Uma grande expedição dura, normalmente, uns dois ou três meses. Cada montanha tem a sua melhor época para ser escalada. Isso não quer dizer que você conseguirá fazer isso. Estamos falando da natureza, que muitas vezes pode ser imprevisível.
A primeira etapa da montanha é percorrida em jipes e caminhões. Os carregadores, normalmente nativos da região, vão muitas vezes a pé. Essa etapa é conhecida como caminhada de aproximação. Nesse momento utilizam-se todo e qualquer meio de transporte possível para chegar até onde a montanha permita esse tipo de acesso. Esse local então, é chamado de base. A partir da base, só dá para subir a pé!
![]() © 2007 www.niclevicz.com.br Crédito: Waldemar Niclevicz |
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Crédito: Waldemar Niclevicz Caminhada de aproximação ao Gasherbrum, expedição ao K2
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Os carregadores vão e voltam da base, também conhecida como acampamento base até o início da montanha, várias vezes, trazendo todo o equipamento necessário para criar uma espécie de “lar” para o alpinista nos próximos meses. Geralmente, dois ou três dias da expedição são gastos apenas organizando a base. As grandes expedições costumam contar com a presença de um gerente de base, que fica responsável por toda essa montagem.
![]() © 2007 www.niclevicz.com.br Acampamento base no Everest |
Na grande maioria das vezes o acampamento base é montado a cerca de 5.000 m de altitude. O tamanho e a estrutura do acampamento dependem do orçamento da expedição. O ideal é que o acampamento base conte com pelo menos um cozinheiro, dois auxiliares, e um carregador de altitude.
O carregador de altitude é a pessoa que levará o material do alpinista do acampamento base em diante. Em muitas ocasiões tratam-se de experientes alpinistas.
Chegou a hora de subir. O alpinista vai subindo aos poucos. Ele sobe até uma determinada altitude e volta para dormir um pouco abaixo. Ou seja, ele nunca dorme no ponto máximo que atingiu naquele determinado dia. Essa técnica é chamada de aclimatação e busca a adaptação do organismo ao ar rarefeito. As dificuldades encontradas em uma grande escalada são enormes. Uma delas é conhecida por “mal da montanha”. O ar rarefeito pode causar náuseas, dor de cabeça, fadiga muscular e até mesmo edema cerebral, causando a morte. Utilizar-se da técnica de aclimatação é fundamental para a adaptação do organismo.
Normalmente o alpinista monta de três a quatro bases após o acampamento base até chegar ao topo da montanha. A primeira base é chamada de acampamento 1, a segunda de acampamento 2 e assim por diante.
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Crédito: Waldemar Niclevicz O alpinista Irivan Burna no acampamento do Lhotse
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Em grandes expedições é comum encontrarmos dois ou três alpinistas escalando juntos. A afinidade entre eles é de extrema importância, visto que a relação humana fica mais estreita nessas ocasiões. Os alpinistas dividem praticamente tudo durante a escalada, inclusive a comida.
No acampamento base a comida é preparada pelo cozinheiro. Já nas bases seguintes são os próprios alpinistas que preparam. O cardápio, especialmente criado por nutricionistas, inclui muito carboidrato. O que eles mais comem são comidas “instantâneas”. A alimentação liofilizada também é bastante utilizada. Trata-se de um processo moderno de conservação de alimentos, por meio de congelamento rápido a baixa temperatura - uns 80º negativos - seguida de evaporação lenta a vácuo. Esse tipo de alimento reduz consideravelmente o peso da mochila do alpinista.
A comunicação entre o alpinista e o mundo exterior durante a expedição é feita via satélite. Apesar de ser cara ela é bastante importante, principalmente para que o alpinista tenha acesso à previsão do tempo. Na última expedição de Waldemar Niclevicz para o K2, a comunicação via satélite custou cerca de US$ 10 mil. O alpinista leva consigo um laptop e rádios para se comunicar com os seus colegas de equipe.
Depois de muita, muita caminhada, enfim.. o topo. E agora? O que acontece lá em cima?