![]() Foto cedida USA Luge |
No início da pista, o conjunto luger/trenó está em repouso. O objetivo do competidor é começar a corrida com o máximo de velocidade, o que o força a impulsionar o conjunto com a maior força possível, que o permitirá superar sua inércia (a tendência de permanecer em repouso). Caso o luger pese 89 kg e o trenó pese 23 kg, estamos falando de uma massa combinada de cerca de 112 kg. Ao balançar para frente e para trás no início do percurso, se quiser realizar uma largada muito boa, o luger precisa gerar impulso suficiente para movimentar 112 kg pelos primeiros 3 metros do percurso em cerca de 2 segundos.
![]() Foto cedida USA Luge Há duas pessoas nesse trenó |
Outra força no caminho da gravidade durante a corrida é a resistência aerodinâmica. Essa resistência consiste na resistência do atrito do ar e resistência à forma. No luge, quando o ar passa por cima do competidor, ele interage com os materiais do capacete e do uniforme de competição, resultando em atrito do ar. Para reduzir esse atrito, os uniformes de corrida são escorregadios e colados na pele, e o visor de um capacete de luge é arredondado e se estende sob toda a extensão do queixo do competidor, evitando que haja bolsas de ar. A interação entre o ar e o formato frontal da combinação luger/trenó cria a resistência da forma. Além de usar formas mais aerodinâmicas nos trenós, o competidor tenta minimizar ainda mais esse atrito ao manter uma posição aerodinâmica para o corpo. Quanto menos área ele expuser ao ar em sua direção, melhor. Erguer a cabeça 2,5 cm para visualizar melhor a pista aumenta o atrito e pode adicionar vários milésimos de segundo ao tempo da descida. E nas competições de duplas, o atleta mais alto deita na frente, entre as pernas do seu parceiro, de forma a atingir uma forma mais suave. Muitos lugers passam horas treinando em túneis de vento até encontrar a posição corporal ideal para minimizar a resistência.
É provável que os pontos mais duros para o corpo durante a corrida sejam as curvas, especialmente as combinações de curvas, quando as forças G aumentam ainda mais. A aceleração e desaceleração através da pista de luge exerce uma força média de até 3 G contra o corpo do competidor. Essas forças podem chegar a 5 G nas curvas inclinadas, em que a força centrífuga* adiciona outra dimensão às forças que agem contra o luger.
![]() Foto cedida 2005 Torino 2006 |
A força centrífuga força o competidor para fora da curva. Para manter a velocidade, ele deve encontrar o equilíbrio perfeito entre a força centrífuga e a força da gravidade que o puxa para a parte inferior da pista. Isso significa encontrar o "ponto ideal" e ficar lá. Se conseguir equilibrar as forças, o trenó irá se mover suavemente por cada curva e no retorno às retas. Mas se não encontrar o equilíbrio, o competidor terá de manobrar demais, diminuindo a velocidade da descida.
Com tanto a se pensar em tão pouco tempo, os atletas do luge treinam o ano todo para reduzir uns milésimos de segundo do seu tempo. Na próxima seção, vamos descobrir como é o treinamento do luge.
*A força centrífuga não existe na verdade. Trata-se de uma maneira de descrever o que acontece ao corpo quando ele encontra uma rotação de alta velocidade.