As pessoas sempre sentem o desejo de explorar lugares novos. Ao longo da História, os exploradores foram motivados (ao menos em parte) pela promessa de fama e fortuna, e a exploração do Pólo Norte não representa exceção. Os primeiros exploradores do Pólo Norte estavam em busca da Passagem Noroeste (em inglês), uma rota de navegação pelo Ártico que facilitaria o comércio - e propiciaria mais riqueza - ao país que a descobrisse. Quando esses exploradores retornaram com histórias de que existiam diamantes e carvão perto do pólo, o mundo começou a ver o Ártico como uma espécie de baú de tesouro. De fato, a U. S. Geological Survey estima que cerca de 25% do petróleo e do gás natural inexplorados do planeta estejam no Ártico, o que é um bom motivo para as disputas entre países que desejam para si o controle da região [fonte: Leapman].

Houve expedições ocasionais ao Pólo Norte no século 18 (em 1755, o Parlamento britânico ofereceu uma recompensa ao primeiro navio que chegasse a um grau de distância do pólo), mas foi apenas no começo do século 20 que as coisas realmente esquentaram. Em 1908, o norte-americano Frederick Albert Cook (em inglês) alegou ter sido a primeira pessoa a chegar ao Pólo Norte, mas seu compatriota Robert Edwin Peary (em inglês), com apoio de alguns dos colegas de viagem de Cook, contestou a alegação, e Cook acabou perdendo o crédito pela realização.
Peary - com uma equipe de 24 homens, 19 trenós e 133 cães de trenó (em inglês) - fez a primeira visita indisputada ao Pólo Norte, em 6 de abril de1909. Apesar disso, ainda houve uma controvérsia devido ao improvável percurso de 37 dias que Peary diz ter realizado. A maior parte das expedições da época demorava no mínimo alguns meses para se aproximar da meta. No entanto, em abril de 2005, o explorador Tom Avery recriou a expedição de Peary em trenó, com os mesmos materiais e suprimentos, e superou em cinco horas o tempo de Peary. Há quem ainda duvide que Peary tenha chegado ao exato Pólo Norte geográfico, mas o crédito pelo pioneirismo cabe a ele.
Do século 15 ao século 20, a Doutrina do Descobrimento foi reconhecida pelos exploradores europeus e americanos como norma quanto à propriedade de territórios. A doutrina funciona sob a simples regra de "quem chegar primeiro, tem o direito à posse", ou seja, a região descoberta pertence ao país que primeiro a descobrir. Hoje, o controle da questão cabe às Nações Unidas. De acordo com a Convenção das Leis Marítimas da ONU, solicitações de direitos quanto ao Pólo Norte se baseiam na plataforma continental (extensão subterrânea do território) de cada país. Em 2007, mini-submarinos russos - em missão de prospecção de depósitos de petróleo e gás natural sob o Pólo Norte - depositaram duas bandeiras russas no gelo ártico. Os canadenses não gostaram porque alegam que o Pólo Norte é deles. O mesmo vale para a Dinamarca (via Groenlândia), Noruega e Estados Unidos. |