Mas qual a diferença de correr em Daytona?
Embora todos os campos de futebol tenham quase o mesmo tamanho e uma trave de cada lado, nem todos eles são o Maracanã.
E quando, no meio de um jogo com seus amigos no campinho de área "Barrigas de Cerveja Unidas do Bairro", você tem um pênalti para bater, não tem pressão nenhuma. Basta escolher um lugar da área que não tenha buraco e enfiar o pé na bola. Mas e se o pênalti fosse no Maracanã lotado, com 80 mil pessoas gritando, as câmeras todas em você, os narradores ansiosos e um cara chamado Marcos fosse o goleiro do outro time? Deu para ter uma idéia?
 2007 Wieck Media Devido às placas restritoras, os carros rodam perigosamente próximos em Daytona
|
"Com certeza há muita pressão em Daytona", afirma o lendário e aposentado piloto Darrell Waltrip, que venceu 84 corridas da Nascar, mas apenas uma vez a Daytona 500. "É o começo de uma nova temporada e há uma tremenda e crescente tensão. Nessa corrida, há mais meditação do que em qualquer outra. Você fica o tempo todo consciente da situação e da aura que envolvem o local, e isso acaba pesando na sua mente".
A concorrência é mais dura em Daytona do que em qualquer outro lugar. Como é a abertura da temporada, todas as equipes estão descansadas, ansiosas e cheias de ambições. Todas elas passaram o inverno se preparando e semanas treinando.
Além disso, há os aspectos técnicos da corrida. Os autódromos de Daytona e Talladega são as duas únicas pistas do circuito da Nascar em que placas restritoras são exigidas. Essas placas restritoras são colocadas sobre o carburador para limitar a entrada de ar, o que diminui a potência e a velocidade.
E por que a Nascar quer uma corrida "mais lenta" nessas duas pistas? É que as velocidades haviam subido tanto que os carros estavam começando a decolar, literalmente. No fim da década de 80, em Talladega, Bobby Allison e seu Buick de 1.542 kg saltaram da pista e quase pularam um muro de 3 metros que separava a pista de uma arquibancada lotada. Foi aí que a Nascar decidiu que seria melhor colocar rédeas na velocidade.
Mas as placas restritoras não são a solução perfeita. Os pilotos reclamam que as placas restritoras diminuem a resposta de aceleração e deixam os carros lerdos. Sterling Marlin, que venceu a Daytona 500 duas vezes, afirma, "É como dirigir no cimento molhado".
Mais importante, os carros costumam ficar agrupados muitas vezes quatro lado a lado, colados uns aos outros a uma velocidade de 320 km/h. E assim, basta uma desatenção, um soluço, para que o "The Big One", um engavetamento monstro - como chamam os americanos - aconteça. Marlin continua: "Depois de terminar as 500 milhas de Daytona, a primeira coisa que você faz é arrancar seus dedos do volante. Depois, você solta o ar".
Os pilotos capazes de controlar todos esses elementos e chegar à vitória em Daytona serão famosos pelo resto da vida. Na próxima seção, veremos uma lista dessas lendas, os homens que venceram a Daytona 500.
Para mais informações sobre a Nascar e sobre carros em geral, confira os links a seguir.