O dispositivo HANS

Quatro pilotos da NASCAR morreram na pista desde maio de 2000 - Adam Petty, Kenny Irwin, Tony Roper e Dale Earnhardt Sr. Todos esses pilotos morreram quando seus veículos bateram de frente em um muro de contenção, causando fratura na base do crânio. Alguns acreditam que este tipo de lesão ocorre porque a cabeça do piloto fica desprotegida no carro, enquanto seu corpo está bem preso ao banco.

O risco de lesão grave e possivelmente morte, inspirou seis pilotos da NASCAR a experimentarem um novo dispositivo chamado sistema HANS (Head and Neck Support) nas 500 milhas de Daytona em 2001. Este dispositivo foi desenvolvido em conjunto pelo Dr. Robert Hubbard, professor de engenharia na Universidade do Estado de Michigan e seu cunhado, ex-piloto da IMSA, Jim Downing. O dispositivo HANS é projetado para reduzir a chance de lesões causadas por movimento livre da cabeça durante a colisão.

O dispositivo HANS é um colar semi-rígido de fibra de carbono e Kevlar e é sustentado na parte superior do corpo por uma armação utilizada pelo piloto. Duas correias flexíveis do colar são afixadas ao capacete para impedir que a cabeça se projete abruptamente para frente ou para o lado durante uma colisão. O dispositivo pesa aproximadamente 0,68 kg.

Os médicos dizem que não está claro se o dispositivo HANS poderia ter salvo Earnhardt, mas acredita-se que o dispositivo salvou a vida de um piloto da Championship Auto Racing Teams (CART) em janeiro de 2001. Ao treinar para uma corrida próxima, Bruno Junqueira perdeu o controle e bateu em um muro de concreto a 322 km/h. Junqueira, que estava usando o dispositivo HANS, saiu andando da colisão sem nenhuma lesão.

Os dirigentes da NASCAR disseram que seus carros de corrida são diferentes dos carros da CART e que não estavam certos se o dispositivo seria tão eficiente para pilotos da NASCAR. Os pilotos, inclusive Earnhardt, reclamaram que o dispositivo era muito volumoso, limitaria os movimentos e dificultaria a saída dos pilotos dos carros em situações de emergência. A Hubbard/Downing Inc. disse que estava produzindo apenas três ou quatro desses capacetes por dia, apenas algumas semanas antes das 500 milhas de Daytona em 2001, mas receberam mais de trinta pedidos em algumas horas após a colisão de Earnhardt. A Ford se ofereceu a pagar um dispositivo HANS para qualquer piloto que desejasse utilizá-lo.

Em outubro de 2001, os dirigentes da NASCAR tornaram obrigatório o uso de um sistema aprovado, de limitação de cabeça e pescoço, para todos os pilotos que competiam na Winston Cup Series, Nascar Busch Series ou Nascar Craftsman Truck Series.