Ídolos, títulos e artilharia

O primeiro grande ídolo do Deportivo foi Chacho. O atacante foi titular da equipe no início da década de 30, e ganhou notoriedade pelo número de gols marcados. Os bons desempenhos fizeram, inclusive, com que fosse convocado para a seleção espanhola. Com a camisa da “Fúria”, ele disputou a Copa do Mundo de 1934, na Itália, chegando a ser titular nas quartas-de-final contra a dona da casa (posteriormente campeã), quando a sua seleção perdeu a disputa e foi eliminada.

Isso tudo ocorreu enquanto o Deportivo ainda estava na segunda divisão. Chacho participou, no entanto, do primeiro acesso do clube, que ocorreu na temporada 1940/41. Na ocasião, ele formava dupla de ataque com Chao.

Depois disso, a torcida do Deportivo passaria uma década sem grandes estrelas. O novo momento de brilho desenvolveu-se nos primeiros anos da década de 1950. Os argentinos Corcuera, Franco e Oswaldo, o uruguaio Moll e o espanhol Tino formavam o setor ofensivo que ficou conhecido como “Orquestra Canaro”, pela qualidade do futebol apresentado.

O poderio era tanto que, na temporada 1950/51, o time marcou 64 gols em 30 partidas disputadas. Outros grandes nomes viriam depois, e o Deportivo ficaria marcado na história do futebol espanhol por ter revelado Luís Suarez e Amancio Amaro, que depois de poucos anos no clube galego se destacariam por Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Nos anos 1970 e 1980, o Deportivo passou por um período complicado, alternando passagens pela primeira e pela segunda divisão. Os anos 1990, porém, seriam frutíferos em termos de jogadores relevantes para a história do clube.

Em 1992, os brasileiros Mauro Silva e Bebeto se juntaram ao meia Fran, para aquele que seria o melhor período da história do Deportivo. O atacante, logo na primeira temporada, foi o artilheiro do Campeonato Espanhol com 29 gols. Os brasileiros, inclusive, conquistaram a Copa do Mundo de 1994 com a seleção, que foi disputada nos EUA, e tirou o país de uma fila de 24 anos sem títulos, enquanto atuavam pelo Deportivo.

Artilharia

O maior artilheiro da história do Deportivo La Coruña é o brasileiro Bebeto. O atacante, que ganhou destaque no Brasil defendendo Flamengo e Vasco, chegou ao clube na temporada 1992/93 e logo de cara foi o artilheiro do Campeonato Espanhol. Bebeto marcou ao todo 86 gols pelo clube da Galícia e levou o La Coruña ao primeiro troféu de sua história, a Copa da Espanha de 1994/95.

No entanto, o jogador teve um episódio negativo em sua passagem pela equipe . No fim do campeonato de 1993/94, o Deportivo liderava o Campeonato Espanhol de maneira apertada. Na última rodada, enfrentava o Valencia dependendo de uma vitória simples para garantir a taça. Quando teve um pênalti a seu favor, Bebeto, cobrador oficial durante toda a temporada, preferiu não cobrar. Djukic bateu, perdeu, e o Deportivo acabou empatando por 0 a 0. Com isso, o título ficou com o Barcelona.

Já na fase descendente da carreira, Bebeto deixou o clube em 1995. Mesmo assim, até hoje é ídolo em Corunha. O jogador conta que quando vai à cidade galega não paga nada em restaurantes, e sempre é abordado por torcedores nas ruas.

O mesmo, ou mais, pode se dizer de Mauro Silva e Fran. Os meio-campistas disputaram, respectivamente, 13 e 14 temporadas pelo Deportivo, e encerraram suas carreiras pela equipe azul e branca em 2004/05, tendo participado do título nacional em 1999/00.

Depois da passagem de Bebeto, a aposta foi em Rivaldo. O jogador, que já havia se destacado pelo Palmeiras e pelo Corinthians, fez 21 gols em 41 partidas, e levou o Deportivo ao terceiro lugar no Campeonato Espanhol. Com isso, chamou a atenção do Barcelona e logo se transferiu para o Camp Nou.

No ano seguinte chegaria Djalminha. O meia, que também havia feito sucesso no Brasil atuando pelo Palmeiras, foi o principal maestro do título de 1999/00. Pelas boas atuações, foi convocado para a seleção em diversas oportunidades, mas deixou de ir à Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul e no Japão, por uma discussão áspera em que chegou a desferir uma cabeçada no seu técnico no Deportivo, Javier Irureta. O treinador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, não gostou do ocorrido, e resolveu deixá-lo fora da lista final.

No século XXI, o clube ficou marcado pelos bons atacantes. O espanhol Diego Tristán e o alemão Roy Makaay foram artilheiros do Campeonato Espanhol nos anos 2001/02 e 2002/03, respectivamente, com a camisa do Deportivo.


Brasileiros no La Coruña

Tradicionalmente, o Deportivo é a casa de grandes jogadores brasileiros que atuam na Espanha. Nesta temporada, porém, o único representante do futebol nacional é o zagueiro Filipe, que é praticamente um desconhecido no Brasil. O jogador, nascido em Jaraguá do Sul-SC, só passou pelo Figueirense (em 2003 e 2004) no país. Depois, transferiu-se para o Ajax, onde ficou em 2004/05. Em seguida, foi para o time do Real Madrid e, então, foi contratado pelo Deportivo no último período de transferências.

Títulos

Campeonato Espanhol

1999/00

1999/00

Copa da Espanha

1994/95 2001/02