Técnicas e golpes de jiu-jitsu

Autor: 
Ana França

O jiu-jitsu possibilita a um adversário mais fraco vencer um adversário mais pesado através do uso de uma boa técnica. O praticante de jiu-jitsu aprende golpes que forçam o seu adversário a desistir da luta, sem que seja necessário machucá-lo.

Os golpes mais freqüentes no jiu-jitsu envolvem as articulações, estrangulamentos, imobilizações, torções e alavancas. Os golpes válidos são aqueles que procuram neutralizar, imobilizar, estrangular, pressionar, torcer articulações e lançar o adversário ao solo através de quedas. Existem, porém, golpes que não são válidos e são considerados desleais, como morder, puxar cabelo, enfiar os dedos nos olhos, atingir os órgãos genitais ou ainda torcer dedos.

Conheça algumas das técnicas mais aplicadas:

- Projeção/queda

É qualquer desequilíbrio do adversário que faça-o ser projetado ao chão, tanto de costas como de lado. Na luta em pé, é válido quando o adversário cai na área de segurança, desde que o atleta que aplicou o golpe tenha dado início ao mesmo com os dois pés dentro da área de combate.

- Baiana

O atleta agarra nas pernas do adversário levando-o ao chão.

- Passagem de guarda

É quando o atleta fica por cima do adversário. Ele pode até mesmo estar entre as pernas do adversário, preso ou não. Se ele estiver por cima de apenas uma perna e preso pela outra, é considerada “meia guarda”. A passagem de guarda propriamente dita ocorre quando o atleta toma o lugar do adversário, mantendo-o dominado e deixando-o de lado ou de costas para o chão.


Imagem cedida pela Academia Gracie Barra
Passagem de guarda

Imagem cedida pela Academia Gracie Barra
Passagem de guarda

- Pegada pelas costas

Ocorre quando o atleta pega seu adversário pelas costas, apoiando os seus calcanhares nas coxas do adversário. Para valer ponto, os dois calcanhares devem obrigatoriamente estar pressionado a parte interna da coxa do adversário.

- Joelho na barriga

Ocorre quando o atleta que está por cima do adversário coloca o joelho na barriga dele. Nesse momento a outra perna deve estar flexionada, com os pés no solo. Além disso, é necessário segurar o braço, a gola ou a faixa do adversário, dominando-o completamente.

- Montada

Acontece quando o atleta monta em cima de seu adversário, deixando seus joelhos e pés no chão. O adversário poderá estar de frente, de lado ou até mesmo de costas. A montada poderá acontecer sobre um dos braços do adversário, mas nunca sobre os dois – nesse caso não será considerada válida.

- Raspagem

Ocorre quando o atleta que está por baixo, consegue prender o seu adversário dentro de suas pernas e rapidamente desequilibra-o para o lado, invertendo a posição. Só é considerado válido como raspagem se o golpe tiver início dentro da guarda ou meia guarda (prender o adversário por apenas uma perna).


Imagem cedida pela Academia Gracie Barra
Raspagem

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Raspagem

Kuatsu - a arte da ressurreição
Trata-se de uma técnica ensinada a especialistas para que eles “ressuscitem” seus adversários. Essa técnica é passada para muitos militares e policiais que praticam o jiu-jitsu. Dizem que ela foi criada para que os inimigos possam ser ressuscitados e interrogados após receberem golpes não fatais, mas que estejam desmaiados.

Durante as competições os golpes podem ou não ser aplicados de acordo com a faixa etária e/ou graduação do lutador. São eles: bate estaca, chave de bíceps, mão de vaca, triângulo puxando a cabeça, chave de pé, chave de joelho (leg-lock), cervical, mata leão de frente, ezequiel, chave de panturrilha, omoplata, gravata técnica de frente, kanibassami, chave de calcanhar, entre outros.


Imagem cedida pela Academia Gracie Barra
Omoplata

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Omoplata

Para aplicar os golpes, os lutadores precisam de muito treino. Um lutador de jiu-jitsu precisa ser muito rápido, flexível e ágil. Normalmente as aulas têm início com aquecimento, explicação da técnica/golpe e, em seguida, os alunos de jiu-jitsu lutam uns com os outros procurando aprimorar o golpe.

Jiu-jitsu x Judô
Enquanto o jiu-jitsu significa “técnica suave” , o judô, por sua vez é considerado o “caminho suave” para os japoneses. Ambos tiveram origem na arte de defesa pessoal desenvolvida pelos monges. Nenhum dos dois permite golpes traumatizantes e que comprometam a saúde dos atletas. E um complementa o outro. O jiu-jitsu para ser completo precisa aplicar em pé os conceitos do judô. Já os judocas, por sua vez, também precisam treinar a técnica de chão e imobilização do jiu-jitsu.