![]() Imagem cedida Urban Freeflow Ez, do Urban Freeflow, pula sobre um vão a 13 metros acima do solo |
Essa é a idéia básica do parkour. E ele pode ser tão empolgante e glamouroso quanto parece, especialmente quando realizado por profissionais. Mas seus praticantes, chamados de traceurs (homens) e traceuses (mulheres), devido à sua origem francesa, vêem o parkour como algo que vai muito além disso. Neste artigo, vamos olhar o parkour mais de perto, sua filosofia, como ele começou e qual o seu futuro.
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O parkour é uma disciplina, esporte e hobby internacional que é melhor descrito como a arte de seguir em frente apesar dos obstáculos ou, colocando de forma mais simples, a arte do movimento. O objetivo principal do parkour é nunca retroceder, superando os obstáculos de forma fluida, com força, originalidade e velocidade.
![]() Imagem cedida de Urban Freeflow Forrest, do Urban Freeflow, realiza um salto de precisão para uma cena do "Discovery Channel" |
O desenvolvimento do parkour em uma disciplina coesa começou em 1988, em Lisses, na França, quando David Belle tinha 15 anos de idade. Belle foi muito influenciado pelas experiências de seu pai como um renomado salva-vidas e bombeiro militar no regimento parisiense dos "sapeurs-pompiers" (Corpo de Bombeiros da França). Sendo um atleta muito talentoso e hábil, o pai de Belle, Raymond, adaptou-se bem à filosofia de treinamento do perito em educação física Georges Hébert, um ex-oficial da marinha.
Durante uma viagem pela África com a Marinha Francesa, Hébert testemunhou o impressionante porte atlético dos povos indígenas e como eles o atingiam através da interação com seu meio ambiente. Sobre os índios, Hébert disse o seguinte: "seus corpos eram esplêndidos, flexíveis, ágeis, habilidosos e resistentes, embora não tivessem nenhum outro professor de ginástica além de sua vida na natureza". Isso o levou a desenvolver o Método Natural, ou "méthode natural", que utiliza apenas o corpo e seu meio ambiente para o desenvolvimento físico. Hébert acreditava que o propósito da educação física era criar indivíduos fortes e com corpos úteis à sociedade.
O treinamento holístico desenvolvido por Hébert enfatiza a integração da mente e do corpo humanos para superar obstáculos correndo, pulando, saltando, engatinhando e escalando. Seus esforços contribuíram diretamente para o curso militar de obstáculos, ou parcours du combattant. Esse curso, ainda usado pelas forças armadas francesas, consiste em diferentes estações, como escalar e balançar em cordas, equilíbrar-se em vigas de madeira e subir escadas. Através dessas atividades, os praticantes superam seus medos e fraquezas físicas por meio da repetição constante.
![]() Imagem cedida de Urban Freeflow Sébastien Foucan pula sobre um vão no teto de um estádio para o "Jump Britain" |
Foi o amor de Belle pelos filmes de artes marciais, especialmente o trabalho de Bruce Lee (e as situações que ele imaginava, geralmente relacionadas a resgates, fugas e perseguições) que o inspirou nos estágios iniciais do parkour e que permanece ainda hoje como uma fonte de inspiração para outras pessoas. A abordagem de Lee nas artes marciais tinha um contraste gritante com a de seus contemporâneos. Em vez da estrutura rígida dos outros, sua abordagem abrangia capacidade de adaptação e evolução, ambos pontos centrais no parkour.
Embora Belle tenha desenvolvido o parkour com amigos, sua capacidade atlética excepcional o impulsionou como o líder da disciplina, colocando-o sob os holofotes, onde permanece até hoje, mesmo que relutantemente. Outros que contribuíram para o desenvolvimento do parkour incluem Sebastien Foucan, Kazuma e Stephane Vigroux. O parkour costuma ser comparado ao skate, em grande parte devido ao uso do terreno urbano para a realização de seus "truques". Contudo, a maioria dos "traceurs" rejeita essa comparação por considerar sua associação com a imagem pública negativa do skate (como típico da juventude rebelde e mal-orientada) errada e injusta.
![]() Imagem cedida de Urban Freeflow Blue, do Urban Freeflow, realiza um "saut de chat" |
O parkour chamou a atenção do grande público com a ajuda de "Rush Hour", um curta promocional para a BBC ONE. O filme mostra o fundador do parkour, David Belle, correndo pelos telhados de Londres, saltando de um prédio a outro para evitar o congestionamento. O filme mexeu com a imaginação do público e logo surgiram outros traceurs. Infelizmente, como o parkour ainda não havia sido organizado, esses novos traceurs (adolescentes, em sua maioria) não tinham instrução correta e agiram totalmente fora do contexto do parkour. Belle e seus parceiros haviam atingido seu nível de habilidade através de treinamento estruturado durante mais de uma década. O que aconteceu com os outros jovens foram lesões e, no caso de dois pobres garotos na França, a morte.
![]() Imagem cedida de Urban Freeflow Sébastien Foucan completa um saut de bras |
Quando o parkour chegou aos países de língua inglesa, recebeu outro nome: "corrida livre", principalmente para facilitar seu uso e memorização. Agora, os dois termos representam uma triste fissura na comunidade do parkour. Os puristas argumentam que, embora muito semelhante ao parkour, a corrida livre é mais liberal no que se refere à regra de não retroceder no movimento. Desse lado da discussão, o parkour, em sua forma tradicional, foi criado para ser apenas prático e eficiente, enquanto a corrida livre permite que os movimentos sejam simplesmente estéticos.
Grupos como o Urban Freeflow são criticados em fóruns online por "prostituirem" a arte do parkour pela sua participação em projetos com grande visibilidade na mídia, como anúncios de TV, filmes e eventos empresariais. No entanto, tendo em vista a participação de David Belle na TV e em filmes, assim como a participação dos outros fundadores do parkour, torna-se difícil apoiar essa posição. Outros argumentam contra a posição dos puristas utilizando os exemplos de outros esportes, e alegam que a comercialização e a competição não diminuem a experiência individual, que depende de cada praticante.
Atualmente, não existem competições oficiais de parkour. E se depender dos puristas, nunca haverá. O principal escritor do Urban Freeflow, Dan Edwardes, diz que a "competição já existe em vários níveis dentro da comunidade da corrida livre: amigos desafiam uns aos outros para superar suas mais recentes tentativas, parceiros de treinamento forçam um ao outro durante os treinos (mesmo involuntariamente), membros da mesma equipe se inspiram na energia e feitos dos outros membros para buscar novas fronteiras e superá-las. E isso é competição, mesmo que aconteça dentro de um contexto menos rígido e perfeitamente amigável."
A seguir, vamos dar uma olhada nos movimentos do parkour e nos programas de treinamento oferecidos pelo Urban Freeflow.
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