Ídolos, títulos e artilharia

O primeiro grande ídolo e talvez o maior de todos do Grêmio foi o goleiro Eurico Lara. Foram 16 temporadas na época do amadorismo (de 1920 a 1935), com a conquista de 11 títulos de Porto Alegre e cinco Gaúchos no período.

A identificação com as arquibancadas foi tão grande que ele foi incluído na letra do hino oficial do clube. Um dos momentos que colaboraram para a criação da mística foi a final do Campeonato Farroupilha em 1935, contra o Inter. Doente do coração e desautorizado pelos médicos, Lara entrou em campo pelo Tricolor e fez grande atuação. Dois meses depois, morreu em decorrência do agravamento do problema de saúde.

O camisa 1, no entanto, não foi o único ídolo daquele tempo. O Grêmio daquele momento também tinha grandes atacantes, como Lagarto e Ramon, artilheiros do Estadual em 1922.

Com o fim dessa geração, o clube estava consolidado como uma das potências do futebol do Rio Grande do Sul, senão a principal. Nos anos 40, porém, viu o arqui-rival Internacional estabelecer uma hegemonia, vencendo quase todos os títulos. Nesse período, poucos ídolos surgiram do lado tricolor.

Uma reviravolta começava a acontecer na década de 50. Aos poucos, o Grêmio conseguiu montar uma equipe com nomes de peso como Calvet, Alcindo, Gessi, Ortunho e Airton Pavilhão. Juntos, esses jogadores viveram uma das maiores fases da história do time.

Foram 12 títulos conquistados em 13 anos, de 1956 a 1968. Na primeira seqüência, o penta de 1956 a 1960, apenas os três citados participaram, com destaque para o último. Airton veio jovem do Força e Luz, trocado por um pavilhão da antiga Baixada. Com o Grêmio inaugurando o Olímpico, a estrutura não fez falta ao Tricolor, que conseguiu trazer aquele que seria um dos maiores zagueiros gaúchos de todos os tempos.

Ao fim da seqüência, porém, Airton Pavilhão perdeu seu companheiro de zaga. Isso porque o argentino Calvet transferiu-se para o Santos de Pelé. Em compensação, viu surgir um garoto nas categorias de base que também ficaria marcado na história do clube. Alcindo surgiu entre os profissionais em 1964, participando de quatro conquistas até 1968.

O “Bugre Xucro”, como ficou conhecido, deixou a equipe em 1971, dando início aos oito anos de fila em que o Grêmio apenas assistiu às conquistas do rival Inter. Coincidentemente, ou não, foi quando ele voltou, em 1977, que o clube voltou a vencer. Naquela época, porém, ele não era a única estrela.

Com Telê Santana no banco de reserva, o time do Olímpico saiu da fila com Éder como a principal estrela, mas também com Tarciso no meio-campo. Na final, 1 a 0 no Internacional e uma história curiosa. André Catimba, autor do gol, comemora o lance com uma cambalhota, mas cai de cara no chão e tem de ser substituído.

Era o prenúncio de um grande momento. Em 1979 e 1980, com Paulo César Caju, Paulo Isidoro e Baltazar somando qualidade ao elenco de dois anos antes, o Grêmio foi bicampeão, preparando o bote para a conquista maior. Em 1981, com Hugo de León na zaga, o Tricolor conseguiu seu primeiro brasileiro depois de uma final contra o São Paulo, decidida por Baltazar, o “Artilheiro de Deus” (assim chamado por comemorar seus gols apontando para o céu).

Dois anos depois, o clube daria seu maior salto. Na disputa da Libertadores, eliminou o Flamengo e foi à final, já com Mazarópi no gol, contra o Peñarol, do Uruguai, vencendo a decisão em Porto Alegre por 2 a 1, já com Tita e Renato em campo.

 
Imagem cedida pelo Grêmio Football Porto-Alegrense
Grêmio/Divulgação

Este último, no entanto, ainda não tinha vivido seu melhor momento. Este veio no fim daquele ano, no Japão, na final do Mundial Interclubes contra o Hamburgo, da Alemanha. Renato Portaluppi, como é conhecido até hoje pelos gremistas, marcou os dois gols do 2 a 1 do confronto, sendo o último deles na prorrogação.

Depois disso, a geração começou a se desfazer. Com a dispersão dos craques, o Grêmio restringiu seus objetivos para o Rio Grande do Sul. Foram seis títulos, de 1985 a 1990, com destaque para nomes como Caio Júnior, Cuca e Jorge Veras, que também trouxeram o título da Copa do Brasil de 1989.

Nos anos 1990, depois do momento delicado em 1992, quando chegou a disputar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o Grêmio se reergueu e conquistou tudo de novo. Foi campeão da Copa do Brasil em 1994 com um time marcante para a torcida, que tinha Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson, Roger, Dinho, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Jardel.

No ano seguinte, venceu a Copa Libertadores de maneira conturbada. Na fase mata-mata, eliminou o Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo de maneira inacreditável, vencendo por 5 a 0 e perdendo em São Paulo por 5 a 1. Na final, ganhou do Nacional, da Colômbia, por 3 a 1 no Olímpico, e empatou por 1 a 1 fora, conquistando a taça pela segunda vez.

No fim do ano, o paraguaio Rivarola viveu um momento complicado em sua passagem vitoriosa pelo clube. Na disputa do Mundial contra o Ajax, no Japão, foi expulso com poucos minutos de jogo, deixando o Grêmio com um a menos em quase todo o tempo. O time tricolor acabou sendo derrotado apenas nos pênaltis, após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

A geração ainda não estava apagada. Em 1996, venceu o Brasileiro na decisão contra a Portuguesa. Depois de sofrer 2 a 0 em São Paulo, garantiu o título em Porto Alegre a dez minutos do fim, com gol do criticado Aílton. O fim daquele grande momento foi em 1997, quando o time venceu, sob a batuta de Carlos Miguel em campo e Carlos Duarte no banco, a Copa do Brasil em 1997, e se dispersou logo em seguida.

O Grêmio viveu, então, dois anos de “seca”. Sem títulos e com poucos destaques, só renasceu como grande equipe em 1999, com a aparição de Ronaldinho Gaúcho. O garoto garantiu seu espaço na decisão do Gaúcho daquele ano, contra o Inter, ao aplicar um chapéu e um elástico no capitão colorado Dunga, além de marcar o gol do título.

A lua-de-mel com a torcida duraria até o começo de 2001. Até ali, havia perdido um Estadual para o modesto Caxias e tinha comandado a equipe às semifinais da Copa João Havelange (Brasileiro de 2000). Ao sair em litígio com a diretoria, porém, o menino rompeu com as arquibancadas. Os fãs apoiaram, então, a geração de Tite, que apresentava nomes mais rodados, como Anderson Lima, Mauro Galvão, Zinho e Marcelinho Paraíba, mas também revelações como Tinga e Anderson Polga.

Eles conquistaram logo a Copa do Brasil em cima do Corinthians, recolocando o Grêmio entre os principais times do Brasil. Um dos melhores momentos dessa geração veio em 2002, quando, com Rodrigo Fabri em grande fase, foi às semifinais do Brasileirão, perdendo apenas para o campeão Santos.

O fim desse grande momento culminou no pior período da história do clube. Depois da briga para não cair no ano do centenário (2003), o Grêmio acabou na Segundona em 2004. Com Mano Menezes no banco de reservas, um time limitado, com Sandro Goiano, Patrício, Gallatto e o jovem Anderson como expoente, a equipe fez uma campanha razoável, e, perto do acesso, fez milagre para subir.

No jogo decisivo, o time gaúcho foi para Pernambuco enfrentar o Náutico precisando de um empate. A dez minutos do fim, já sem o chileno Escalona, viu o árbitro marcar pênalti a favor dos donos da casa. Inconformados, os gremistas pressionaram a arbitragem durante 20 minutos, indo para a fatídica cobrança sem Patrício, Domingos e Nunes. Gallatto defendeu, e Anderson, em contra-ataque, definiu o placar do jogo que ficou conhecido como “A Batalha dos Aflitos”.

Depois do acesso, o Grêmio viveu momentos de prosperidade. Em 2006, venceu o Gauchão derrubando o favorito Inter no ano de seu Mundial, com gol de Pedro Júnior em pleno Beira-Rio. No ano seguinte, campanha memorável na Libertadores, eliminando Santos e São Paulo, mas perdendo a decisão para o Boca Juniors.

Artilharia

O maior artilheiro da história do Grêmio é o atacante Alcindo, que defendeu o clube entre 1964 e 1971 e depois em 1977. Ao todo, ele balançou as redes adversárias em 264 oportunidades.


Principais títulos

Campeonato Gaúcho

1921 1922 1926 1931
1932 1946 1949 1956
1957 1958 1959 1960
1962 1963 1964 1965
1966 1967 1968 1977
1979 1980 1985 1986
1987 1988 1989 1990
1993 1995 1996 1999
2001 2006 2007

Copa Sul

1999

Campeonato Brasileiro

1981 1996

Campeonato Brasileiro da Série B

2005

Copa do Brasil

1989 1994 1997 2001

Taça Libertadores da América

1983 1995

Mundial Interclubes

1983

Recopa Sul-Americana

1996