A vida de um jogador da segunda divisão

A vida de um jogador de beisebol gira em torno de treinos, jogos, refeições, repouso e viagens. É uma luta para arrumar tempo para ficar com a família ou para outros interesses. No caso do Bulls, Birling e a sua equipe deram um jeito para que a maioria dos jogadores e as suas famílias morassem no mesmo complexo de apartamentos durante a temporada. Desta maneira, eles podem dividir o transporte e as famílias podem apoiar-se quando os jogadores estão viajando.

A maioria das esposas dos jogadores tenta não trabalhar em empregos fixos durante a temporada, devido a agenda irregular do marido e também porque elas só ficam na cidade durante este tempo determinado e retornam para as suas cidades de origem até que os treinos da primavera comecem de novo.

Jogadores do Bulls que agora estão na primeira divisão
Ex-jogadores de destaque do Durham Bulls que jogam hoje na primeira divisão:
  • Paul Assenmacher, arremessador, Atlanta Braves
  • Steve Avery, arremessador, Atlanta Braves
  • Ron Gant, segunda base, Philadelphia Phillies
  • Tony Graffanino, segunda base, Tampa Bay Devil Rays
  • Andruw Jones, outerfield, Atlanta Braves
  • Chipper Jones, infielder, Atlanta Braves
  • David Justice, outfielder, Cleveland Indians
Fonte: Durham Bulls

Por razões práticas e concentração do time, eles viajam juntos de ônibus ou avião para jogos distantes. Cada time de beisebol tem uma atitude diferente em relação às famílias. Alguns encorajam as esposas a viajar junto em jogos distantes, enquanto outros times consideram as famílias um elemento que causa distração e preferem que elas fiquem em casa ou, se elas vierem aos jogos, que fiquem em hotéis diferentes.

De acordo com Crichton e Jim Goodmon, presidente e CEO do Durham Bulls, isso amplia a atmosfera familiar no estádio para os jogadores e as suas famílias. Além de fazer os jogadores se encontrarem com o público aumentando o número de torcedores e patrocinadores, o Bulls também organiza reuniões e encontros sociais. Os funcionários do escritório central tentam agir como uma fonte de respostas para as dúvidas que os recém chegados talvez tenham sobre a comunidade.

Um evento que fez muito sucesso o ano passado será repetido este ano. As esposas dos jogadores doarão os uniformes dos maridos e realizarão um leilão de itens de beisebol para coleção. Os lucros irão para o Durham Bulls Youth Athletic League, uma colaboração entre o Parks and Recreation Department (departamento de recreação e parques da prefeitura) e o Bulls. Neste programa, as crianças carentes são reunidas para jogar futebol e beisebol. Estas crianças participam de uma noite especial durante a temporada, onde podem conhecer os jogadores e outros membros da equipe do Bulls.

Trabalhando no estádio
Crichton, que trabalha com o marketing do time durante o ano inteiro, representa vários jovens locais que, assim que a temporada começa, trabalham tanto quanto os jogadores. "Muitas pessoas dizem que o meu emprego é especial e eu realmente gosto muito dele, mas elas não pensam que em dias de jogos nós temos que estar aqui quase 20 horas antes do jogo começar e no outro dia levantar e fazer a mesma coisa", diz ele. "Nós fazemos isto porque amamos o beisebol e queremos realizar um bom trabalho, mas é uma época complicada em termos de relacionamentos e outros assuntos do nosso interesse".

Foto cedida pelo Durham Bulls
É necessário mais de uma dúzia de funcionários para realizar o trabalho de desenrolar a cobertura que protege o campo interno da chuva
Um funcionário que está sempre no DBAP é o chefe da manutenção do campo Kevin Robinson. Robinson, que estudou agronomia com especialização em gerenciamento de gramados na Universidade Estadual da Carolina do Norte, talvez não seja conhecido entre os torcedores de beisebol, mas seu trabalho fala por si mesmo e o torna popular entre os jogadores. "A condição do gramado influencia muito no jogo. O objetivo principal do meu trabalho é criar um campo seguro onde as irregularidades no campo não causem contusões. A comunicação com os jogadores é muito importante porque eles me informam como eles gostam do campo e eu faço o melhor para que isto seja realizado", diz ele.

Robinson trabalha no campo o ano inteiro. Obviamente, o trabalho se intensifica quando a temporada começa. Nesta época, em um dia normal, ele está no estádio às seis da manhã fazendo a manutenção do campo, alguns ajustes de última hora depois do treino e logo antes do jogo, encerrando o trabalho por volta da meia-noite.

O DBPA está classificado entre os cinco melhores estádios de beisebol da segunda divisão dos EUA. O que é um bom estádio? Bem, um bom estádio é um local onde se pode jogar bem ou em outras palavras, é um local onde a bola bate no chão e rola suavemente, não pula irregularmente e que também seja um local agradável esteticamente. Esta é uma tarefa complexa e que consome muito tempo.


Foto cedida pelo Durham Bulls
O estádio de dez mil lugares do Durham Bulls foi projetado pelo mesmo grupo responsável pela construção do estádio Camden Yards em Baltimore
A espécie correta de grama para a região, por exemplo, deve ser adequadamente escolhida. O DBPA usa a grama tipo Bermuda 419 e Robinson coloca todo o outono mais sementes de azevém perene, para manter o campo bem aparado e verde o ano todo. O truque, diz ele, é a transição suave do azevém que morre no começo do verão para a grama Bermuda que acorda da dormência quase ao mesmo tempo.

E falando de grama: você notou as faixas de grama de um verde mais escuro contrastando com o verde mais claro no campo? Robinson explica que o efeito é causado por uma combinação de um aparador de grama de cilindro cortando o gramado em direções diferentes e o reflexo da luz do sol no gramado. "Onde o gramado é mais claro, o sol reflete a lateral da folha da grama e onde ele é mais escuro, o sol reflete somente a ponta da folha da grama", diz ele.

Abaixo do gramado existe um sistema projetado por encomenda que é chamado de Prescription Athletic Turf (PAT). Este sistema, que é feito sob medida para o tipo específico, dimensões e material do campo fornece uma drenagem máxima usando areia no subsolo. Isto evita cancelamento de jogos por causa da chuva. "Isto elimina alguns problemas, mas cria outros, tornando todo o sistema do gramado mais delicado e difícil de manter", diz Robinson. "Os nutrientes e a água necessários para a grama não são contidos pela areia: eles são filtrados pelo solo, mas para evitar o cancelamento de jogos por causa da chuva, vale a pena todo este trabalho".

Um dos aspectos mais difíceis da manutenção do campo de beisebol é a chuva. Quando fica claro que a chuva ameaçará um jogo, Robinson, a sua equipe e outros quinze funcionários puxam a cobertura do campo. O processo para desenrolar esta cobertura de vinil de 51m²  é um espetáculo à parte. "Existe um truque para desenrolar esta pesada cobertura suavemente sem ser pego por ela e ser enterrado por algum dos seus amigos", diz ele, sorrindo.

Se você quiser aprender mais sobre times da Minor Leagueou localizar um time de beisebol da segunda divisão perto de você, confira o site oficial da Minor League Baseball (em inglês). E, se existir um time da segunda divisão na sua cidade, vá até lá, sinta a atmosfera e torça pelo time. Eles podem ser as futuras estrelas da primeira divisão!

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