A gaiola de proteção
O segredo para sobreviver a uma colisão é o carro retirar a energia aplicada ao corpo do piloto o mais lentamente possível. Carros de passeio possuem muitos dispositivos de segurança projetados com isso em mente, sua estrutura é projetada para colidir e assim absorver bastante energia, dando a outros dispositivos de segurança, tais como cintos de segurança e airbags, mais tempo para desacelerar o corpo do piloto.
Um carro da NASCAR utiliza algumas dessas técnicas. A estrutura possui três peças:
Além de ser desmontável, a parte frontal está projetada para empurrar o motor para fora da parte inferior do carro - em vez de empurrá-lo para dentro do habitáculo do piloto - durante um acidente.
O banco
O banco tem diversas funções importantes:
No passado, muitas mortes ocorriam quando os pilotos eram arremessados de seus carros com seus bancos. Para impedir isso, as regras da NASCAR agora exigem que o banco seja fixado, em diversos pontos, diretamente na estrutura tubular que forma a gaiola de proteção, que é, algumas vezes, a única parte do carro que permanece intacta após a colisão.
O formato do banco também é importante. A maioria dos bancos encontrados em carros de corrida da NASCAR envolve a caixa torácica do piloto. Isso fornece certa proteção durante a colisão, distribuindo a carga por toda a caixa torácica em vez de deixá-la concentrada em um ponto menor. Alguns bancos mais novos também envolvem os ombros do piloto, o que fornece melhor proteção, pois os ombros são mais resistentes do que a caixa torácica.
![]() O banco em um carro de corrida da NASCAR: observe como o banco envolve firmemente as costelas e os ombros do piloto |
Contenções
Os cintos de segurança e o banco transferem para o carro a maior parte da energia aplicada ao piloto durante uma colisão. Em um carro de passeio, os cintos de segurança são projetados para se esticarem durante uma colisão, o que limita a força aplicada ao piloto e lhe dá um pouco mais de tempo para desacelerar. Em um veículo da NASCAR, entretanto, os cintos de segurança são muito mais fortes - eles são projetados para prender firmemente o piloto em seu banco, de modo que seu corpo desacelere junto com o carro.
A contenção utilizada nos carros de corrida da NASCAR é uma armação de cinco pontos. Dois segmentos descem sobre os ombros do piloto, dois envolvem a cintura e um sobe entre as pernas. Os segmentos do cinto são feitos de tecido de nylon grosso e acolchoado, eles são muito mais resistentes do que os cintos de segurança de um carro de passeio.
Recentemente, diversas mortes ocorreram como resultado de traumas graves na cabeça e pescoço. Na esperança de impedir esses tipos de lesões, a NASCAR exigirá o uso de um sistema aprovado de contenção de cabeça e pescoço. Em outubro de 2001, os dirigentes da NASCAR tornaram obrigatório o uso dos sistemas de contenção de cabeça e pescoço para todos os pilotos que competiam na Winston Cup Series, Nascar Busch Series ou Nascar Craftsman Truck Series.
Redes de janela
As aberturas da janela nos carros são cobertas por uma malha feita de nylon. Este tecido ajuda a impedir que os braços do piloto saiam para fora do carro durante uma colisão. A força-G é tão intensa durante uma colisão - entre 50 e 100 vezes a força da gravidade - que seria impossível para o piloto controlar o movimento de seus braços. Isso pode ser especialmente perigoso se o carro capotar.
![]() A cobertura de rede da janela do piloto é projetada para manter os destroços no lado de fora e os membros do piloto no lado de dentro, durante um acidente |
A rede também tem uma rápida liberação para que o piloto possa retirá-la sem muito esforço.
Abas de teto
Em 1994, a NASCAR introduziu os abas de teto - um dispositivo de segurança projetado para evitar que os carros voassem e capotassem pela pista. Antes disso, quando os carros derrapavam em alta velocidade (mais de 324 km/h), eles freqüentemente voavam pelo ar quando tivessem girado cerca de 140 graus. Nesse ângulo, o carro assume uma forma que interage com o vento de forma muito semelhante a uma asa.
![]() Quando um carro tiver girado cerca de 140 graus, sua forma é muito similar a de uma asa |
Se a velocidade do carro for alta o bastante, ela gerará elevação suficiente para pegar o carro. Para evitar isso, os dirigentes da NASCAR desenvolveram um conjunto de abas que são instalados em bolsos no teto do carro. Nos testes em túnel de vento, a NASCAR determinou que a área de menor pressão é a parte anterior do teto, próximo ao vidro traseiro.
Quando o carro atinge um ângulo em que gera elevação suficiente, a baixa pressão acima das abas os faz abrir. A primeira aba a abrir é aquela orientada a um ângulo de 140 graus a partir da linha central do carro. Uma vez aberta, esta aba rompe o fluxo de ar sobre o teto, eliminando toda a elevação. Uma área de alta pressão se forma na frente da aba. Este ar em alta pressão flui por um tubo que se conecta ao bolso que contém a segunda aba, provocando a abertura da segunda aba. A segunda aba, que é orientada a 180 graus, garante que o carro continue a eliminar a elevação à medida em que gira. Após o carro ter rodado uma vez, ele normalmente já reduziu a velocidade até o ponto de não produzir mais elevação.
As abas de teto mantêm os carros no solo quando rodam, isso permite que os pneus em derrapagem reduzam a velocidade, preferencialmente permitindo que o piloto retome o controle. Caso contrário, pelo menos a velocidade é reduzida antes da colisão.
O pára-brisa
Os pára-brisas nos carros de corrida da NASCAR são feitos de Lexan, que é o mesmo material de policarbonato utilizado em canopis de aviões de combate. Este material é muito forte, mas também surpreendentemente macio. Essa maciez é na verdade o que proporciona sua força. Quando um objeto atinge o pára-brisa do Lexan, ele não se despedaça. Em vez disso, o objeto trinca, amassa ou se encrusta no pára-brisa.
![]() Os pára-brisas nos carros de corrida da NASCAR são feitos de Lexan, o mesmo material de policarbonato utilizado em vidros à prova de balas |
Os pára-brisas são normalmente construídos a partir de três pedaços relativamente planos de Lexan. Cada pedaço é suportado por uma estrutura incorporada na gaiola de proteção - isto dá ao pára-brisa a força para resistir a objetos grandes. A desvantagem de um pára-brisa de Lexan é que ele risca muito facilmente - você pode riscá-lo com a unha. Um pára-brisa de Lexan puro teria de ser substituído após cada corrida por causa dos riscos causados pela areia e outros detritos na pista. Porém, em vez de substituí-lo, as equipes da NASCAR aplicam um filme adesivo aos pára-brisas que é mais duro que o Lexan e tão claro quanto vidro. Depois de cada corrida, o filme pode ser descolado e substituído, deixando o Lexan sem riscos. Algumas equipes aplicam várias camadas deste filme e as removem uma por vez durante a prova.
Tanques de combustível
Nos anos 50, os carros de corrida da NASCAR utilizavam tanques de combustível de qualquer carro de passeio nos quais fossem baseados. Havia alguns esquemas para reforços de madeira, mas os vazamentos e incêndios eram comuns. Os tanques de combustível de 83,2L de hoje em dia, também denominados células de combustível, possuem recursos de segurança incorporados para limitar a possibilidade de se romperem e explodirem.
As células de combustível possuem uma camada externa de aço e uma camada interna de um plástico duro. A célula de combustível está localizada na parte traseira do carro e está presa no local por quatro prendedores para impedí-la de se soltar durante um acidente. Ela está cheia de espuma, o que reduz o respingamento do combustível e qualquer chance de explosão reduzindo a quantidade de ar na célula. Se a célula inflamar internamente, a espuma absorve a explosão. O carro também possui válvulas de verificação que cortarão o combustível se o motor estiver separado do carro.