Brasil

A história oficial do futebol no Brasil passa pela chegada do paulista Charles Miller - que estava estudando na Inglaterra - a São Paulo, em 1884. Segundo consta, ele teria trazido uma bola, calções e chuteiras na bagagem, tornando-se, assim, o precursor da modalidade no país.


A partir de então, a prática começaria a se expandir pela cidade, ao mesmo tempo em que chegava a outros estados brasileiros, como o Rio de Janeiro. Aos poucos, os clubes sociais dos grandes municípios passaram a criar seus departamentos de futebol, e, dessa forma, surgiram os primeiros torneios.


Inicialmente, o futebol era majoritariamente praticado por pessoas de classes sociais mais altas, as quais tinham acesso aos locais restritos onde o esporte era jogado. Aos poucos, porém, ele foi se massificando, atingindo o interesse também da população economicamente menos favorecida. Começava assim a tradição do país no esporte. Com muitos praticantes em todo o território nacional, o Brasil passou a disputar e a se destacar em torneios internacionais.


Os primeiros ídolos brasileiros são da década de 1920. Nessa época, os grandes nomes do futebol paulista foram Arthur Fridenreich e Neco. Depois, na década de 1930, surgiram nomes como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, que representaram o país no Mundial de 1938, na França, quando a seleção terminou na terceira colocação.


Em 1950, a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, e o torneio marcou uma das maiores decepções da história do esporte no país. O time comandado por Jair da Rosa Pinto, Zizinho e Ademir de Menezes perdeu a final para os rivais do Uruguai por 2 a 1 diante de um Maracanã, então recém-inaugurado, lotado. Nesse dia, as catracas do estádio foram abertas, e estima-se que havia mais de 200 mil torcedores no local. A trágica derrota fez o Brasil mudar a cor do uniforme. O branco de até então passou a ser malvisto e acabou substituído.


O trauma só será esquecido oito anos depois, quando a seleção, já vestindo a tradicional camisa amarela, conquistou a Copa do Mundo na Suécia com uma vitória por 5 a 2, de virada, sobre os donos da casa na final, com Didi, Pelé e Garrincha em campo. Em 1962 viria o bi. No Chile, o time brasileiro desbancou a Tchecoslováquia com uma vitória por 3 a 1 sem Pelé, machucado, e com Garrincha e Amarildo no comando do ataque.


O auge dessa geração, porém, foi em 1970, no México, quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial e ficou com a Taça Jules Rimet definitivamente. Esse time, que tinha Pelé, Tostão, Gérson, Clodoaldo, Rivellino e Jairzinho em campo, é considerado por muitos o melhor da história. No entanto, a quarta conquista só viria 24 anos depois. Isso porque a geração de 1980, que disputou as Copas de 82 e 86 sob o comando do técnico Telê Santana e com nomes como Zico, Falcão, Sócrates e Careca, não conseguiu nenhum título mundial.

Em 1994, nos Estados Unidos, a equipe do treinador Carlos Alberto Parreira venceu a Copa ao derrotar a Itália nos pênaltis, na final. O grande nome da seleção brasileira na ocasião foi o atacante Romário, que marcou cinco gols e acabou eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo no fim daquele ano.

A Copa seguinte marcaria uma nova decepção para o futebol brasileiro. Sob o comando de Zagallo, o Brasil perdeu a final do Mundial de 1998, que aconteceu na França, para os donos da casa (3 a 0 para os europeus). A resposta viria em 2002. Com Ronaldo e Rivaldo em campo, o Brasil, então liderado pelo treinador Luiz Felipe Scolari, venceu seu quinto título mundial ao superar a Alemanha por 2 a 0 na partida decisiva.


Na última edição, porém, os brasileiros viram o time do técnico Carlos Alberto Parreira perder a Copa do Mundo da Alemanha ao ser superado pela França nas quartas-de-final por 1 a 0. Na ocasião, o Brasil era considerado amplo favorito ao título do torneio, sobretudo por ter em seu time estrelas como Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo.

 


Imagem cedida pela Confederação Brasileira de Futebol
CBF Multimídia/Divulgação
Kaká

 

Mas se por um lado o futebol masculino tem décadas de história, a versão feminina da modalidade demorou a aparecer. Com as primeiras competições nacionais surgindo no início dos anos 90, o esporte dava sinais que poderia engrenar entre as mulheres, com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), inclusive, formando uma seleção da modalidade.

A falta de campeonatos internos e de apoio, no entanto, acabou cerceando o crescimento e freando o surgimento de talentos. Apesar desse cenário, momentos esporádicos renderam ao Brasil alguns bons resultados. As meninas foram vice-campeãs olímpicas em 2004, em Atenas, com nomes como Martha, Pretinha e Cristiane em campo. A vitória das norte-americanas por 1 a 0 veio somente na prorrogação. A história se repetiu em 2008 - novamente a seleção feminina perdeu na final dos Jogos Olímpicos para as norte-americanas por 1 a 0 na prorrogação.


Mesmo assim, o futebol feminino continuou sem um campeonato organizado e com as principais atletas brasileiras atuando na Europa. Foi lá que Martha, defendendo o Umea, da Suécia, foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2006 pela Fifa.

 


Imagem cedida pelo Comitê Olímpico Brasileiro
Crédito: Evandro Teixeira/COB/Divulgação