Transmissões e aerodinâmica na Fórmula 1

Formula One Grand Prix
Paul Gilham/Getty Images
Imagem do Grande Prêmio de Monte Carlo

Transmissão

A função da transmissão é transferir toda a potência do motor para as rodas traseiras do carro de Fórmula 1. A transmissão é aparafusada diretamente à parte traseira do motor e inclui todas as partes encontradas em carros comuns: caixa de câmbio, diferencial e o semi-árvores. A caixa de câmbio deve ter um mínimo de quatro e um máximo de sete marchas. Caixas com seis marchas foram muito populares durante anos, mas, atualmente, a maioria dos carros de Fórmula 1 possui sete marchas. Também é necessária uma marcha a ré. A caixa de mudanças é ligada ao diferencial, permitindo que as rodas traseiras se movam com rotação diferente entre si nas curvas. O diferencial é conectado às semi-árvores, que transferem a potência para as rodas.­

­A troca de marchas em carros de Fórmula 1 não é igual à de um carro comum, com câmbio manual. Em vez de usar um quadrante seletor tradicional para a troca de marcha em formato de "H", pilotos utilizam pequenas alavancas-pá, ou borboletas, localizadas atrás do volante. A redução é feita pela alavanca do lado esquerdo, e a troca ascendente, do outro lado. Embora sejam possíveis em carros de Fórmula 1, caixas automáticas, incluindo sistemas com sofisticados controles de arrancada não são mais permitidas. Isso ajuda na redução do custo geral do trem de força e permite que os pilotos utilizem suas habilidades na troca de marcha para brigar por posições em uma corrida.

Aerodinâmica

Um carro de corrida de Fórmula 1 é definido tanto pela sua aerodinâmica como pela sua potência. Qualquer veículo que se mova em alta velocidade deve ser capaz de fazer duas coisas: reduzir a resistência do ar e aumentar a força vertical descendente gerada pela carroceria e seus anexos aerodinâmicos. Os carros de Fórmula 1 são baixos e largos para reduzir a resistência do ar. Aerofólios, difusor, placas externas e defletores laterais aumentam a estabilidade. Vamos ver cada um deles detalhadamente.

  • Aerofólios, que surgiram pela primeira vez na década de 60, agem com o mesmo princípio das asas de um avião, só que ao contrário. As asas do avião criam sustentação, enquanto os aerofólios de carros de Fórmula 1 proporcionam força vertical descendente (downforce), que seguram o carro na pista, especialmente nas curvas. O ângulo dos aerofólios dianteiros e traseiros pode ser ajustado para que se obtenha o equilíbrio ideal entre resistência do ar e força descendente.
  • Na década de 70, engenheiros da Lotus descobriram que o carro de Fórmula 1 em si mesmo poderia ser transformado em uma enorme asa. Utilizando um projeto único de assoalho, eles conseguiram extrair o ar debaixo do carro, criando uma área de baixa pressão que puxava o veículo para baixo. O chamado efeito-solo logo foi declarado ilegal, e normas rígidas foram criadas para regulamentar projetos de assoalho. A parte de baixo dos carros de hoje deve ser plana desde o bico até a linha do eixo traseiro. Além dessa linha, engenheiros podem fazer o que quiserem. A maioria deles inclui um difusor, dispositivo localizado logo abaixo do motor e do câmbio que acelera o ar e o joga para a parte traseira do carro.
  • Uma das funções da aerodinâmica é fazer com que o ar se mova da maneira que desejamos. As placas externas são pequenas áreas flangeadas nas extremidades dos aerofólios dianteiros que ajudam na "captura" do ar e no seu direcionamento para as laterais do carro. Os defletores laterais, localizados logo atrás das rodas dianteiras, pegam o ar delas para criar ainda mais força lateral descendente.

­­O resultado dessa engenharia aerodinâmica é uma força vertical de cerca de 2.500 kg. É mais do que quatro vezes o peso do próprio carro.

A seguir, vamos aprender sobre suspensões, freios, direção e pneus na Fórmula 1.­ ­