Ida e volta, a maioria das viagens ao topo do Everest leva cerca de dois meses e meio. Para uma aproximação do sul, os escaladores normalmente voam até Katmandu e passam vários dias comprando suprimentos e conseguindo vistos de viagem. De Katmandu, eles voam para Lukla e viajam por terra até o acampamento base, onde se preparam para a escalada. Até o acampamento base está situado a grande altitude, assim a jornada deve progredir gradualmente, geralmente levando uma ou duas semanas.
![]() Imagem cedida pela NASA As duas rotas até o Everest: passagem sul e passagem norte - Cordilheira Norte |
A rota sul foi tomada por Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay e ainda é a rota usada mais freqüentemente. Passa pela traiçoeira cascata de gelo Khumbu e Western Cwm (pronuncia-se coom), sobe pela face Lhotse e pela passagem sul e Hillary Step até o cume.
A rota da passagem norte é a segunda mais popular. É a escalada mais difícil tecnicamente e requer uma descida mais longa a grandes altitudes do que a rota sul, embora evita os perigos da cascata de gelo Khumbu. No total, há 15 diferentes rotas e variações de rotas até o pico do Everest.
Subindo pelo sul, os escaladores usam cinco diferentes acampamentos à medida que se ajustam à altitude. O acampamento base está localizado a 5.364 m (17.600 pés). As temperaturas tendem a ser 1,5º C mais quentes do que o pico (que estão na faixa entre -17ºC a -3ºC no verão) a cada 150 m de altitude que se desce. Durante a estação de escalagem da primavera, o acampamento base abriga cerca de 300 pessoas, incluindo escaladores, sherpas, médicos, cientistas e outro pessoal de apoio.
![]() Imagem cedida por Sheila Kavanagh, Sete cumes Acampamento base com a cascata de gelo Khumbu ao fundo |
![]() Imagem cedida por Alan Arnette A cascata de gelo Khumbu |
Do acampamento base, os escaladores devem passar pela cascata de gelo Khumbu. Eles podem apenas cruzar esta área com a ajuda de cordas e escadas. Mesmo com toda a segurança e precaução de segurança, essa parte é extremamente perigosa. Deslocamento de gelo, fendas profundas, gelo caindo e avalanches já mataram muitos escaladores e sherpas. Assim que passarem a cascata de gelo Khumbu, os escaladores chegam ao acampamento I a 6.065 m (19.900 pés). A maioria dos alpinistas precisa percorrer a cascata de gelo Khumbu várias vezes à medida que se adaptam à altitude.
![]() Imagem cedida por Alan Arnette Escaladores usando cordas e escadas para transpor a cascata de gelo Khumbu |
Ir do acampamento I para o acampamento II a 6.492 m leva os escaladores a passar pelo vale glacial conhecido como Western Cwm. Surpreendentemente, o desafio principal do Western Cwm é o calor. A estrutura do vale indica que há pouco vento e a luz intensa do sol a tamanha altitude pode torná-lo desconfortavelmente quente.
![]() Imagem cedida por Alan Arnette Acampamento I no Western Cwm |
O próximo desafio é escalar a face Lhotse usando cordas fixas para atravessar uma íngreme parede de gelo e subir ao acampamento III a 7.470 m (24.500 pés). Os alpinistas também precisam usar cordas para passar pelo Geneva Spur para alcançar o acampamento IV.
![]() Imagem cedida por Alan Arnette A face Lhotse |
O acampamento IV, também conhecido como South Col ("Col" é uma palavra para desfiladeiro ou passagem) é o último maior acampamento antes que os alpinistas façam sua investida até o pico. Localizado a 7.925 m (26 mil pés) é a primeira noite que a maioria dos escaladores passa na zona da morte.
![]() Imagem cedida por Alan Arnette Cume Sul do Everest |
Do acampamento IV, os escaladores caminham até o The Balcony, a 8.440 m (27,700 pés). O The Balcony proporciona uma plataforma onde os alpinistas podem descansar. De lá eles prosseguem para a Cornice Traverse, uma fachada horizontal de neve e rochas que precisa ser escalada e finalmente até o Hillary Step, que é escalado com cordas fixas, de forma que apenas um escalador pode subir ou descer de cada vez. Neste ponto, a falta de oxigênio e o frio amortecem os reflexos e o julgamento dos escaladores, tornando o Hillary Step um dos mais desafiadores elementos da escalada.
![]() Imagem cedida por Michael Otis Cume Norte do Everest |
Do Hillary Step, os escaladores devem caminhar os últimos metros até alcançar o topo. Próximo dele há equipamentos científicos e de topografia, bandeiras de oração, garrafas de oxigênio descartadas e alguns itens menores e lembranças deixadas pelos escaladores. Do cume, você pode ver através do Tibetean Plateau, em direção aos outros picos do Himalaia de Cho Oyu, Makalu e Kanchenjunga. A grande parte dos alpinistas tira fotos e desfruta da vista de 360º antes de começar a descida. Como comprova a lista de mortes, descer em segurança é pelo menos tão perigoso quanto subir.
![]() Imagem cedida pela Michael Otis Tibete visto do cume Norte |
A maioria dos escaladores necessita de cerca de quatro dias para subir o Monte Everest do acampamento base. A subida mais rápida do lado norte foi feita por Hans Kammerlander da Itália e levou 16 horas e 45 minutos desde o acampamento base. A descida mais rápida do sul levou menos de 11 horas e foi conseguida por Lakba Gelu Sherpa. O sherpa Babu Chiri, que esteve no cume por 21 horas e meia, mantém o recorde do maior tempo passado no topo do Everest. Entretanto, as pessoas normalmente passam cerca de 1 hora no pico em média.
A seguir, examinaremos o efeito que escalar o Monte Everest tem na região e nos próprios escaladores.
Em seu livro, "Into Thin Air", Jon Krakauer criticou a decisão de não usar o oxigênio engarrafado com medo de que se suas funções fossem prejudicadas e ele, seria menos capaz de ajudar os companheiros da sua equipe. Outros na comunidade montanhista discordaram, acreditando que alguns escaladores seriam capazes de operar adequadamente sem ele. Entretanto, muitos alpinistas ainda tomam a decisão de usar o oxigênio suplementar. |