A dura vida de um rikishi – lutador de sumô

Autor: 
Ana França

Sumô
Cortesia da Federação Internacional de Sumô

O dia a dia de um rikishi não é nada fácil. Apesar de muitos deles tornarem-se ídolos,  levam uma vida de monge. Os lutadores, previamente escolhidos por algo como os “olheiros” do futebol”, são obrigados a viver em academias onde seguem uma dura rotina. Aliás, não basta ser “escolhido” – para tornar-se um rikishi é preciso ter entre 12 e 15 anos e ser aprovado em um exame concorridíssimo.

Todos dormem, comem e treinam juntos, sendo que os mais novos precisam jurar fidelidade aos mais velhos. São eles também os responsáveis pelas tarefas mais pesadas da casa, como a faxina, por exemplo.

Os lutadores acordam às 6h e já vão direto para a arena onde treinam por quatro horas ininterruptas. Depois disso, pausa para uma refeição. É hora do chankonabe, espécie de ensopado com carne, legumes e tofu – prato que faz parte da dieta dos praticantes do sumô para ganhar peso.  O chankonabe é riquíssimo em proteína e os atletas que estão fora do peso (o ideal é algo em torno de 150kg) devem consumi-lo junto com arroz. Nas competições o chankonabe é feito só com frango – afinal, o rikishi deve manter-se equilibrado sobre duas pernas como o frango e não com quatro como a vaca ou ainda sem os pés no chão, como o peixe...

Sumô
Cortesia da Federação Internacional de Sumô

A gordura dos lutadores de sumô

Os lutadores de sumô acumulam gordura de uma forma um pouco diferente
do que a grande maioria das pessoas obesas.  A”dieta” que eles seguem
juntamente com a prática de exercícios físicos, aliado, é claro, à uma
predisposição genética, faz com que os rikishi acumulem a gordura
subcutânea
.

O acúmulo de gordura subcutânea é menos prejudicial do
que a gordura visceral, por exemplo. Porém, apesar de prejudicar menos
o metabolismo, ela é mais difícil de perder. Quem a tem – os lutadores de
sumô, por exemplo – fica com uma aparência de gordura mole e mórbida.
Porém, a gordura visceral é muito mais danosa já que se acumula ao
redor dos órgãos.

*Fonte – Centro de Nutrição e Saúde da UFRJ

Depois dessa farta refeição é hora de um pequeno descanso para depois engatar novamente em mais quatro horas de treinos. Depois do treino, é hora da segunda refeição do dia. Isso mesmo, eles comem apenas duas vezes por dia – totalizando algo em torno de 8 mil calorias. Os rikishi costumam consumir muito mais calorias do que gastam - vale tudo para manter o peso.

A noite é livre. Não para os iniciantes que precisam lavar a louça, arrumar as camas, etc.  Os mais novos dormem em tatames no chão e só os mais graduados possuem quartos individuais.