O efeito Everest

Impacto no Everest
Após o sucesso da chegada ao pico em 1953, mais e mais alpinistas começaram a chegar ao Everest, com a intenção de imitar os primeiros escaladores. Esta inundação de visitantes trouxe uma entrada de dinheiro, bem como infra-estrutura para as comunidades Sherpa. Existem agora escolas, hospitais e lojas vendendo mercadorias ocidentais e comida. Com os visitantes veio um aumento no desmatamento por causa da lenha, assim como uma grande quantidade de lixo.

Como muitas áreas alpinas, os Himalaias são ecologicamente frágeis. Centenas de alpinistas viajam a cada ano com esperança de chegar ao topo do Everest, mas uns 25 mil turistas também visitam a área. Hoje em dia, escaladores, cidadãos locais e o governo nepalês estão trabalhando para proteger o ambiente em volta do Everest.


Imagem cedida por US Geological Survey
Monte Everest no pôr-do-sol

Em 1976, o Everest e arredores foram transformados no Sagarmatha National Park. Em 1979, a área foi considerada Patrimônio da Humanidade. Atualmente, a flora e a fauna no parque são protegidas e a exploração da madeira é proibida.

Em 1998, uma equipe particular autodenominada Everest Environmental Expedition retirou 1,2 toneladas de dejetos do Everest, coletados principalmente em torno do acampamento base e acampamento II. Enquanto garrafas de plástico e garrafas de oxigênio vazias causam uma má aparência, baterias, cilindros de combustível usados e dejetos humanos apresentam um grande risco ambiental e a expedição concentrou seus esforços neste tipo de lixo. Outras expedições ambientais continuam no esforço de limpar o Everest.

O governo nepalês agora exige um depósito de US$ 4 mil dos alpinistas, que é reembolsado se eles trouxerem de volta a mesma quantidade de equipamento e suprimentos que levaram.

Impacto nos escaladores

A tragédia de 1996
A tragédia mais famosa e mais mortal do Everest ocorreu em 1996, quando 8 pessoas morreram em um único dia. Uma combinação do mal-da-montanha, superpopulação do cume e tempestades inesperadas cooperaram para criar a crise. Muitas pessoas que haviam chegado ao topo foram incapazes de descer até um ponto seguro e conseqüentemente morreram de problemas relacionados com a altitude e sua exposição a ela. Entre os mortos estavam Rob Hall e Scott Fischer, ambos guias com muitos anos de experiência no Everest. A tragédia de 1996 é contada nos livros "Into Thin Air", de Jon Krakauer e "The Climb", de Anatoli Boukreev e Weston DeWalt.
O Everest é um lugar extremamente hostil. As temperaturas no topo são normalmente de -36º C no inverno e podem cair para -60º C. As temperaturas sobem a uma média de -18º C durante a parte mais quente do verão e as tempestades das monções tornam o Everest insuperável durante este período. As correntes de ar açoitam o pico do Everest com a força de um furacão durante a maior parte do ano. Em abril e maio as correntes mudam, oferecendo um clima relativamente calmo, quando a maioria das escaladas acontece.

As avalanches são uma ameaça constante e tiraram muitas vidas. Ventos violentos podem soprar inesperadamente, encurralando ou cegando os escaladores. Deslocamentos de geleiras podem ocorrer repentinamente, criando fendas profundas, freqüentemente cobertas por neve.

A falta de oxigênio é um dos maiores desafios apresentados pelo Everest. Os níveis de oxigênio no pico é de apenas um terço do encontrado ao nível do mar. Seres humanos não podem sobreviver por um longo período de tempo em uma elevação acima de 8 mil metros, o que é conhecido no Everest como "zona da morte". Nessa altitude, o corpo humano é incapaz de se adaptar ao oxigênio rarefeito e começa a deteriorar. A maioria dos escaladores precisa usar oxigênio e tem dificuldade para dormir.

Mesmo em altitudes moderadas, muitas pessoas têm dores de cabeça e diminuição do fôlego. Entretanto, se permaneceram a essa altitude, seu corpo irá compensar produzindo mais células vermelhas no sangue e todas as funções retornarão ao normal. Em altitudes mais altas, estes sintomas são extremos e podem incluir perda de apetite, enjôos, vômitos, tontura, irritabilidade e insônia.

Quando o oxigênio é severamente limitado, o corpo irá compensar aumentando o fluxo sangüíneo até o cérebro. Em altitudes extremamente altas, o cérebro pode realmente inchar e os vasos sangüíneos podem arrebentar, resultando no edema cerebral das grandes altitudes, ou HACE. Quando isto acontece, o alpinista pode sentir-se desorientado, ter alucinações e até perder a consciência. Igualmente, o edema pulmonar das grandes altitudes, ou HAPE, ocorre quando fluidos acumulam-se nos pulmões. Isto produz uma redução no fôlego e pressão no peito, bem como tosse e escarro sangrento.

Tanto o HACE como o HAPE são estados potencialmente fatais. A descida é o melhor tratamento e pode exigir a utilização de um helicóptero, já que muitos pacientes não podem descer por conta própria em tais condições. Se a descida não for possível, o mal-da-montanha é às vezes tratado com Diamox, uma droga que sinaliza ao cérebro para aumentar a respiração ou dexametasona, um esteróide que pode reduzir o inchaço temporariamente. Se disponível, o paciente pode ser colocado em uma bolsa Gamow, que é uma bolsa portátil de alta pressão que aumenta a tensão do oxigênio e pode estabilizar o paciente.

É claro, é muito melhor evitar o mal da altitude do que ter que tratá-lo. Esta é a razão porque os escaladores do Everest geralmente fazem várias viagens subindo e descendo de acampamentos a altitudes cada vez maiores, para adaptar seus corpos às condições das grandes altitudes.

Outros riscos para os alpinistas incluem a ulceração pelo frio e a hipotermia causadas pelas temperaturas extremas, a trombose ou embolismo causada pelo afinamento do sangue em resposta à grande altitude, queimaduras extremas e ossos quebrados devido a quedas. Freqüentemente, uma combinação de forças naturais e fisiologia humana produz conseqüências letais para os montanhistas do Everest.

Os futuros alpinistas do Everest treinam de várias maneiras. Natação, corrida, ciclismo, levantamento de peso e escalada são excelentes maneiras de melhorar a condição física. Resistência, perseverança e força são necessárias. Antecipando a perda de peso no Everest, a maioria dos candidatos tenta ganhar um pouco de peso antes da viagem.

Embora o Everest não requeira as habilidades técnicas de algumas montanhas mais baixas, uma fundamentação minuciosa das técnicas de escalada é importante antes da tentativa. Em razão das condições extremas e da natureza imprevisível do Everest, mesmo os montanhistas mais experientes podem ter problemas.


Imagem cedida por Sheila Kavanagh, Sete cumes

Um memorial sherpa de pedras com bandeiras de oração
Hoje mais pessoas estão tentando escalar o Monte Everest, mas apenas um em cada quatro alcançam êxito. Existe uma estimativa de 120 corpos ainda no Everest; ainda que muitos tenham sido respeitosamente realocados, é muito difícil e perigoso tentar remover todos.

Conhecendo o custo, o risco e o desconforto, por que as pessoas escalam o Everest? No começo do século 20, quando George Mallory estava planejando sua expedição, exploradores alcançaram os pólos norte e sul e havia uma paixão por descobrir novas fronteiras. O Everest, o chamado "terceiro pólo", representa um novo e interessante desafio.

Embora mais pessoas estejam escalando o Everest, nenhum equipamento moderno ou conhecimento profissional pode eliminar o desafio ou as dificuldades inerentes. Pagar uma viagem guiada não garante o sucesso, tampouco a experiência extensiva elimina o risco. Escalar o Monte Everest permanece, até o dia de hoje, um amedrontador e formidável desafio que continua a estender os limites da resistência e força de vontade humanas.

Para obter muito mais informação sobre o Monte Everest, confira os links na próxima página.

Sete cumes
Para aqueles que não se contentam em simplesmente escalar o Monte Everest, existem outros desafios disponíveis. O Everest é um dos sete cumes (em inglês), o ponto mais alto de cada um dos sete continentes. Mais de 164 pessoas estão na lista dos que alcançaram os sete cumes. Se a altitude superalta é sua paixão, você pode juntar-se a uma elite de 12 pessoas que escalaram todos os 14 picos mundiais acima dos 8 mil metros.