![]() Foto cedida USA Luge Masculino individual |
Como cada pista de luge é única, não existem recordes mundiais ou olímpicos. O que existe são recordes de pista. O luger italiano Armin Zoggeler é o detentor do recorde mundial da pista dos Jogos de Turim, em 2006: 1 minuto, 44 segundos e 586 milésimos em duas descidas, ou um tempo médio de 52,293 segundos por descida.
No início do percurso de luge, há dois cabos; um de cada lado da pista. O competidor segura esses cabos e balança o corpo para frente e para trás, criando impulso para começar. Para iniciar a corrida, o competidor se impulsiona na pista e imediatamente coloca suas mãos (com as luvas com cravos) contra a pista para tomar mais impulso durante os 3 primeiros metros, o que ajuda a ganhar um pouco de velocidade antes que se deite sobre o trenó.
![]() Foto cedida USA Luge O empurrão inicial (esquerda superior). Tomando mais impulso no início da pista (direita superior). Deitado no trenó (esquerda inferior) e navegando em uma curva inclinada (direita inferior). |
Ao se aproximar do início da descida, o luger deita de costas no trenó, que é a posição que ele manterá. Nesta posição, com a cabeça erguida o suficiente apenas para ter uma idéia do que está acontecendo, o competidor manobra pelas inclinações, curvas e retas, com seu corpo rígido e relaxado ao mesmo tempo. E esse não é um estado fácil de atingir. O corpo deve ficar rígido o bastante para maximizar a aceleração (qualquer tremor ou frouxidão aumentaria o atrito entre o trenó e a pista), mas relaxado o suficiente para absorver as forças intensas que agem sobre ele durante a descida. Como o ato de manobrar aumenta o atrito, o luger manobra o mínimo possível, pressionando os arcos somente quando necessário. Na maioria das vezes, o controle é uma questão de se tornar um único corpo juntamente com o trenó e deixar a gravidade agir.
![]() Foto cedida 2005 Torino 2006 Luge de duplas |
Caso um competidor cruze a linha de chegada sem o trenó, a corrida é eliminada, significando desclassificação automática (lembre-se de que todos os tempos de descida contam para o resultado final). Contudo, o luger pode cruzar a linha de chegada carregando o trenó, o que fará a descida contar.
Cronometragem
A cronometragem do luge é feita usando sensores fotoelétricos na largada e na chegada. Esses sensores possuem uma dupla formada por transmissor/receptor de luz em cada extremidade da corrida. O transmissor fica em um lado da pista, enquanto o receptor fica do outro. Na largada, o luger dispara o alarme quando cruza a linha, pois bloqueia o raio de luz. Na chegada, ele pára o cronômetro da mesma maneira.
Nos Jogos de Nagano, em 1998, a diferença de tempo entre o ouro e a prata na disputa feminina foi de dois milésimos de segundo, a menor margem da história do luge. Essa diferença minúscula entre o primeiro e o segundo lugares gerou muita polêmica, e engenheiros tiveram de ser chamados para calcular a margem de erro do sistema. O resultado desses cálculos indicou uma margem de erro de aproximadamente dois milésimos de segundo, o que acrescentou a alta tecnologia à definição da cronometragem. Desde os Jogos de 1998, os sistemas de cronometragem do luge são calibrados antes de cada corrida com o uso de um satélite de GPS que possui um relógio atômico. A precisão dele vai até a casa dos 10-10 segundos (todo satélite GPS possui um relógio atômico integrado, consulte Como funcionam os receptores GPS). Basicamente, o processo de calibragem se trata de sincronizar os cronômetros da pista com o relógio atômico do satélite. Com um receptor GPS modificado integrado ao sistema de cronometragem, o satélite pode disparar o cronômetro de partida e o cronômetro de parada após um determinado intervalo de tempo. Caso o tempo anotado pelo satélite e o tempo anotado pelo sistema no solo conferirem em pelo menos o segundo milésimo de um segundo, o sistema de cronometragem está pronto para a corrida.
Realizar uma descida completa de luge é uma tarefa exaustiva e fisicamente exigente. Vamos dar uma olhada na física envolvida, da chegada à largada.
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