Na verdade, há dois tipos de luge: a pista natural e a pista artificial.
![]() Foto cedida USA Luge Pista de luge natural Lucy Hill, em Negaunee, no estado do Michigan |
![]() Foto cedida 2005 Torino 2006 Pista de luge artificial em Turim, na Itália |
O luge praticado nas Olimpíadas é o kunstbahn, e ele não é para os mais medrosos. Duas semanas antes do início dos Jogos de Innsbruck, em 1964, um competidor da equipe de luge britânica morreu na pista durante uma descida de treino. Bater a 140 km/h em uma pista de gelo pode ser algo bem sério, e os praticantes de luge geralmente têm lesões graves quando saem do trenó.
Os tipos de pistas de luge artificiais usadas nas Olimpíadas são estruturas gigantes com muita tecnologia. Há menos do que duas dúzias de pistas de luge artificiais no mundo.
Uma pista olímpica é refrigerada artificialmente. A pista de luge/bobsled utilizada nos Jogos de Salt Lake City, em 2002, era uma trilha de concreto reforçado com evaporadores enterrados no concreto. Esses evaporadores resfriam a pista a uma temperatura de -11ºC. Depois, a pista é borrifada com água para criar a superfície de gelo de cerca de 5 cm.
Uma pista de luge típica tem menos de 1,6 km de extensão e altura de cerca de 90 cm a 1,20 metro, tudo isso percorrido em um minuto. A configuração inclui retas, curvas à esquerda e à direita, descidas (e até uma pequena subida, às vezes) e ao menos uma curva em "S" como o "labirinto", que consiste em três ou quatro curvas consecutivas sem retas entre elas.
A pista de luge das Olimpíadas de 2002, em Utah, tem 1.316 m de extensão e 15 curvas. A queda vertical tem cerca de 120 m.
![]() No luge olímpico, as mulheres começam a corrida em um ponto mais baixo da pista do que os homens |
A pista de luge dos Jogos de Turim, em 2006, tem 1.435 m de extensão, 19 curvas e 114 metros de altura.
![]() A pista de Turim, na Itália, levou quase dois anos e 61,5 milhões de euros (cerca de US$74 milhões) para ser construída |
Atingindo velocidades de até 140 km/h na pista, só o fato de ficar no trenó já seria um feito para atletas altamente treinados. Mas ficar no trenó não basta para os competidores, eles também precisam manter uma forma estritamente aerodinâmica, observar aonde estão indo e tentar manter o trenó na "parte ideal" que irá transportá-los suavemente entre as curvas, tudo isso enquanto enfrentam até 5 G de força da gravidade nas pistas especialmente duras. De acordo com o luger canadense Jeff Christie, em uma entrevista à CBC (site em inglês), as conseqüências de se entregar às forças G podem ser bem dolorosas: