Introdução a E se as pistas de Fórmula 1 tivessem a forma de looping ao invés de serem planas?

Carro de corrida voando na pista.
John Foxx/Getty Images
A uma determinada velocidade, a pista de corrida poderia ter qualquer formato que, ainda assim, os carros permaneceriam nela

Se você já observou um carro de Fórmula 1, da Fórmula Indy ou da Champ Car, já sabe que uma grande parte da carroceria é o pacote aerodinâmico do carro. As asas estão nas partes dianteira e traseira. Porém, essas asas são montadas de cabeça pra baixo. A finalidade não é dar sustentação, como ocorre com as asas de um avião. Ao invés disso, elas foram projetadas para forçar o carro contra a pista e fornecer uma melhor tração e uma condução mais estável. Quando o carro atinge cerca de 320 km/h, fica grudado na pista pelas forças aerodinâmicas geradas pelas asas. Nessa velocidade, o carro pode correr no teto de um túnel, se você assim quiser.

Isto significa que, enquanto o carros estiverem se movendo a uma velocidade constante de 320 km/h, a pista de corrida pode ter qualquer formato desejado. Por exemplo, é possível criar uma pista circular com as paredes completamente verticais. É possível, também, criar vários loopings ou fazer com que os carros corram de cabeça para baixo. Realmente não importa o formato, pois o carro se adere à pista.

Enquanto o formato da pista não expuser os pilotos a uma força superior a 4 Gs (mas, de preferência, não inferior a 3 Gs) e houver força suficiente nos pneus para mantê-los firmemente aderidos à pista, os carros e pilotos podem correr em pistas com praticamente qualquer formato.

Correndo no limite

Existem limites definidos do que o corpo humano pode suportar. Eis aqui um ótimo exemplo. Em 2001, a CART (Championship Auto Racing Teams ou Campeonato de Equipes de Corridas de Automóveis) tinha uma corrida agendada para o Texas Motor Speedway. Essa é uma pista oval curta de 2,4 km com curvas inclinadas a 24 graus.

Quando os pilotos faziam o reconhecimento da pista, com seu carros a 385 km/h, a maioria sentiu tonturas e vertigens. Isso ocorreu porque as curvas fechadas àquela velocidade, expunham os pilotos a 5 Gs (cinco vezes a força da gravidade ou força G). Uma pista normal tem, no máximo, cerca de 3 Gs. A 5 Gs, uma pessoa que pesa 50 kg sente-se como se tivesse 250 kg. Uma força de 5 Gs é o suficiente para causar problemas no fluxo sangüíneo para o cérebro e também pode afetar os sensores de equilíbrio no ouvido interno.