fez o gol que garantiu a taça de carrinho, já na prorrogação.

Era apenas o começo do que seriam os anos 1990, que se iniciaram com a conquista do inédito título brasileiro. Na decisão contra o São Paulo, Neto comandou a equipe que venceu as duas partidas por 1 a 0 (gols de Wilson Mano no primeiro confronto e Tupãzinho no segundo).

A taça seguinte viria dos pés de outra geração. Comandada por Marcelinho Carioca (que, posteriormente, sagraria-se o maior vencedor corintiano de todos os tempos), a equipe que venceu a Copa do Brasil e o Paulista de 1995 tinha também Henrique, Silvinho, Célio Silva, Zé Elias, Bernardo, Souza, Marques e Viola. O herói, no entanto, foi mesmo Marcelinho Carioca, que fez o gol do título nacional no Olímpico, contra o Grêmio. No Estadual, Elivélton garantiu o triunfo sobre o arqui-rival Palmeiras.

Começava, então, a fase de parcerias do Timão. A primeira foi em 1997, com o banco Excel, que trouxe craques como Antonio Carlos, André Luiz, Túlio e Donizete. A equipe chegou a conquistar o Paulista daquele ano, mas correu risco de rebaixamento no Brasileirão.

No ano seguinte, já com o apoio financeiro do fundo de investimentos americano Hicks Muse, o Corinthians, com Gamarra, Vampeta, Edílson e Vanderlei Luxemburgo, alcançou o bi paulista e o segundo Brasileiro de sua história, conquistado em final dramática contra o Cruzeiro de Dida, que, no ano seguinte, viria para o Parque São Jorge junto com o atacante Luizão e ajudaria no bi nacional.

O auge dessa fase apareceu em janeiro de 2000. Na primeira competição mundial de clubes oficializada pela Fifa (sediada no Brasil), o Corinthians venceu o Vasco nos pênaltis na final e ficou com a taça inédita. Meses depois, porém, passaria momentos difíceis, ao ser eliminado pela segunda vez seguida nos pênaltis pelo arqui-rival Palmeiras, dessa vez na semifinal da Copa Libertadores. Irritada com craques como Edílson e Marcelinho (que desperdiçou a última cobrança), a torcida invadiu o Parque São Jorge.

Só que o momento era positivo para o clube. Mesmo com as constantes crises, o Corinthians sempre estava entre os melhores. Em 2001, venceu o Paulista de maneira dramática (estava na zona do rebaixamento quando Vanderlei Luxemburgo chegou e comandou a reação). Em 2002, conquistou a Copa do Brasil e o Torneio Rio-São Paulo sob a batuta do técnico Carlos Alberto Parreira.

O Timão ainda teria um novo grande momento no século 21, em 2005. Apoiado pela força financeira do fundo de investimentos MSI, o Corinthians trouxe os argentinos Tévez e Mascherano e venceu o Brasileiro daquele ano de maneira conturbada, tendo sido beneficiado pela anulação de alguns jogos do torneio por causa de um escândalo de arbitragem envolvendo o juiz Edílson Pereira de Carvalho.

A fase dourada da parceira duraria pouco. No ano seguinte, o Timão naufragou na Libertadores e no Brasileiro. A gota d’água veio em 2007. Em dificuldades financeiras por causa da saída da MSI, o Corinthians não conseguiu um time de qualidade para a disputa do Brasileiro e escreveu o capítulo mais triste de sua história no estádio Olímpico, em Porto Alegre, quando empatou por 1 a 1 com o Grêmio e acabou rebaixado à segunda divisão do Nacional.

Em 2009 o Corinthians contratou Ronaldo e venceu o Campeonato Paulista sem ser derrotado nenhuma vez. 

Veja abaixo um vídeo com a trajetória do Corinthians.


Mascote

Existem duas versões sobre a adoção do mosqueteiro como mascote do Corinthians. A primeira é do começo do século 20. Na época, Americano, Germânia e Internacional disputavam uma competição entre si pela Liga de Futebol Paulista e eram conhecidos como os “três mosqueteiros”. Quando o Timão passou a competir virou mais um mosqueteiro. Além disso, existe a história de que um jornalista, após uma vitória suada do clube, disse que os jogadores tiveram fibra de mosqueteiro.


Mascote do Corinthians