Os primeiros indícios do jiu-jitsu surgiram na Índia, antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo. Naquela época os monges indianos eram proibidos (de acordo com a sua religião) de utilizar armas, porém, durante as suas longas caminhadas, eram constantemente atacados por bandidos das tribos mongóis do norte da Ásia.
Já que não podiam defender-se com armas, os monges criaram um método de defesa corporal. Como eles conheciam muito bem os pontos vitais do corpo, desenvolveram um tipo de defesa baseada nesses pontos. Sua técnica baseava-se no sistema de articulação do corpo e nos princípios do equilíbrio.
Depois da Índia, o Japão foi o primeiro país a ter praticantes de jiu-jitsu. Isso se deu em função da expansão do budismo, fazendo com que muitos monges migrassem para o Japão. E foi lá, no Japão, que o jiu-jitsu passou a ser conhecido como “arte suave” e tornou-se popular, sendo praticado não mais apenas pelos monges, mas até mesmo por nobres.
Muitas pessoas também se especializaram nessa arte marcial e tornaram-se mestres. No final do século XIX, alguns mestres do jiu-jitsu partiram do Japão para outros lugares e passaram a viver do ensino da arte marcial e das lutas que realizavam.
E foi assim que o jiu-jitsu chegou ao Brasil. Esai Moeda Koma, mais conhecido como Conde Koma, foi um desses mestres que deixou o Japão para trás e seguiu em busca de divulgar a arte nos quatro cantos do mundo.
Depois de viajar e lutar em vários países da Europa e da América, Koma chegou ao Brasil em 1915, em Belém do Pará. No ano seguinte ele conheceu Gastão Gracie que era pai de oito filhos, cinco homens e três mulheres. Logo os dois ficaram muito amigos e Conde Koma passou a ensinar o jiu-jitsu para o filho mais velho de Gastão – Carlos Gracie.
Em retribuição à acolhida, Koma passou todos os seus ensinamentos para o filho mais velho de Gastão. Conde Koma morreu no dia 28 de novembro de 1941, aos 63 anos. Estima-se que ele tenha feito entre mil e duas mil lutas sem perder um único combate. |
Carlos era um menino franzino e o jiu-jitsu mudou radicalmente a sua vida. Aos 19 anos ele mudou-se para o Rio de Janeiro juntamente com sua família e tornou-se lutador profissional e professor de jiu-jitsu. Durante alguns anos, Carlos viajou para São Paulo e Belo Horizonte ministrando cursos e disputando lutas.
Em 1925 ele voltou ao Rio de Janeiro e abriu a primeira Academia Gracie de Jiu-Jitsu. Ao lado de seus irmãos Oswaldo e Gastão, Carlos assumiu a criação dos menores, George e Hélio, que na época estavam com 14 e 12 anos, respectivamente.
Desde então, Carlos passou a transmitir todos os ensinamentos do jiu-jitsu para os seus irmãos. E as aulas não ficavam apenas na arte marcial. Carlos fazia questão de transmitir sua filosofia de vida, que incluía uma alimentação bastante saudável para os padrões da época. Carlos chegou até mesmo a criar a Dieta Gracie, cujo princípio básico era reduzir o excesso de acidez na alimentação. Juntos eles aprimoraram e desenvolveram novas técnicas do jiu-jitsu que tornavam a luta possível para o tipo físico de qualquer pessoa - até mesmo para os “franzinos” Gracie.
![]() Imagem cedida pela Revista Tatame Hélio e Royce Gracie |