Os primeiros grandes momentos da história do Cruzeiro foram no fim da década de 1920, ainda como Palestra Itália, anos depois de sua fundação. Entre 1928 e 1930, o time conseguiu o tricampeonato da cidade de Belo Horizonte (equivalente a um Mineiro).
Naquele momento, o grande craque do time era o atacante Niginho. Descendente de italianos, defendeu o clube em três passagens diferentes. Na primeira, entre 1929 e 1932, venceu o citado tri mineiro. Na segunda, em 1935 e 1936, nada pôde fazer diante da supremacia dos grandes de então.
Na terceira, porém, já em fim de carreira, levou, de 1939 a 1947, o já Cruzeiro a três estaduais. Ao todo, foram 207 gols marcados, que o credenciam como terceiro maior artilheiro da história da Raposa.
Com a saída de Niginho e a crescente má situação financeira do clube, a década de 50 foi um desastre, salvo os últimos anos, que presenciaram o surgimento de uma das principais equipes brasileiras de todos os tempos. O Cruzeiro foi tricampeão mineiro entre 1959 e 1961, com grande destaque para o zagueiro Procópio, considerado até hoje um dos melhores que já vestiram a camisa do clube.
Ele seria um dos poucos do time de sucesso estadual que ficariam para os títulos seguintes. Com o reforço de Dirceu Lopes, Tostão, Palhinha, Natal e Piazza, entre outros, o Cruzeiro cresceu de produção. Esses craques escreveriam uma das páginas mais importantes do clube.
Em 1966, na final da Taça Brasil, contra o poderoso Santos de Pelé, Tostão e companhia deram show com a camisa celeste, derrotando a equipe da Vila Belmiro por 6 a 2 no Mineirão e 3 a 2 em São Paulo. Os confrontos serviram, inclusive, para o sucesso individual desses atletas.
O melhor deles foi, disparado, Tostão. O craque foi à Copa de 1966, jogando mal, assim com todos da seleção. Quatro anos depois, seria campeão mundial no México ao lado de Piazza e Fontana, outros cruzeirenses que levantaram a Jules Rimet.
Sua presença, porém, quase foi comprometida por uma fatalidade ocorrida um ano antes. Em partida contra o Corinthians, Tostão levou uma bolada acidental do zagueiro Ditão, que gerou um descolamento de rotina. Teve, então, de passar por cirurgias para voltar ao futebol. Recuperou-se e foi bem no Mundial. Três anos depois, porém, voltou a sentir o problema quando estava no Vasco e teve de deixar o esporte.
Enquanto isso, o Cruzeiro continuava crescendo. Já tinha Raul Plasmann no gol, Nelinho e Perfumo na defesa e Joãozinho no ataque. O primeiro destacou-se por quebrar a escrita de camisas negras no gol celeste, usando uma amarela. O segundo ficou famoso pelo chute forte, tendo chegado a mandar a bola para fora do Mineirão certa vez, em brincadeira proposta por um programa de televisão.
Perfumo, argentino, foi o grande líder da retaguarda que seria campeã da Libertadores pouco depois. Já Joãozinho era o gênio, o herói que garantiu a referida taça de 1976 para o Cruzeiro, ao acertar uma cobrança de falta aos 44 minutos do segundo tempo do jogo decisivo da final contra o River Plate e garantir o troféu.
Imagem cedida pelo Cruzeiro Esporte Clube
Cruzeiro/Divulgação
Esses nomes, que tanto ouviram a cantada superioridade do Atlético campeão brasileiro de 1971, devolveram o orgulho ao torcedor do Cruzeiro, que passou a ter um título inédito em Minas Gerais. Como não poderia deixar de ser, a fase grandiosa foi suplantada por um período duro.
Mais uma vez em dificuldades financeiras, a Raposa não venceu praticamente nada nos anos 80. A recuperação viria na década seguinte, quando, com a saúde econômica em bom estado, deu início a uma série de 15 anos com títulos, algo inédito no Brasil.
Os primeiros de grande importância foram as Supercopas da Libertadores em 1991 e 1992 e a Copa do Brasil de 1993. Curiosamente, o grande artífice desta última conquista foi o ex-atleticano Éder. Já em fim de carreira, ele foi um dos destaques da campanha, ao lado de Boiadeiro e Nonato.
De volta ao rol dos melhores, o Cruzeiro voltou a sonhar alto. Trouxe nomes como Dida, Marcelo Ramos e Palhinha, que se uniram ao prata da casa Ricardinho e à base de 1993. Sem sucesso na Libertadores a princípio, o time tentou a competição continental novamente pela Copa do Brasil, vencendo o Palmeiras na final. O herói da decisão foi Marcelo Ramos, que marcou o gol do título a poucos minutos do fim.
A glória maior viria novamente em 1997. Experiente, o Cruzeiro de Oscar Bernardi (depois Paulo Autuori) foi firme até a decisão contra o Sporting Cristal, do Peru. No segundo confronto, em Belo Horizonte, só garantiu a taça graças à Elivélton, que acertou chute de fora da área nos momentos finais.
Pela segunda vez no Japão, a Raposa foi mais uma vez ineficiente. Com atletas contratados em cima da hora como Bebeto e Gonçalves, caiu diante do Borussia Dortmund sem apresentar muita resistência. Era o fim de uma busca constante por conquistas internacionais, e começava, então, o momento de reabilitação.
Sem rumo, o time celeste se reorganizava. Com Felipão no comando, foi à semifinal da Copa João Havelange (o Campeonato Brasileiro de 2000) como a melhor campanha, mas perdeu para o campeão Vasco. Nos anos seguintes, venceu, sob o comando de um bravo Sorín em campo, duas Copas Sul-Minas.
O lateral argentino transformou-se em ídolo, mas não ficou tempo suficiente para partilhar a conquista da Tríplice Coroa, a maior do século 21. Com Vanderlei Luxemburgo no banco, Maldonado, Cris, Gomes, Deivid, Aristizábal e, principalmente, Alex, o Cruzeiro venceu tudo em 2003.
Foi campeão com sobra no Mineiro e na Copa do Brasil. Na última, viu Alex acabar com o Flamengo com um gol de letra. No Brasileiro, domínio total, mais de cem pontos ganhos e a vitória sobre a sensação Santos, de Diego e Robinho.
Por conflitos internos, a fase não durou sequer mais um semestre. Sem Luxemburgo, a Raposa se desfez com a saída da Libertadores de 2004. Daí em diante, a diretoria passou a apostar na venda de jogadores. Dentre os que saíram, Fred e Wágner (que voltou) são os maiores destaques.
O maior artilheiro da história do Cruzeiro é o craque Tostão, que marcou, ao todo, 249 gols com a camisa celeste durante o período em que esteve no clube (1963 a 1972). |
Principais títulos
Campeonato Mineiro
1926
1928
1929
1930
1940
1943
1944
1945
1956
1959
1960
1961
1965
1966
1967
1968
1969
1972
1973
1974
1975
1977
1984
1987
1990
1992
1994
1996
1997
1998
2002
2003
2004
2006
2008
2009
Copa Sul-Minas
2001
2002
Copa do Brasil
1993
1996
2000
2003
Taça Brasil
1966
Campeonato Brasileiro
2003
Copa dos Campeões da Libertadores
1991
1992
Taça Libertadores da América
1976
1997