Em 1994, as associações de proprietários e de jogadores da Liga de Futebol Americano aprovaram um novo acordo de barganha coletiva. Esse acordo incluiu um teto salarial, estabelecido para impedir que os salários dos jogadores aumentassem a partir do valor nos quais foram acertados. Basicamente, o teto salarial é uma determinada quantia que cada um dos times da NFL pode gastar com os salários dos jogadores por ano. Na temporada de 2001, essa quantia foi de cerca de US$ 67,4 milhões ou 63% das receitas brutas definidas pela Liga em 2000 pelos 31 times da NFL.

A princípio, esse valor pode parecer alto. Quando você divide por uma média de 57 jogadores em uma lista da NFL durante a temporada, o resultado é um salário de cerca de US$1,18 milhão por jogador. Ou seja, muito dinheiro! Entretanto, cada equipe normalmente tem alguns jogadores bem remunerados, como um quarterback ou running back famoso. Suponhamos que um time tenha dois jogadores famosos, cada um recebendo US$8 milhões por ano. Isso delimita o teto em US$51,4 milhões para 55 jogadores, fazendo uma média salarial de US$245 mil para cada um dos outros jogadores.

Como os salários continuaram a aumentar acima do teto salarial, os times encontraram formas para ignorá-lo. Os bônus de assinatura do contrato não compõem o teto do time em um determinado ano. Um jogador que receber um bônus de assinatura do contrato ganhará mais dinheiro naquele ano do que seu "salário" declarado, deixando espaço no teto para outros jogadores.

Digamos que um jogador queira fazer um contrato de sete anos no valor de US$60 milhões. Vamos supor que o proprietário decida conceder a esse jogador um bônus de US$11 milhões de assinatura do contrato, que será saldado no primeiro ano, mas é computado no teto como pro rata no período do contrato de sete anos, ou seja, US$11 milhões / 7 anos = US$1,57 milhão por ano. A maioria dos contratos da NFL é "resgatada": a maior parte do salário-base está concentrada nos últimos dois ou três anos do contrato. Se considerarmos que o contrato do nosso jogador é estruturado para que ele tenha um salário-base de US$2 milhões no primeiro ano, com os salários-base mais elevados nos últimos dois anos de contrato, os US$13 milhões, salário-base e bônus de assinatura do contrato, saldados no primeiro ano figuram como US$3,57 milhões para o teto. Para o proprietário, a vantagem dos bônus de assinatura do contrato é que ele fica com mais dinheiro para gastar de acordo com o teto. É dessa forma que o Washington Redskins administrou uma folha de pagamento de US$92,41 milhões na temporada de 2000 quando o teto era US$67 milhões. Para o jogador, a vantagem é que todo o dinheiro do bônus de assinatura do contrato será pago com certeza, enquanto um contrato com a NFL não é garantido.

Entretanto, há desvantagens para o proprietário ao firmar bônus de assinatura do contrato. Como o jogador tem a garantia de receber o bônus, se ele for dispensado, negociado ou recusado, o valor integral do bônus que estava sendo considerado como pro rata ao longo da vigência do contrato será adiantado para o ano em questão. Portanto, se o time dispensou seu jogador famoso depois do terceiro ano de contrato antes de 1º de junho, seja por qual razão for, o valor restante do bônus (quase US$6,3 milhões) será contabilizado no teto do ano seguinte. Se o time dispensar o jogador após 1º de junho, apenas o US$1,57 milhão anual será computado no ano seguinte e o valor restante será considerado no ano subseqüente.

Algumas equipes tiveram problemas ao usar os bônus de assinatura do contrato, ficando sem grandes parcelas do teto que foram destinadas a jogadores que não atuaram por vários anos. Com muito menos dinheiro para gastar em relação aos times rivais, eles têm menos chances de montar uma equipe bastante competitiva no ano em questão, já que os melhores agentes normalmente vão aonde está o dinheiro.

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