Os brasileiros no torneio
Roland Garros é sim o torneio predileto dos brasileiros, seja em função do saibro no qual os brasileiros deslizam muito bem, seja em função do glamour que envolve o evento. Prova disso é que, muito antes de Guga levantar o tão sonhado troféu em 97, os brasileiros já haviam jogado muito bem em Paris.
Maria Esther Bueno foi vice-campeã na chave de simples em 64, além de ter sido campeã de duplas e duplas mistas em 1960.
Fernando Meligeni fez uma campanha surpreendente em 99, alcançando a semifinal. Fininho, até então número 54 do ranking, derrotou na estréia o norte-americano Justin Gimelston e, em seguida, venceu o marroquino Younes El Anaoui. Na terceira rodada, Meligeni passou pelo australiano Patrick Rafter, terceiro colocado no ranking mundial da época. Nas oitavas-de-final o brasileiro derrotou o espanhol Felix Mantilla, vencendo em seguida, em partida válida pelas quartas-de-final, o também espanhol Alex Corretja. Meligeni só parou a sua trajetória rumo ao título quando foi derrotado por uma zebra ainda maior do que ele mesmo. O ucraniano, Andrei Medvedev, que estava na 100ª posição do ranking, venceu o brasileiro por 3 a 1 e classificou-se para a final, perdendo em seguida para André Agassi.
 Chritophe Saidi - FFT Os brasileiros gostam de jogar no saibro de Roland Garros |
Flávio Saretta, Jaime Oncins e Carlos Alberto Kirmayr chegaram às oitavas-de-final nas chaves de simples. Em duplas, os brasileiros foram ainda melhor. Thomaz Koch foi campeão de duplas mistas em 1975, Jaime Oncins venceu em 2001, e a dupla de brasileiros, Cássio Motta e Cláudia Monteiro, foi vice-campeã em 82.
Melhor ainda do que nas chaves de duplas, é o histórico da participação brasileira no torneio juvenil, no qual já disputamos quatro finais. Edison Mandarino, Thomaz Koch e Luis Felipe Tavares foram vice-campeões, respectivamente nos anos de 1959, 1962 e 1963. Já Guga e o equatoriano Nicolas Lappenti foram campeões de duplas em 94.
Mas realmente, quem fez história no saibro de Roland Garros foi o catarinense Gustavo Kuerten. Guga estreou como profissional no torneio francês em 1996. Nesse ano ele passou pelos três jogos no qualifying e perdeu na primeira rodada da chave principal para Wayne Ferreira, número 10 do ranking, por 6/4 7/5 7/6.
No ano seguinte, 1997, o brasileiro entrou no torneio como o número 66 do ranking mundial. Passou pela primeira partida, pela segunda, pela terceira...e o mundo do tênis começou a enxergar o “azarão” brasileiro. Nas oitavas-de-final Guga derrotou o ucraniano Andrei Medvedev, no quinto set, e com muito sofrimento, pois o jogo começou em um dia e terminou no outro, com um placar de 5/7 6/1 6/2 1/6 7/5.
Já nas quartas-de-final, pedreira pela frente. Guga enfrentaria o campeão do ano anterior, o russo Yevgeny Kafelnikov. Novamente, cinco sets e a vitória surpreendente do brasileiro. Na semifinal, tudo indicaria que Guga não teria tantos problemas já que seu adversário, o belga Felip Dewulf, não era assim um grande astro. Dito e feito: 3 a 1 para o brasileiro.
Na final, Guga já estava completamente envolvido com o torneio e, muito provavelmente, derrotaria qualquer adversário. Sergi Bruguera, espanhol que já havia vencido o mesmo torneio em 93 e 94 foi derrotado pelo brasileiro por fáceis 3 sets a 0 (6/3 6/4 6/2). Na premiação, Guga recebeu os troféus de Bjorn Borg, a quem fez uma reverência.
 Arquivo pessoal de Guga Roland Garros - 1997
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O ano seguinte, 1998, foi bastante conturbado para o brasileiro. A pressão foi enorme. Guga passou pela primeira rodada, mas acabou perdendo na partida seguinte para o russo “desconhecido” até então, Marat Safin. 1999 – mais pressão. Guga já figurava entre os primeiros do ranking do mundial e isso significava o favoritismo em Roland Garros, já que ele havia conquistado os títulos de Roma e Monte Carlo. Guga até que foi bem, perdendo apenas nas quartas-de-final para Andrei Medvedev por 3 sets a 0.
No torneio do ano 2000, Guga era novamente favorito. Já bem mais acostumado com a pressão, o brasileiro entrou com muita confiança e venceu de forma relativamente tranqüila os seus 4 primeiros jogos. A coisa complicou apenas nas quartas-de-final, jogo no qual Guga derrotou o russo Yevgeny Kafelnikov virando a partida e vencendo por 6/4 no quinto e último set. Na semi, duelo contra o espanhol sensação do torneio, Juan Carlos Ferrero. Guga venceu por 3 a 1. Na final, o brasileiro enfrentou o sueco Magnus Norman, vencendo também por 3 a 1.
No ano seguinte, 2001, Guga já não chegou como o grande favorito ao torneio, mas pouco a pouco ele foi trilhando o seu caminho para mais um título memorável. Esta edição também marcou o momento mais dramático de todas as participações do brasileiro em Roland Garros. Nas oitavas-de-final, o norte-americano Michael Russel, que havia saído do qualifying, por pouco não derrotou-o. Russel venceu os dois primeiros sets e abriu 5 a 2 no terceiro, chegando a ter match point no jogo.
 Arquivo pessoal de Guga Guga é campeão de Roland Garros em 2001
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Guga, porém, buscando forças não se sabe de onde, virou o jogo vencendo não só aquele set como os dois seguintes. Ao final da partida Guga desenhou um coração na quadra, agradecendo o apoio do público e demonstrando o seu amor por Roland Garros. A partir daí, ninguém mais segurava o brasileiro que na grande final venceu o espanhol Alex Corretja por 3 a 1.
Nos anos seguintes, Guga já sofria com o pós-operatório de sua lesão. Em 2002 e 2003 o brasileiro alcançou as oitavas-de-final. Em 2004, Guga chegou até as quartas-de-final, fazendo uma ótima campanha. Em 2005, após a segunda cirurgia, o brasileiro caiu na primeira rodada.
Em 2006 e 2007, o brasileiro optou por não participar do torneio em função do tratamento no quadril. E em 2008, Guga escolheu Roland Garros para despedir-se oficialmente das quadras de tênis.
Na próxima página, fique por dentro de tudo o que acontecerá na edição deste ano de Roland Garros.