Como muitas áreas alpinas, os Himalaias são ecologicamente frágeis. Centenas de alpinistas viajam a cada ano com esperança de chegar ao topo do Everest, mas uns 25 mil turistas também visitam a área. Hoje em dia, escaladores, cidadãos locais e o governo nepalês estão trabalhando para proteger o ambiente em volta do Everest.
![]() Imagem cedida por US Geological Survey Monte Everest no pôr-do-sol |
Em 1976, o Everest e arredores foram transformados no Sagarmatha National Park. Em 1979, a área foi considerada Patrimônio da Humanidade. Atualmente, a flora e a fauna no parque são protegidas e a exploração da madeira é proibida.
Em 1998, uma equipe particular autodenominada Everest Environmental Expedition retirou 1,2 toneladas de dejetos do Everest, coletados principalmente em torno do acampamento base e acampamento II. Enquanto garrafas de plástico e garrafas de oxigênio vazias causam uma má aparência, baterias, cilindros de combustível usados e dejetos humanos apresentam um grande risco ambiental e a expedição concentrou seus esforços neste tipo de lixo. Outras expedições ambientais continuam no esforço de limpar o Everest.
O governo nepalês agora exige um depósito de US$ 4 mil dos alpinistas, que é reembolsado se eles trouxerem de volta a mesma quantidade de equipamento e suprimentos que levaram.
Impacto nos escaladores
As avalanches são uma ameaça constante e tiraram muitas vidas. Ventos violentos podem soprar inesperadamente, encurralando ou cegando os escaladores. Deslocamentos de geleiras podem ocorrer repentinamente, criando fendas profundas, freqüentemente cobertas por neve.
A falta de oxigênio é um dos maiores desafios apresentados pelo Everest. Os níveis de oxigênio no pico é de apenas um terço do encontrado ao nível do mar. Seres humanos não podem sobreviver por um longo período de tempo em uma elevação acima de 8 mil metros, o que é conhecido no Everest como "zona da morte". Nessa altitude, o corpo humano é incapaz de se adaptar ao oxigênio rarefeito e começa a deteriorar. A maioria dos escaladores precisa usar oxigênio e tem dificuldade para dormir.
Mesmo em altitudes moderadas, muitas pessoas têm dores de cabeça e diminuição do fôlego. Entretanto, se permaneceram a essa altitude, seu corpo irá compensar produzindo mais células vermelhas no sangue e todas as funções retornarão ao normal. Em altitudes mais altas, estes sintomas são extremos e podem incluir perda de apetite, enjôos, vômitos, tontura, irritabilidade e insônia.
Quando o oxigênio é severamente limitado, o corpo irá compensar aumentando o fluxo sangüíneo até o cérebro. Em altitudes extremamente altas, o cérebro pode realmente inchar e os vasos sangüíneos podem arrebentar, resultando no edema cerebral das grandes altitudes, ou HACE. Quando isto acontece, o alpinista pode sentir-se desorientado, ter alucinações e até perder a consciência. Igualmente, o edema pulmonar das grandes altitudes, ou HAPE, ocorre quando fluidos acumulam-se nos pulmões. Isto produz uma redução no fôlego e pressão no peito, bem como tosse e escarro sangrento.
Tanto o HACE como o HAPE são estados potencialmente fatais. A descida é o melhor tratamento e pode exigir a utilização de um helicóptero, já que muitos pacientes não podem descer por conta própria em tais condições. Se a descida não for possível, o mal-da-montanha é às vezes tratado com Diamox, uma droga que sinaliza ao cérebro para aumentar a respiração ou dexametasona, um esteróide que pode reduzir o inchaço temporariamente. Se disponível, o paciente pode ser colocado em uma bolsa Gamow, que é uma bolsa portátil de alta pressão que aumenta a tensão do oxigênio e pode estabilizar o paciente.
É claro, é muito melhor evitar o mal da altitude do que ter que tratá-lo. Esta é a razão porque os escaladores do Everest geralmente fazem várias viagens subindo e descendo de acampamentos a altitudes cada vez maiores, para adaptar seus corpos às condições das grandes altitudes.
Outros riscos para os alpinistas incluem a ulceração pelo frio e a hipotermia causadas pelas temperaturas extremas, a trombose ou embolismo causada pelo afinamento do sangue em resposta à grande altitude, queimaduras extremas e ossos quebrados devido a quedas. Freqüentemente, uma combinação de forças naturais e fisiologia humana produz conseqüências letais para os montanhistas do Everest.
Os futuros alpinistas do Everest treinam de várias maneiras. Natação, corrida, ciclismo, levantamento de peso e escalada são excelentes maneiras de melhorar a condição física. Resistência, perseverança e força são necessárias. Antecipando a perda de peso no Everest, a maioria dos candidatos tenta ganhar um pouco de peso antes da viagem.
Embora o Everest não requeira as habilidades técnicas de algumas montanhas mais baixas, uma fundamentação minuciosa das técnicas de escalada é importante antes da tentativa. Em razão das condições extremas e da natureza imprevisível do Everest, mesmo os montanhistas mais experientes podem ter problemas.
![]() Imagem cedida por Sheila Kavanagh, Sete cumes Um memorial sherpa de pedras com bandeiras de oração |
Conhecendo o custo, o risco e o desconforto, por que as pessoas escalam o Everest? No começo do século 20, quando George Mallory estava planejando sua expedição, exploradores alcançaram os pólos norte e sul e havia uma paixão por descobrir novas fronteiras. O Everest, o chamado "terceiro pólo", representa um novo e interessante desafio.
Embora mais pessoas estejam escalando o Everest, nenhum equipamento moderno ou conhecimento profissional pode eliminar o desafio ou as dificuldades inerentes. Pagar uma viagem guiada não garante o sucesso, tampouco a experiência extensiva elimina o risco. Escalar o Monte Everest permanece, até o dia de hoje, um amedrontador e formidável desafio que continua a estender os limites da resistência e força de vontade humanas.
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