Time da segunda divisão administrado como um negócio

Como dito anteriormente, os objetivos dos clubes da primeira divisão em relação ao desenvolvimento dos jogadores devem coexistir de forma pacífica e rentável com os objetivos dos proprietários e administradores de um clube da segunda divisão. De acordo com Mike Birling, que trabalha como assistente de George Habel, gerente geral do Durham Bulls, para lidar com os negócios do time é necessário ficar claro o que o clube da primeira divisão faz e o que a administração do time da segunda divisão faz. Existem também algumas áreas que são de responsabilidade de ambos.

Beisebol é o jogo

Foto cedida pelo Durham Bulls
Torcedores animados entram no DBPA para um jogo do Durham Bulls
Um fato pouco conhecido mas importante é que são as organizações da primeira divisão que decidem quem vai jogar na segunda divisão em uma temporada específica. O processo para determinar quais jogadores e em que times eles jogarão é intenso. Esta decisão só é tomada após muita discussão e um período de seis semanas ou mais nos centros de treinamento durante a primavera.

Este é o motivo pelo qual o escritório central só divulga a listagem final (em inglês) dos jogadores quando os times finalizam os treinos da primaverade acordo com Brian Crichton que é diretor de relações públicas e comunitárias do Durham Bulls. "Nós temos uma lista com cerca de trinta jogadores que provavelmente jogarão", disse ele no final de março. "Mas nós não sabemos exatamente quais os vinte e quatro jogadores que serão selecionados até o último minuto". O Devil Rays toma todas as decisões sobre os jogadores que entram, saem e são promovidos para os níveis superiores. As esposas dos jogadores estão acostumadas com este tipo de vida que os jogadores profissionais levam, nunca sabendo para onde irão e esperando a decisão final dos clubes. Saiba mais sobre como isto funciona no glossário de transações dos jogadores (em inglês) do Durham Bulls.

Foto cedida pelo Durham Bulls
O Tampa Bay Devil Rays, o time patrocinador do Durham Bulls, nos treinos da primavera
O diretor de desenvolvimento dos jogadores de um clube da primeira divisão também determina o gerente que administra o time, os treinadores que trabalham com os jogadores nas habilidades de arremesso, rebatida e recepção da bola, e os preparadores físicos que ajudam os jogadores a se manterem saudáveis e em boa forma. Assim como os jogadores, em muitos clubes os gerentes e treinadores também trabalham para serem promovidos para times de nível superior. O Devil Rays enviou Bill Evers para o Durham como gerente nesta temporada. Esta é a sua quinta temporada com o Devil Rays e a terceira com o Durham Bulls.

Os clubes da primeira divisão mantêm um olho atento nos seus "times de fazenda", enviando olheiros e funcionários do escritório central para assistir aos jogos e ter as estatísticas da evolução dos jogadores. Tudo isto contribui para o desenvolvimento dos jogadores. Outros times também enviam olheiros para sondar novos jogadores que talvez possam ser interessantes de contratar quando os contratos em vigência terminarem e eles estiverem sem contrato.

É também um negócio!
Uma das razões pelas quais o Durham Bulls tem se dado tão bem é que os donos Wolff e Goodmon cuidadosamente fizeram um marketing do time, e não dos jogadores individualmente. É por isto também que as pessoas continuam sendo fãs leais do Bulls, não importando quem esteja jogando no time ou a qual liga da primeira divisão o time está afiliado. A administração de um time de beisebol é encarada como negócio um tipo diferente de negócio, mas ainda assim um negócio.

Mike Birling disse também que "o que as pessoas bem sucedidas nos negócios, como Miles Wolff e Jim Goodmon, entendem é que um jogo de beisebol da segunda divisão tem que oferecer o tipo de entretenimento que possa competir com a ampla escolha de entretenimento que as pessoas tem hoje em dia".


Foto cedida pelo Durham Bulls
A Challenger, uma águia de cabeça branca símbolo dos EUA, é a estrela do show nas aberturas dos jogos no estádio do Durham Bulls

Foto cedida pelo Durham Bulls
O mascote Wool E. Bull (este E no nome significa Educação) tenta evitar que um pequeno torcedor ganhe dele na tradicional "corrida com o Bull"

Por isso, Crichton e a sua equipe fazem de tudo quando os jogos são no estádio do Bulls. Não é simplesmente um jogo, embora muita gente vá ao estádio somente pelo jogo, é um momento emocionante de entretenimento familiar.

No primeiro jogo em casa da temporada de 2000, por exemplo, o time de pára-quedistas do exército dos EUA, os Golden Knights, ajudou o Bulls no início da sua jornada para a conquista do terceiro título consecutivo da Divisão Sul, dando um show de pára-quedismo no campo e entregando a primeira bola do jogo para o arremessador convidado, Wade Boggs, futuro integrante do hall-of-fame (hall da fama).

E tem mais: no meio da temporada, uma águia de cabeça branca chamada Challenger, que estava machucada e foi resgatada por um morador local, fugiu de um prédio nas redondezas e pousou no braço do seu treinador justamente na última nota do hino nacional. "as pessoas adoram este tipo de coisa, é fantástico para as crianças e contribui para o sentimento de patriotismo quando eles assistem ao nosso passatempo nacional", disse Crichton.

Em todos os jogos, uma criança é selecionada para a "corrida com o Bull", que significa apostar corrida com o Wool E. Bull pelas bases. Coincidentemente, a criança sempre ganha. A participação dos torcedores é grande no DBAP. Se for seu aniversário, podem lhe pedir para ficar de pé em cima do abrigo dos jogadores e conduzir a multidão na execução da música "YMCA".

E você nunca sabe quando a Scout the Bat Dog (uma cadela de verdade que carrega tacos de beisebol) pode aparecer ou quando o Wool E. invadirá o campo com o seu cart de seis cavalos de força e pilotará em volta do campo para dar um pouco de emoção às crianças. Ele pode assinar autógrafos na loja do estádio ou aparecer no playground do complexo - onde as crianças brincam na piscina de bolinhas ou no escorregador, enquanto os pais cuidam delas e assistem ao jogo.

O estádio de dez mil lugares projetado pelo  HOK Sport, o mesmo grupo que projetou o belo estádio de Camden Yards, localizado em Baltimore, oferece algumas áreas de onde se pode ver o jogo.

  • Cadeiras de Galeria/Diamond View ou Cadeiras reservadas (todas as cadeiras possuem porta-copo e assentos reclináveis)
  • Cadeiras Club ou Field Box para ter uma visão mais aproximada
  • Você pode fazer um piquenique do lado direito ou esquerdo do campo, em umas das áreas de piquenique
  • Você pode comemorar uma ocasião especial com os seus colegas de trabalho ou amigos em uma área chamada Sky Box, onde existem cadeiras internas e externas com a melhor visão do campo, TV a cabo e serviço de alimentação e bebidas.
  • E já que sentar no gramado fazia parte dos costumes de quem freqüentava o antigo estádio do Durham, os projetistas deliberadamente acrescentaram uma característica no projeto: um gramado elevado perto do campo.

Foto cedida pelo Durham Bulls
A área de alimentação do estádio DBPA oferece algodão doce, burritos, nachos, hot dogs, sorvetes e muito mais

Uma outra parte importante no estádio DBPA é a alimentação. Até mesmo os times adversários adoram a comida deste estádio. Hot dogs, burritos, sorvetes, nachos, pizza, algodão doce, churrasco, você encontra de tudo por lá. Existe mais de uma dúzia de barracas e vários carrinhos de alimentação que são operados por mais de 100 vendedores.

E a grana!
De acordo com Birling, existem três fontes de renda principais para um time da Minor League.

  • Venda de ingressos - várias semanas antes da abertura da temporada de 2000, os Bulls tinham vendido mais de 220 mil ingressos. Esta quantia é quase metade dos 460 mil vendidos em uma temporada.
  • Vendas corporativas - anúncios, mídia exterior e patrocínios
  • Rendimento real dos jogos - este item inclui a porcentagem do time sobre os lucros da franquia (as franquias são operadas independentemente), as vendas da loja do estádio (loja de lembranças) e renda da máquina "speed-pitch" (uma máquina que mede a velocidade com que você arremessa as bolas de beisebol).

Os gastos principais são o aluguel do estádio, que pertence e é mantido pela prefeitura, a folha de pagamento de cerca de 100 funcionários (funcionários do escritório, promoção, campo e estacionamento) que trabalham durante os dias de jogos, taxas da "National Association of Professional Baseball Leagues" (Associação Nacional das Ligas de Beisebol Profissional) e o imposto cobrado sobre a venda de ingressos.

O Devil Rays negocia e paga os salários dos jogadores e o Durham Bulls participa com eles no pagamento dos tacos, bolas, equipamentos e uniformes. Como os juízes devem ser neutros, a "National Association of Professional Leagues" treina, escala e paga os juízes.