História

A Corrida de São Silvestre teve início no ano de 1924, mais precisamente no último dia do ano - 31 de dezembro. O jornalista Cásper Líbero trouxe a idéia da França, onde assistiu uma corrida noturna na qual os competidores carregavam tochas.

Inicialmente apenas os homens podiam participar e o vencedor daquele ano foi Alfredo Gomes, atleta do Clube Espéria. A primeira corrida contou com a participação exclusiva de paulistanos. No ano seguinte já participaram atletas do interior de São Paulo e logo corredores de outros Estados também passaram a competir. Os paulistas, porém, venceram a corrida por 16 anos seguidos!

São Silvestre 2008 - feminino
Márcio Kato/ZDL
Ymer Wude Ayalew, campeã da prova em 2008

O recordista de títulos

O maior vencedor da história da São Silvestre é Paul Tergat. O atleta do Quênia obteve uma façanha inédita na prova ao conquistar cinco títulos: 95, 96, 98, 99 e 2000.

A corrida seguiu assim, disputada apenas por homens e brasileiros, até a sua 20ª edição, em 1945. Naquele ano foram convidados atletas chilenos e uruguaios. A partir de então, a corrida foi aberta para atletas do mundo todo e passou a ser chamada de Corrida Internacional de São Silvestre.

Em 1975, outra grande virada. Inspirados no Ano Internacional da Mulher, institucionalizado pela ONU, os organizadores da São Silvestre abriram a corrida para a participação feminina. A primeira mulher a vencer a São Silvestre foi a alemã Christa Valensieck. Durante muitos anos as mulheres correram ao lado dos homens, porém, com classificação diferenciada.


Imagem cedida por ZDL Comunicação
Sérgio Shibuya/ZDL
Largada feminina 2006

As estrangeiras dominaram a São Silvestre durante longos 20 anos. Talvez a mais conhecida e que tenha o maior destaque tenha sido a portuguesa Rosa Mota, que subiu ao pódio em três ocasiões – 1989, 1990 e 1992. A corredora Carmem de Oliveira escreveu seu nome na história da corrida ao ser a primeira brasileira a vencer a competição, em 1995.

A primeira edição

Apenas 48 atletas participaram da primeira edição da São Silvestre, em 1924. Atualmente, 20 mil corredores disputam a prova.

No decorrer dos anos, diversas alterações aconteceram na São Silvestre. As mulheres, por exemplo, não correm mais ao lado dos homens – as provas masculinas e femininas foram separadas. O percurso inicial de 5, 5 km foi ampliado para 13 km e finalmente para 15 km, atendendo às especificações da Federação Internacional de Atletismo. Vale lembrar que a São Silvestre é considerada uma corrida de rua – para valer como maratona a prova deve conter 42 km.

O horário da São Silvestre também mudou. Até 1988 os corredores cruzavam a linha de chegada por volta de meia-noite. Já a partir do ano seguinte, o horário da corrida mudou – as mulheres passaram a largar às 15 h e os homens às 17 h. Além disso, o sentido do percurso também foi alterado.


Imagem cedida por ZDL Comunicação
Sérgio Shibuya/ZDL
Largada masculina 2006

Na 74ª edição, outras duas novidades – chip para os corredores de elite (servem para apurar eletronicamente o tempo/distância) e a abertura das duas pistas da Avenida Paulista para a chegada.

Cásper Líbero


Natural de Bragança, interior paulista, e nascido em 1889, Cásper Líbero foi um dos mais célebres jornalistas brasileiros. Cásper fundou o jornal "Última Hora", em 1911. Dois anos depois, inaugurou a primeira agência de notícias brasileira, a Agência Americana. Em seguida, ingressou na redação de "O Estado de S. Paulo", tornando-se diretor da sucursal do jornal paulista no Rio de Janeiro.

Em 1918, assumiu “A Gazeta”, que se tornou um dos mais importantes órgãos de imprensa de São Paulo da época. Apaixonado por esporte, Cásper atuou na direção de A Gazeta Esportiva, promovendo eventos esportivos importantes, como a "Prova Ciclística 9 de Julho" e a "Corrida de São Silvestre".

Na manhã do dia 27 de agosto de 1943, Cásper morreu, aos 54 anos, em um acidente aéreo. O avião da Vasp tentava aterrissar no aeroporto Santos Dumont , mas se chocou com uma torre da Escola Naval. Após sua morte, o jornalista legou a São Paulo a Fundação Cásper Libero, englobando o jornal, rádio e TV Gazeta, fundada em 1970. Em seu testamento, Cásper determinou a criação de uma escola de jornalismo, a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero.