A segurança nem sempre foi prioridade em corridas de Fórmula 1, o que causou inúmeras tragédias, tanto com pilotos quanto com espectadores. No entanto, nas últimas décadas, muito foi feito para evitar que pilotos e seus fãs se machuquem seriamente. Vamos dar uma olhada nas principais medidas de seguranças utilizadas na Fórmula 1.
![]() Orlando Kissner/AFP/Getty Images O piloto da Sauber-BMW, Robert Kubica, no GP do Brasil em outubro de 2007 |
O monobloco (habitáculo) se tornou uma célula de sobrevivência para o piloto. Feita de material resistente, foi projetada para permanecer intacta e proteger o piloto em caso de acidente. Esta cabine inclui o banco, feito para acomodar as dimensões exatas do piloto. O banco deve ser posicionado de maneira que a cabeça do piloto não fique exposta e sujeita a traumas em caso de capotagem.
O macacão dos pilotos, em conjunto com botas, luvas e capacete, formam uma barreira resistente. Feitos de fibra sintética conhecida como Nomex, os macacões de Fórmula 1 são projetados para proteger o piloto de um incêndio por pelo menos 12 segundos, tempo suficiente para que a equipe de salvamento chegue. Os logotipos de patrocinadores colocados nos macacões também devem ser feitos de material resistente ao fogo.
O Sistema de Proteção para cabeça e pescoço (HANS - Head and Neck Support System) é uma espécie de colarinho feito de fibra de carbono, colocado em volta do pescoço do piloto com o objetivo de protegê-lo em caso de colisão. O HANS se conecta levemente ao capacete por três faixas, permitindo liberdade de movimento da cabeça. Também controla o deslocamento do capacete em caso de impacto frontal. Robert Hubbard, engenheiro e professor na Michigan State University, desenvolveu o sistema HANS na década de 80 como um dispositivo de segurança para competidores de corridas de lancha, mas logo foi adotado em todos os esportes. Após algumas modificações, para satisfazer as necessidades específicas da Fórmula 1, o HANS tornou-se equipamento obrigatório para todos os pilotos em 2003.
O tamanho e formato dos capacetes de Fórmula 1 não mudaram muito nas últimas duas décadas. O que mudou foi a escolha do material usado na sua fabricação. Os capacetes modernos consistem do mesmo material de fibra de carbono usado na construção do monobloco. O resultado é um resistente e leve capacete que diminui a inércia que a cabeça do piloto pode estar sujeita em um acidente grave. Todos os capacetes são feitos para acomodar as dimensões exatas do piloto.
Um cinto de segurança de cinco pontos retém o piloto no banco. Os cinco pontos se referem às cinco tiras que formam o cinto: uma sobre cada ombro, uma de cada lado da cintura e uma entre as pernas. Todas as tiras são conectadas a um fecho central, que fica travado durante a corrida.
Existe no fecho, um mecanismo de desengate rápido para que o piloto possa sair logo do carro em caso de emergência.Outras medidas de segurança
A Fórmula 1 emprega centenas de pessoas em cada corrida para o auxílio na segurança dos pilotos e espectadores. Esses comissários vestem macacões cor de laranja e têm três funções principais: avisar os pilotos em caso de perigo, remover destroços ou carros danificados da pista e manter os espectadores nas áreas permitidas. A Fórmula 1 conta também com dois carros especiais em cada corrida: o carro de segurança e o carro médico. O carro de segurança reduz o ritmo da corrida em caso de batida ou outro incidente. Quando o carro de segurança está na pista, os pilotos devem diminuir a velocidade atrás dele, mantendo o líder da prova na frente. Não é permitida a ultrapassagem nesse tipo de situação. O carro médico é usado para conduzir médicos e equipe de salvamento ao local onde se encontra um piloto ferido.
A Fórmula 1 é um dos esportes mais difundidos no mundo e cada grande prêmio atrai mais de 120 mil espectadores. Outros 30 milhões de pessoas, em 150 países, assistem a corrida pela televisão. Para se ter uma idéia, a média de público pagante por jogo numa temporada normal do NFL ((National Football League) é de cerca de 66 mil pessoas. Mas de normal, a Fórmula 1 não tem nada. Pode até ser comparada ao Super Bowl - a conhecida e concorrida decisão do Campeonato de Futebol Americano.
E assim como no Super Bowl, um grande prêmio pode sair caro para um fã. Os ingressos mais baratos custam em torno de US$ 150, mas, para os fãs de Fórmula 1, o sacrifício é recompensado. E as recompensas são puras e simples: testemunhar, em primeira mão, toda a agonia e adrenalina envolvida numa competição entre os carros mais rápidos do mundo.
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