Os animais e o homem

A curiosidade e o interesse pelos animais já inspiravam a arte, a literatura e a religião desde os primórdios da história. Milhares de anos atrás, os primeiros humanos faziam pinturas de animais em rochas e nas paredes das cavernas. As lendas sobre animais eram passadas de uma geração a outra. Muitas pessoas acreditavam em uma relação espiritual entre elas e certos animais, que eram reverenciados como ancestrais e guardiões. Nos tempos antigos, cultuavam deuses em forma de animais e acreditavam que determinados animais eram sagrados para os deuses.

Uso de animais

As pessoas usaram e usam animais. A carne, o sangue e o leite de vários animais servem de alimento. As roupas são feitas de peles e de tecidos feitos de lã e seda. Antigamente, as peles também serviam para fabricar tendas e outros abrigos e, processadas como couro, por exemplo, davam origem a inúmeros outros artigos úteis. As pessoas utilizam os animais para transporte e outros trabalhos, e também como bichinhos de estimação. Vacinas, antitoxinas, hormônios e vários medicamentos são derivados do tecido animal. Para atender melhor as necessidades do homem, as características dos animais domesticados geralmente são modificadas por meio de reprodução controlada (seleção artificial de pares reprodutores).

Certos animais são usados em laboratório para pesquisa científica, como nos testes iniciais de novos medicamentos. Essa pesquisa, às vezes chamada de vivissecção, gerou muitos avanços na medicina, na psicologia e em outros campos, mas também criou muita oposição pelo fato de ser cruel e desnecessária. Nos Estados Unidos, a Lei de Bem-estar Animal (votada em 1966 e emendada em 1970 e em 1976) e certas orientações do Serviço de Saúde Pública estabelecem normas para o tratamento de animais de laboratório.

Animais nocivos

Os animais selvagens, como leões e leopardos na África, e tigres na Ásia, de vez em quando, matam e comem humanos. Doninhas, lobos, ratos e ursos, às vezes, matam e comem animais domésticos. Os animais herbívoros, como coelhos, gophers (espécie de roedor) e vários insetos, destroem plantações. Cobras venenosas, aranhas e escorpiões, além de certos insetos que mordem e picam, são uma fonte de perigo ou incômodo em alguns lugares.

Os animais mais nocivos aos humanos são os que transmitem ou causam doenças. Alguns mosquitos transmitem a malária; em algumas partes da África, a mosca tsé-tsé transmite a tripanossomíase africana (doença do sono em humanos e nagana em animais domésticos). As larvas parasitas, como ancilóstomos, tênias e triquinas, e vários fascíolas causam sérias doenças em muitas partes do mundo.

Como os seres humanos afetam outros animais

A domesticação e a criação controlada de animais mudaram a estrutura do corpo e os hábitos de muitos animais. A estrutura troncuda (forte) do gado de corte e as pernas finas e compridas dos cavalos de corrida são exemplos de características desenvolvidas pela reprodução controlada de animais ou seleção artificial.

Os humanos tiravam os animais de seus habitats naturais e os levavam para outros lugares, geralmente, com resultados inesperados. Os mangustos levados para as Índias Ocidentais para destruir os ratos também acabaram com muitos animais inofensivos e queridos, e acabaram se tornando uma praga. Os coelhos e cervos levados para a Nova Zelândia pelos europeus  se transformaram em verdadeiras pestes para a agricultura e para a silvicultura, já que não havia predadores que pudessem controlá-los.

Além disso, o homem destruiu os habitats e diminuiu a variedade de muitas espécies de animais com o desenvolvimento da agricultura e das indústrias. Em muitos casos, essa destruição foi benéfica para o ser humano, mas, em outras, a interferência nas condições naturais causou prejuízos para o próprio homem. O reconhecimento desse fato levou ao estudo de métodos de preservação de animais e de seu ambiente natural.

No entanto, apesar de vários esforços de preservação, dezenas de espécies de animais selvagens desapareceram da terra nos últimos 200 anos, boa parte como resultado direto da alteração humana de seu habitat ou da caça excessiva. Alguns exemplos são o dodô, o pombo-passageiro e a vaca-marinha de Steller. Centenas de outras espécies de animais estão em risco de extinção e o mundo tem se esforçado para salvá-las. Os animais ameaçados incluem o tigre, a anta-brasileira, a lontra gigante, o condor-da-califórnia, o grou-americano e várias espécies de baleias.

Inteligência animal
Muitos animais conseguem aprender alguns truques se forem cuidadosamente treinados. Mas essa habilidade não é um sinal de inteligência. Até as pulgas podem ser treinadas como atrações de circo.
Os símios e macacos têm boa parte da inteligência dos humanos. Os chimpanzés parecem ser os mais avançados. Podem fazer ferramentas, planejar buscas complicadas a alimentos e até contar. Também podem se comunicar por meio de símbolos. Por exemplo, podem usar certos gestos para simbolizar objetos, ações ou estados específicos.
Grandes mamíferos aquáticos, como golfinhos, baleias e leões-marinhos, têm cérebros muito semelhantes aos dos seres humanos. São capazes de aprender a comunicação simbólica, que pode ser semelhante à linguagem humana. Por exemplo, os golfinhos parecem reconhecer as diferenças de significado com base na ordem em que os símbolos são apresentados.
Os mamíferos carnívoros das famílias do gato e do cachorro mostram uma capacidade de aprendizagem tão boa quanto, ou até melhor que todos os animais, com exceção dos símios, de alguns macacos e dos grandes mamíferos aquáticos. Leões, tigres e lobos provavelmente conseguem aprender com mais rapidez do que gatos ou cachorros domesticados.
Os elefantes e os porcos são os melhores solucionadores de problemas entre os animais ungulados (com dedos providos de cascos).
Os roedores geralmente são bons para encontrar o caminho certo por trajetos complicados.
Aves, como o corvo e o pombo, podem resolver problemas simples de cálculo. Os papagaios conseguem aprender a falar e a usar as palavras de acordo com o seu significado para nomear e contar objetos.
Os anfíbios e répteis são difíceis de serem testados, mas os jacarés, os crocodilos, as tartarugas e os lagartos-monitores gigantes podem se igualar aos mamíferos e aves quanto à localização de fontes de alimento e a algumas outras formas de aprendizagem não-sociais.
O salmão e alguns outros tipos de peixe podem se lembrar de odores por muitos anos. Os tubarões possuem cérebros tão grandes quanto os de algumas aves e mamíferos. Eles têm sentidos aguçados e são surpreendentemente espertos para encontrar comida e evitar o perigo.
Os animais invertebrados normalmente parecem aprender bem pouco. Mas alguns têm habilidades específicas e extraordinárias que envolvem aprendizagem de comunicação, alimento e localização. Muitos cientistas consideram que os polvos apresentam os cérebros mais complexos de todos os invertebrados. Eles aprendem rapidamente e têm personalidades distintas.