A história dos Jogos Olímpicos

Autor: 
Ana França

Os primeiros registros oficiais da existência dos Jogos Olímpicos datam de 776 a.C. Os Jogos eram realizados em um vilarejo chamado Olímpia, na Grécia.

Uma das finalidades dos Jogos Olímpicos era homenagear Zeus, maior divindade do Olímpio, segundo a mitologia grega. Os Jogos eram realizados de quatro em quatro anos e tinham o poder de interromper guerras, batalhas e combates. As disputas reuniam atletas e espectadores de todas as cidades da Grécia.

As modalidades disputadas na Era Antiga

Nos Jogos Olímpicos de 776 a.C, a única prova disputada foi uma corrida de 192,27 m, vencida pelo cozinheiro Coroebus de Elis, considerado o primeiro “campeão olímpico”. Aos poucos, o número de provas disputadas foi aumentando:

Corrida - esporte mais nobre das Olimpíadas da Era Antiga. Até os 13ºs Jogos, em 728 a.C., foi a única competição disputada. Os atletas corriam nus uma distância de192,27 m.

Pentatlo - era a combinação de cinco esportes (salto em distância, corrida, arremesso de disco, lançamento de dardo e luta livre).

Salto em distância - os atletas competiam utilizando halteres em suas mãos e as provas eram disputadas ao som de flautas.

Arremesso de disco – esporte muito apreciado pelos gregos e que foi até mesmo citado em um poema de Homero.

Lançamento de dardo – era dividido em "ekebolon", em que era avaliada a distância alcançada pelo arremesso, e "stochastikon", onde se observava se o dardo havia atingido um determinado alvo.

Luta livre - esporte popular na época e também citado em um poema de Homero.

Boxe - um dos esportes mais antigos.

Pancrácio - mistura de boxe e luta livre, considerado um dos mais dignos esportes da Antiguidade. Entretanto, na primeira vez em que foi disputado, o vencedor acabou morrendo estrangulado por seu oponente durante a luta.

Corrida de cavalos - disputado em hipódromos com várias modalidades.

Corrida de bigas - variação da corrida de cavalos, em que os animais puxavam uma pequena charrete.

Apenas os cidadãos livres e que estivessem inscritos para a competição podiam participar dos Jogos. Os atletas treinavam em suas cidades de origem durante os quatro anos que separavam os Jogos Olímpicos e a 60 dias dos Jogos, todos os atletas se concentravam na cidade de Elis, onde se dedicavam integralmente à sua preparação física.

As mulheres.. bom, para as mulheres nada era simples naquela época. Elas eram proibidas de assistir às disputas e as que fossem casadas corriam o risco de serem condenadas à pena de morte caso fossem flagradas nos locais de competição.

Como o passar dos anos, o cristianismo, que cada vez mais se firmava no Império Romano (os romanos dominavam a Grécia desde 144 a.C) passou a combater os Jogos Olímpicos, pois não via com bons olhos o culto aos esportes “pagãos” e também não tolerava a adoração do fogo sagrado, que, a cada 4 anos era aceso em Olímpia.

Naquela época os Jogos não eram “disputados” e sim, “celebrados”. De acordo com os registros oficiais, a celebração dos Jogos Olímpicos durou até o ano de 394 d. C. quando, por questões religiosas, a celebração foi banida pelo imperador romano, Teodósio.

Em função dessa decisão do imperador Teodósio, essa celebração não mais aconteceu pelos próximos 1500 anos, voltando a ser realizada novamente apenas na Era Moderna, graças ao esforço de um pedagogo e esportista francês, Barão Pierre de Coubertin.


Crédito: COI

Apesar de ter estudado Ciência Política e seguido a carreira militar, o negócio de Pierre de Coubertin era mesmo educacional. Disposto a reformar o sistema educacional da França, Pierre de Coubertin viu no esporte e nos ideais olímpicos gregos, uma fonte de inspiração para o aperfeiçoamento do ser humano.

No dia 23 de junho de 1894, durante um congresso de educação e pedagogia, Coubertin defendeu a criação de um órgão internacional que unificasse as diferentes disciplinas esportivas e que promovesse a realização de uma competição internacional entre atletas amadores, de quatro em quatro anos. A intenção de Coubertin era ampliar para o mundo o que já havia acontecido na Grécia Antiga.

A idéia foi prontamente aceita pelos 13 delegados de países presentes no congresso e naquele mesmo dia foi criado o COI (Comitê Olímpico Internacional). Também em 23 de junho de 1894 decidiu-se que os I Jogos Olímpicos da Era Moderna, como passaram a ser chamados, aconteceriam dois anos depois, em 1896, na Grécia.

O lema dos Jogos Olímpicos da Era Moderna passou a ser: “O importante é competir”. A primeira edição das Olimpíadas modernas foi marcada para a primavera de 1896, em Atenas, após o rei Jorge I ceder a cidade para a realização dos Jogos. A Grécia, porém, passava por uma grave crise financeira e os Jogos Olímpicos daquele ano só aconteceram graças a uma generosa contribuição do bilionário arquiteto egípcio Georgios Averoff.

No dia 6 de janeiro de 1896, finalmente a chama olímpica brilhou novamente. Recomeçavam os Jogos Olímpicos, com a presença de 13 países e 311 atletas.

Tudo por um sonho

O Barão de Coubertin gastou praticamente toda sua fortuna para colocar em prática o sonho dos Jogos Olímpicos. Morreu pobre e isolado, em 2 de setembro de 1937, em Genebra, na Suíça. Como forma de reconhecimento, seu coração foi transportado para Olímpia, onde repousa até hoje em um mausoléu.