A história da maior regata de volta ao mundo

Brasil 1 Team
Brasil 1 Team

Em 1967, oito barcos lançaram-se ao mar para dar a volta ao mundo. Desses oito barcos que largaram, apenas um chegou ao final. Depois de uma experiência nada animadora como essa, não é difícil de se imaginar que a ideia de uma regata que desse a volta ao mundo ficasse esquecida por longos anos. Mas, não foi isso que aconteceu.

A ideia havia sido lançada e os principais velejadores do mundo daquela época ficaram com aquele gostinho de ..hum, quem sabe isso ainda pode dar certo. O desafio, porém, era imenso, já que a regata deveria passar por oceanos congelados, tempestades, enfim, iria exigir muito do equipamento utilizado e tripulação. Além disso, seria necessário criar uma estrutura que contasse com fiscais espalhados por todo o planeta para garantir a legitimidade da disputa e, naquela época barcos particulares não navegavam “ao redor do mundo”.

A Marinha Real Inglesa, porém, abraçou a ideia considerando esta uma boa oportunidade de treinamento para seus oficiais e assumiu o patrocínio da regata, caso nenhum outro patrocinador particular aparecesse. O fato é que, depois de tal anúncio, não faltou patrocínio para o evento. Rapidamente a Whitbread PLC, uma das mais antigas companhias de comércio da Inglaterra, assumiu o patrocínio total da regata dando nome à mesma.

A primeira maratona de volta ao mundo se deu então, em 1973/74. No dia 8 de setembro de 1973, 17 embarcações, de sete países, e contando ao todo com 167 tripulantes, largaram de Portsmouth, na Inglaterra. Já nessa primeira edição, três tripulantes morreram ao serem lançados ao mar durante tempestades. Apesar desses terríveis incidentes, os barcos completaram as 27.500 milhas náuticas e a regata ganhou o prestígio do mundo da vela.

 

 

Volvo Ocean Race
Guy Salter/Volvo Ocean Race
O brasileiro Torben Grael no comando do Ericsson 4

A segunda edição, realizada quatro anos depois, em 1977/78, já teve o Brasil como um dos locais escolhidos para que os barcos passasem, mais precisamente a cidade do Rio de Janeiro. Foi também nessa edição que apareceu para o mundo um dos maiores velejadores de todos os tempos  – Peter Blake. O sucesso dessa segunda edição foi tamanho que vários patrocinadores surgiram, desta vez, dispostos a assumir cada um delesos custos de um barco e sua tripulação.

Em 2001/02 mais uma grande mudança. A Volvo passou a ser a patrocinadora oficial do evento que deixou de ser Whitbread Round the Word para chamar-se Volvo Ocean Race (em inglês). Outra alteração também se deu no quesito pontuação. Todas as “pernas” do evento passaram a valer o mesmo ponto, independente da distância de cada uma delas.

Em 2005/06, o Brasil fez história ao enviar um barco nacional para a disputa.  O experiente velejador Torben Grael estava no comando do Brasil 1, que terminou a regata em um honroso terceiro lugar. Além de Torben, também compunham a tripulação do Brasil 1 os brasileiros João Signorini, André Fonseca, Marcelo Ferreira e Horácio Carabelli. Outro grande destaque nacional na competição foi Lucas Brun, que integrou a equipe do ABN Amro 2 e foi selecionado entre 152 velejadores inscritos. A edição também foi marcada pela trágica morte do velejador Hans Horrevoets, da equipe ABN Amro 2, levado por uma onda quando se preparava para descer para a cabine, já sem os equipamentos de segurança.

Brasil 1

O Brasil 1 foi construído entre outubro de 2004 e junho de 2005, em Indaiatuba, no estaleiro de Marco Landi (um dos maiores do mundo). Landi já havia construído 27 embarcações até então, todas entre 30 e 85 pés. O projeto do Brasil 1 ficou a cargo de Bruce Farr, responsável também por nada menos do que seis dos oito projetos de barcos vencedores da regata.

Brasil 1 Team
Brasil 1 Team

O casco foi feito em finas camadas de fibra de carbono curadas a vácuo, o que lhe proporcionou alta resistência e pouco peso.

Confira a ficha técnica do Brasil 1:

•    Comprimento: 21,5 m (70,5 pés)
•    Largura: 4,7 a 5,7 m (15,5 a 18,7 pés)
•    Calado: 4,5 m (14,8 pés)
•    Área da vela grande: 175 m² (1883,7 pés²)
•    Área da vela de proa: 140 m² (1506,9 pés²)
•    Área da vela balão: 500 m² (5382 pés²)
•    Altura do mastro: 31,5 m (103,3 pés) – sobre a água
•    Peso: 12,3 a 13,8 toneladas
•    Peso da quilha: 4,4 toneladas

*Fonte – Brasil 1